04 outubro 2026

Tarcísio derrota Haddad e é reeleito governador de SP no 1º turno

O governardor de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no centro de São Paulo

Tarcísio de Freitas (Republicanos), 51, foi reeleito hoje governador de São Paulo, derrotando Fernando Haddad (PT) mais uma vez. O petista, que foi convencido por Lula a entrar na disputa, não conseguiu obter os votos necessários para levar a decisão ao segundo turno.

Com 90,02% das urnas apuradas no estado Tarcísio tinha 62,85% dos votos, e Haddad, 36,22%.

Diferentemente do pleito de 2022, quando estreou nas urnas e vinculou fortemente sua campanha à imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio adotou desta vez uma postura mais autônoma. Neste ano, o governador apoiou-se sobretudo em uma forte rede de aliados da política local, tendo como principal fiador o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).

O governador largou em vantagem na disputa ao costurar uma mega-aliança partidária no estado. Apoiado por uma coligação de 12 partidos, Tarcísio garantiu palanque na maioria dos municípios paulistas, priorizando agendas institucionais e eventos de lançamento de candidaturas aliadas em detrimento de caminhadas de rua e do tradicional corpo a corpo nos bairros.

Com a popularidade em alta —registrando 64% de aprovação, segundo o Datafolha—, Tarcísio consolidou-se como o principal cabo eleitoral do estado. O chefe do Executivo paulista dividiu suas atenções entre as campanhas ao Senado de André do Prado (PL) e de seu ex-secretário Guilherme Derrite (PP), além de ser convocado para impulsionar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Na disputa pelo Senado, o governador engajou-se diretamente na campanha de Prado, seu principal aliado na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). No entanto, sua atuação no cenário nacional gerou ruídos: aliados de Flávio Bolsonaro consideraram o esforço do governador aquém do esperado.

Enquanto Ricardo Nunes recebeu elogios do entorno do candidato do PL por sua dedicação, Tarcísio foi alvo de cobranças reservadas, mesmo após tentar demonstrar maior envolvimento na reta final do primeiro turno.

O recuo estratégico de Tarcísio refletia uma preocupação de seus conselheiros políticos sobre o impacto que o desgaste de Flávio poderia causar à sua própria imagem. Ao longo da corrida eleitoral, o senador enfrentou graves denúncias e passou a ser investigado por suspeita de corrupção, sob a acusação de receber repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Bolsonaro.

Ana Paula BimbatiDo UOL, em São Paulo

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