20 outubro 2026

Lula protocola documento no TSE e no STF em que diz que libera a divulgação de sigilos dele e de parentes se Flávio também o fizer

Presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) • Foto: Ricardo Stuckert

Na manifestação, petista diz estar disposto a divulgar sigilos da esposa e dos cinco filhos, incluindo Lulinha, que é alvo de apurações da PF. Mas Lula condiciona o ato à divulgação de dados de Flávio, que é investigado em inquéritos no STF.

Por Guilherme Balza, Kellen Barreto, GloboNews e g1 — Brasília

O candidato do PT à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou nesta terça-feira (20) um documento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que afirma que autoriza a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos 8 anos, e também os de seus parentes, desde que o seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo.

Lula tomou a medida após desafiar Flávio, no debate realizado pela Band no último domingo (18), a divulgar os sigilos. O petista reiterou o desafio durante entrevista concedida nesta segunda-feira (19), em Porto Alegre (RS), onde cumpriu agenda de campanha.

Nesta terça, durante entrevista em São Luís (MA), Lula comentou o envio do documento ao TSE.

"Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele", disse o candidato do PT à reeleição.

O presidente também apresentou uma manifestação com o mesmo teor ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No debate da Band, Flávio afirmou não ter "absolutamente nada a esconder", mas não afirmou se vai autorizar a quebra do sigilo.

De acordo com a petição apresentada pela defesa de Lula ao TSE, a liberação e a ampla divulgação dos dados – seja por meio do sistema Divulga CandContas da Corte Eleitoral, ou de outro site de acesso público – vão abranger os seguintes familiares de Lula:

* Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente;

* Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha;
Marcos Cláudio Lula da Silva, filho;

* Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho que é alvo de investigações da PF;

* Sandro Luís Lula da Silva, filho;

* Luís Claudio Lula da Silva, filho.

Os filhos de Lula já manifestaram que estão de acordo com a liberação dos dados.

A defesa do candidato, inclusive, juntou ao documento protocolado, na tarde desta terça (20), procuração dos familiares informando que eles autorizam a quebra dos sigilos.

O texto também estende a liberação de sigilos de empresas das quais os candidatos sejam sócios, administradores ou em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou "usuários master".

No caso de Lula, foi citada a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual é sócio não administrador.

🔎A expressão "usuário master", utilizada pela defesa de Lula de forma irônica no documento, é uma referência a reportagens que apontam que Flávio foi cadastrado como 'usuário master' em uma conta bancária de uma empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.

A defesa de Lula propõe a divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos de ambos os candidatos antes da próxima quarta-feira (21). Para os advogados, a medida é fundamental para assegurar que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir o seu voto.

Éden Valadares, secretário da campanha do petista, afirmou que a medida proposta por Lula tem respaldo na Constituição, que preza pela probidade administrativa, moralidade e prevê a análise de vida pregressa para o exercício de mandatos.

"Lula toma uma iniciativa histórica, que risca no chão a diferença dos candidatos, dando transparência a todo o seu sigilo e desafia o adversário a fazer o mesmo. Quem não deve, não teme", disse Valadares.

A petição apresentada ao TSE foi distribuída, por sorteio, ao ministro André Mendonça, que será o relator desse caso.

Sigilos de Flávio

Lula condiciona a liberação dos seus sigilos e os de parentes à autorização, por Flávio Bolsonaro, da divulgação dos sigilos dele e dos seguintes familiares:

* Jair Bolsonaro, pai;

* Rogéria Bolsonaro, mãe;

* Carlos Bolsonaro, irmão;

* Eduardo Bolsonaro, irmão;

* Jair Renan Bolsonaro, irmão;

* Fernanda Bolsonaro, esposa.

E também das seguintes empresas ligadas ao candidato do PL:

* Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia;

* All In One Corretora de Seguros Ltda;

* Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda;

* Bolsonaro Digital Ltda;

* Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Willer Tomaz, que tem uma conta em que Flávio foi cadastrado como "usuário master".

Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz.

O outro inquérito trata do financiamento de "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do flme.

A defesa do senador tem negado irregularidades nas investigações, afirmando que não há envolvimento em ilícitos e criticando a divulgação de peças sigilosas durante o período eleitoral.

Por Guilherme Balza, Kellen Barreto, GloboNews e g1 — Brasília

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