Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami, Flórida, em 28 de outubro de 2026. — Foto: RICARDO ARDUENGO / AFPLevantamento inédito realizado após a eleição presidencial mostra que comportamento do candidato do PL abre espaço para alternativas ao bolsonarismo. Para 62% dos entrevistados, a saída do país foi uma atitude errada, enquanto 29% a consideram acertada.
Por Caio Sartori — O GLOBO
Seis em cada dez brasileiros repudiam a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial e a postura golpista de questionar o resultado do segundo turno. A pesquisa inédita da Quaest “O Brasil depois das urnas”, à qual o GLOBO teve acesso, mostra a direita com fissuras na hora de avaliar as decisões do filho de Jair Bolsonaro, o que sinaliza um espaço para alternativas na oposição diante da crise do bolsonarismo.
A direita que não se considera bolsonarista também tem as opiniões mais divididas de todos os grupos quando é perguntada sobre por que motivo Flávio partiu rumo aos Estados Unidos cerca de 48 horas depois de perder a eleição. No recorte, 42% acreditam que ele busca fugir da Justiça, e 51% afirmam que está se protegendo de uma perseguição política.
No inquérito relacionado ao banco de Daniel Vorcaro, apura-se o destino dos R$ 134 milhões pedidos por Flávio ao banqueiro para a cinebiografia de Bolsonaro, o filme “Dark horse”. Já o processo contra o advogado amigo do senador tem como foco a suposta lavagem de dinheiro por meio de empresas de Tomaz.
Fissura exposta
Diretor da Quaest, o cientista político Felipe Nunes observa que os dados revelam uma divisão na direita, que durante a eleição deixou o antipetismo falar mais alto. Agora, diz, os que não se declaram bolsonaristas se repartem entre os alinhados ao que pensam os mais radicais e os que se juntam à esquerda e aos independentes para repudiar as falas e ações de Flávio.
— Essa divisão é um sinal importante de que há espaço para diálogo democrático com essa direita que não tolera questionamento ao resultado, que não compra a tese da perseguição e que não acha que sair do país foi a estratégia correta para quem deveria liderar a oposição — afirma. — Ao dividir a direita, Flávio abre espaço para que outras lideranças tomem a frente na condução da oposição nacional.
Outro ponto da pesquisa ajuda a medir o tamanho do eleitorado bolsonarista fiel a qualquer atitude do clã. O mesmo percentual (34%) apoiava o questionamento do resultado das urnas por Jair Bolsonaro em 2022 e endossa agora a reação de Flávio. A maior parte dos entrevistados (59%) é contra o discurso do filho do ex-presidente.
— A pesquisa não indica que o bolsonarismo desapareceu com a derrota. Há um terço que ainda parece muito aderente às ideias e às narrativas. Mas esse movimento parece cada vez mais minoritário e com dificuldade de alcançar maiorias vitoriosas a curto prazo — pondera Felipe Nunes.
Entre eleitores que votaram no candidato do PL no segundo turno deste ano, um em cada cinco (21%) é contra o não reconhecimento do resultado. Além disso, um em cada quatro (24%) avalia que ele “se comportou mal” depois da derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Essa leitura mais ampla sobre como os integrantes da família Bolsonaro se comportaram diante dos respectivos reveses para Lula indica que Jair contava com apoiadores mais mobilizados. Na visão de 41% dos entrevistados, ele se comportou bem naquele ano, e 45% disseram na ocasião que agiu mal. No caso de Flávio, o percentual dos que aprovam o conjunto de posturas é de apenas 25%, e 60% o refutam.
Apesar da diferença de pai para filho, um quarto tópico da pesquisa evidencia quantos brasileiros estão mais radicalizados à direita — a ponto de achar que as eleições foram fraudadas. Os 30% que afirmam isso agora são tecnicamente os mesmos 29% que o faziam há quatro anos. Entre eleitores de Flávio, 64% endossam a percepção, e 28% consideram que a disputa foi limpa e justa.
O instituto também testou os sentimentos dos eleitores em relação à vitória de Lula. Três classificações positivas — alegria, alívio e esperança — encabeçam a lista, mas o interessante é a divisão por identificação política.
Pesquisa Quaest realizada após a eleição presidencial mostra percepção dos entrevistados sobre a reeleição de Lula — Foto: Editoria de Arte
Entre lulistas, 40% se dizem alegres, enquanto na esquerda não lulista predomina o “alívio”, com 34% de menções — embora 32% também falem em alegria. Os eleitores independentes têm visões mais divididas, com nenhum dos sentimentos superando os 20%. Já a direita não bolsonarista aponta a “decepção”, com 27%, como principal sensação, enquanto os bolsonaristas se consideram mais “revoltados”, com 26% de respostas.
— Os lulistas conseguiram uma vitória épica. A esquerda, que mais tinha medo da volta do bolsonarismo ao poder, ficou aliviada e contente. O bolsonarismo, derrotado pela segunda vez, sai revoltado com o resultado. A direita, que nunca se empolgou com Flávio e sempre preferiu Tarcísio de Freitas como opção, sai decepcionada. Os independentes, pendulares que são, têm sentimentos difusos — analisa o diretor da Quaest.
A Quaest ouviu 2004 eleitores entre os dias 30 de outubro a 2 de novembro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Por Caio Sartori — O GLOBO
Entre lulistas, 40% se dizem alegres, enquanto na esquerda não lulista predomina o “alívio”, com 34% de menções — embora 32% também falem em alegria. Os eleitores independentes têm visões mais divididas, com nenhum dos sentimentos superando os 20%. Já a direita não bolsonarista aponta a “decepção”, com 27%, como principal sensação, enquanto os bolsonaristas se consideram mais “revoltados”, com 26% de respostas.
— Os lulistas conseguiram uma vitória épica. A esquerda, que mais tinha medo da volta do bolsonarismo ao poder, ficou aliviada e contente. O bolsonarismo, derrotado pela segunda vez, sai revoltado com o resultado. A direita, que nunca se empolgou com Flávio e sempre preferiu Tarcísio de Freitas como opção, sai decepcionada. Os independentes, pendulares que são, têm sentimentos difusos — analisa o diretor da Quaest.
A Quaest ouviu 2004 eleitores entre os dias 30 de outubro a 2 de novembro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.















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