22 outubro 2026

Petrolândia: Nesta quinta-feira (22) completam-se 9 meses da morte de Samyr Oliveira, guardião da igreja semi-submersa

Há pessoas e patrimônios insubstituíveis  (Reprodução Instagram)

Nesta quinta-feira (22) chegaremos ao nono mês sem Samyr Oliveira, o empresário do Bar e Balneário Roça de Samyr, mergulhador profissional, servidor público do município e, entre várias outras qualificações, um cidadão que faz imensa ao monitoramento das ruínas da antiga Igreja do Coração de Jesus, a igreja semi-submersa do Lago de Itaparica.

Samyr Oliveira de Souza, 42 anos, foi vítima de atentado a tiros, no meio de uma avenida movimentada de Petrolândia, na manhã de 13 de janeiro deste ano. No dia 22 não resistiu aos graves ferimentos e faleceu.

No tempo de uma gestação, a falta que Samyr continua a fazer não é somente a saudade da família, dos parentes, dos amigos, dos muitos conhecidos e admiradores. Como cidadão, Samyr deixou um lugar vazio. Ninguém o substitiu no serviço voluntário de monitoramento das ruínas do cartão postal de Petrolândia, ninguém tem a coragem que ele tinha. Samyr era referência quando se falava de visitar a "igreja submersa". Desde sua morte, o lugar está (ainda mais) abandonado, inteiramente à mercê de depredadores, e há provas.

Recentemente, no final de setembro, durante a festa do padroeiro, um produtor de conteúdo para o Instagram visitou Petrolândia. No material produzido está uma visita às ruínas, conduzida por barqueiro local. Nas ruínas, o influenciador "gabaritou" todas as práticas proibidas no Patrimônio Cultural de Pernambuco, protegido por processo de tombamento da Fundarpe.

Foram registrados e compartilhadas imagens que comprovam que o cordão de isolamento, demarcado com bóias, não foi respeitado. A entrada proibida na estrutura também foi gravada, com o barco adentrando na igreja. Várias pessoas escalaram as ruínas, subindo no teto da igreja, e um tijolo foi levado do local como souvenir (lembrança) da visita.

Dias depois, o Instituto Geográfico e Histórico de Petrolândia-IGHP divulgou nota de repúdio e registrou denúncia ao Ministério Público de Pernambuco. Porém, se a justiça é lenta para punir crimes contra a vida, imagine-se quando é comparada à rapidez de extensão dos danos provocados pelo descaso generalizado com a preservação do patrimônio histórico e cultural mais importante de Petrolândia.

Redação do Blog de Assis Ramalho

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