01 setembro 2026

Recife/Petrolândia: Amigo de Rammon Capistrano, professor Clóvis presta homenagem ao colega de classe: "E aí, mestre? Era assim que me dirigia ao professor, gente do bem"

Caro Assis Ramalho! Essa foto foi tirada no Palácio do Campo das Princesas. Final de 2008. Uma comissão da UAST foi recebida pela governadoria do Estado após uma campanha por melhorias no transporte em Serra Talhada. Rammon sempre foi uma pessoa muito consciente.

Olá Assis Ramalho! Eu me chamo Clóvis. Sou professor aqui no Recife. Amigo do Rammon Capistrano. Estudamos juntos em Serra Talhada. Li a matéria no teu blog sobre a morte dele. quero fazer essa homenagem por meio do Blog de Assis Ramalho.

E muito obrigado desde já. Pelo espaço e pelo trato com a memória dele.

Não é todo mundo que pode receber ou ser reconhecido pela palavra mestre. Esse termo, mesmo com o passar do tempo, ainda carrega em si o respeito, a tonalidade e a exigência da grandeza. Mestre, para além de um título obtido, o que também demanda esforço e dedicação, é também a síntese de um carinho.

Conheci Rammon Capistrano na graduação, estudando biologia na imponente e generosa Unidade Acadêmica de Serra Tallahada da UFRPE. Entre as difíceis idas e vindas para a universidade, que naquele buscava se afirmar em nossa região, entre os corredores da UAST passei a chama-lo de mestre.

E aí, mestre? Era assim que me dirigia ao professor, gente do bem, esforçado por excelência e mais um fruto da formação superior, do ensino e da ciência, coisas que mais do que nunca precisamos divulgar, conhecer e experimentar em nosso país.

O mestre era gente do bem. Um estudante dedicado, não surpreendeu que se tonaria mais um professor (mestre, como chamavam antigamente) reproduzindo e levando conhecimento em nosso sertão. Se uma das responsabilidades e tarefas da universidade é espalhar conhecimento, mestre Rammon fez isso bem.

Entre as idas e vindas, lutamos pela melhoria da universidade. Quando organizamos a primeira manifestação pela melhoria no transporte o mestre estava lá. O que começou com um simples abaixo assinado, virou uma manifestação de rua e acabou nos levando até o Palácio do Campo das Princesas.

Diziam pra gente que aquilo não daria em nada, que era perda de tempo. Hoje nós vemos a instituição que nos acolheu e nos formou transformando vidas de outros jovens que, como nós, tiveram a chance de se agarrar num sonho e seguir.

Se a gente olhar direitinho, vai ver o trabalho de nosso mestre e outras centenas de moças e moços que pegaram seus sonhos, plantaram a semente e fizeram desse chão do sertão um grande canteiro de obras, tocando em vidas e pessoas.

Rammon nos deixou muito cedo. Daquelas notícias que a gente não espera receber, não quer receber nunca mas que infelizmente nos pega desprevenidos e nos deixa mais triste. O mestre se tornou professor, via em seus alunos um espelho. Operava o verdadeiro milagre da educação, que transforma vidas por meio do conhecimento.

O exemplo do mestre virá bem cedo. Outros Rammons vão surgir em Petrolândia, Floresta, Afogados da Ingazeira, Bananeiras, Triunfo, Calumbi… cidades onde moram pessoas que conheceram e tiveram a honra de conviver, sonhar, se formar e lutar junto com uma pessoa como ele.

Clóvis - Professor no Recife

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