quinta-feira, 7 de junho de 2018

Sindicato dos Policiais Civis denuncia situação de precariedade nas delegacias de PE, inclusive a de Petrolândia


A Delegacia de Polícia de Petrolândia - no centro da cidade - foi fechada em 2015 para reformas, mas se encontra em completo abandono (Fotos: Assis Ramalho/BlogAR)
 
Presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE), Áureo Cisneiros concedeu entrevista ao radialista e blogueiro Assis Ramalho, na Web Rádio Petrolândia.
O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco apresentou, nesta quarta-feira (06), um dossiê sobre a realidade das delegacias de Polícia de Pernambuco 

Descaso, falta de estrutura básica, efetivo defasado, delegacias sucateadas e falta de investimento. Este é o panorama da Segurança Pública no Estado apresentado pela diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, na manhã desta quarta-feira (06).

No dia 1º deste mês, o Presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE), Áureo Cisneiros, em entrevista ao radialista e blogueiro Assis Ramalho, na Web Rádio Petrolândia denunciou que as delegacias de Polícia Civil no interior de Pernambuco estão funcionando de forma caótica, a maioria em prédios alugados, caso de Petrolândia, ou cedidos sem estrutura adequada. Além disso, policiais fazem limpezas em delegacias e 'vaquinhas' para pagar diarista.

Após visitar a delegacia de Petrolândia, Cisneiros afirmou ter constatado que o efetivo é insuficiente e os policiais trabalham no limite. Provisoriamente a Delegacia de Polícia Civil, da 186ª Circunscrição em Petrolândia foi transferida do centro da cidade para a rua Capitão Guilherme de Souza, na Quadra 12, no ano de 2015. A delegacia, que era para passar por reforma, se encontra em completo abandono (fotos acima).

Áureo criticou a estrutura "improvisada" da delegacia de Petrolândia que, segundo ele, não dá boas condições de trabalho aos policiais.

''Petrolândia está com uma delegacia improvisada e não é um prédio com todas as adequações. É quente e não tem ventilação. Inclusive as salas para reconhecimentos, as salas para prestar B.O. (boletim de ocorrência), são improvisadas, e a gente vai colocar no relatório''.

Cisneiros afirmou ter constatado que o efetivo é insuficiente e os policiais trabalham no limite.

''Aqui em Petrolândia, nós temos dez policiais que ficam se revezando. Então, praticamente são dois policiais por dia, o que é um absurdo. Se você não tem efetivo, você não faz com efetividade o serviço da Polícia Civil, que é investigar os crimes. E se não há investigação dos crimes, vai rolar a impunidade, que é um incentivo a essa onda de violência que está aí sobre Pernambuco, que é considerado o terceiro estado mais violento do país. Ficamos até mesmo à frente do Rio de Janeiro, que é três vezes maior, em termo de população, do que Pernambuco''.

O sindicalista também criticou fortemente a delegacia de Tacaratu, segundo ele, a pior estrutura entre todas que ele visitou, enquanto cita delegacia de Floresta como modelo para as demais.

''A delegacia de Tacaratu é terrível. A policial que me recebeu lá disse 'olha, Áureo, os policiais que estão dormindo nesta delegacia, estão amanhecendo doentes'. É mofo por toda parede e infiltração. Com a chuva, ninguém pode trabalhar, com a goteira caindo, inclusive com o risco de perder informações, perder os inquéritos. É uma delegacia muito ruim'', disse Áureo, reprovando a estrutura das delegacias do Sertão de Itaparica, exceto a de Floresta. ''A delegacia de Floresta é um modelo, um padrão que deveria ser seguido''.

Nesta quarta-feira, 06 de junho de 2018, o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) expôs a realidade do segundo dossiê da PCPE. O primeiro deles foi apresentado três anos atrás, no início da atual gestão à frente do sindicato. Para a elaboração do segundo documento, os membros da diretoria percorreram delegacias e institutos médicos, criminalistas e de identificação por todas as regiões do Estado. De acordo com o SINPOL, a falta de estrutura na Polícia Civil é hoje um dos principais problemas que impulsiona a violência em Pernambuco.

“O que vimos é que quase nada mudou na política de segurança pública do estado. A falta de prioridade, diálogo e investimentos continuam imperando nesse campo. A Polícia Civil continua sucateada, sofrendo por falta de efetivo e quem tem pago essa conta é a população, já que cerca de 80% dos crimes cometidos em Pernambuco não são investigados por falta de condições e efetivo”, destacou o presidente do SINPOL, Áureo Cisneiros.

Durante os nove meses de visitações, os diretores do SINPOL constataram in loco o total descaso com o atendimento ao cidadão, com a investigação e com a solução de crimes, trabalho essencial para as garantias civis e o Estado Democrático de Direito, realizados com exclusividade pela Polícia Civil. Para se ter uma ideia, cerca de 80% das delegacias do estado estão fechando em horário comercial, finais de semana e feriados. Além disso, 40% dos imóveis que abrigam delegacias são alugados e não dispõe de adequação necessária para o funcionamento de uma unidade policial.

O dossiê aponta os seguintes pontos como sendo os principais problemas da PCPE: falta de efetivo; sucateamento e despadronização estrutural; falta de transparência dos números e nas ações de combate à criminalidade; falta de formação continuada do trabalhador; falta de uma formação cidadã, humanista e agregadora do servidor com as comunidades; burocracia excessiva; polícia de castas, que não valoriza o trabalhador da ponta, da base; desestímulo dos trabalhadores pela falta de perspectiva na carreira e pelo desenfreado assédio moral institucionalizado e, por último a falta de delegacias especializadas espalhadas por todo o Estado.

Vale destacar que o ano de 2017 foi um marco na segurança pública de Pernambuco. Foram 5.426 homicídios, o maior quantitativo da história. Além dos homicídios, houve aumento no número de assaltos a ônibus. Segundo a SDS, foram 1.129 e segundo o Sindicato dos Rodoviários, foram 3.025 assaltos a ônibus. Hoje, Pernambuco é o sexto estado mais violento do país, com uma média de 47,3 assassinatos a cada 100 mil pessoas, superando unidades federativas bem maiores ou mais populosas, como São Paulo, com uma média de 10,9% assassinatos a cada 100 mil habitantes; Rio de Janeiro, com uma média de 36,4%; e a Bahia, com 46,9%.

O que o dossiê propõe para melhorar a segurança pública:

– Concursos regulares e formação continuada, focada no contexto social em que o trabalhador estará inserido;

– Lei Orgânica da Polícia Civil, modernizando seus procedimentos, seus mecanismos de atuação e controle, dando-lhe mais autonomia e capacidade de atuação;

– Investimentos estruturais proporcionais ao PIB estadual;

– Viaturas eminentemente descaracterizadas, próprias para investigação;

– Fornecimentos de armamento e materiais de proteção individual para todos os trabalhadores;

– Padronização de todas as Delegacias, Unidades e Institutos da Polícia Civil para que sejam projetadas e sirvam adequadamente a investigações e atendimento à população;

– Implementação de especializadas por todas as regiões do Estado;

– Despolitização da Corregedoria;

– Assistência médica e psicológica ao trabalhador policial civil em todo o Estado;

– Instauração efetiva do Conselho de Segurança Pública, fazendo parte toda a sociedade, inclusive, as entidades de classe;

Com essas medidas o sindicato espera, além de garantir condições mínimas e dignas de trabalho para o Policial Civil de Pernambuco, aumentar a atuação da PCPE com a realização sistemática de concursos públicos para recompletamento de quadro e, acima de tudo, solucionar a insegurança em que se encontra o estado.

“Nós não podemos mais aceitar esse desgoverno. Pernambuco passou 10 anos sem realizar concurso público para Polícia Civil. O último, em 2016, não convocou todos os aprovados, mas a necessidade de efetivo é gritante. As delegacias, em sua maioria, estão funcionando em horário comercial, fechando nos finais de semana e feriados. A capacidade investigativa da Polícia Civil é impactada diretamente pelo efetivo tão defasado. Existe uma sobrecarga. São poucos policiais, delegacias e demais unidades de polícia sucateadas, para uma demanda social urgente”, indagou, Cisneiros.

A diretoria do SINPOL encaminhou uma cópia do dossiê para o Governado Paulo Câmara e espera que as sugestões sejam aceitas e colocadas em prática para que haja uma mudança no quadro caótico em que se encontra a Segurança Pública de Pernambuco.


Blog de Assis Ramalho
Por: Sinpol - Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco


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