03 setembro 2026

R$ 5 milhões dados a Bolsonaro e Tarcísio por Vorcaro foram propina combinada com Kassab, diz portal Uol

Foto: Alan Santos/PR

Revista Fórum

Revelações trazidas a público por uma apuração do Uol indicam que o enredo em torno do escândalo do Banco Master ganhou contornos explosivos de barganha política e repasses financeiros ilícitos. De acordo com as informações veiculadas pelo portal, os repasses que somam R$ 5 milhões efetuados durante a corrida eleitoral de 2022 para as campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) não passaram de pagamentos de propina pré-acordados, tendo como peça central de articulação ex-secretário de Governo de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), que é atualmente o candidato a vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado (PSD).

A engrenagem do esquema, detalhada pelo ex-controlador da instituição financeira Daniel Vorcaro em suas tentativas de fechamento de colaboração premiada, segundo o Uol, funcionava a partir de acertos para preservar contratos estratégicos do grupo junto ao funcionalismo público paulista. A ferramenta em questão era o Credcesta, serviço de cartão consignado gerido pela PKL One Participações, braço empresarial vinculado ao ecossistema do Master, que obteve entrada no estado na gestão Doria/Rodrigo Garcia e demandava garantias de continuidade ante a iminente troca de comando no Palácio dos Bandeirantes.

Conforme a reportagem, a transação financeira formal foi operacionalizada por meio do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que canalizou R$ 3 milhões para a disputa presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a vitoriosa chapa de Tarcísio ao governo estadual. Vorcaro pontua nas tratativas que as cifras oficiais seriam apenas parte da negociação travada por seu sócio, Augusto Lima, com Kassab: a barganha totalizava um porcentual do faturamento líquido da operação e até R$ 10 milhões em repasses informais (caixa dois) destinados à composição política do PSD, além das doações devidamente registradas exigidas pelos interlocutores para atender compromissos partidários de coligação.

Apesar da gravidade e da reiteração do depoimento em três versões de propostas de delação rejeitadas pelos órgãos de investigação por falta de elementos inéditos de prova, todos os citados negam veementemente as acusações. Em manifestação pública reproduzida pelo portal, Kassab classificou o relato como uma narrativa desprovida de lastro fático, assegurando jamais ter tratado de repasses ou do Credcesta com os envolvidos. Na mesma linha, a defesa de Tarcísio de Freitas reiterou a regularidade da prestação de contas eleitoral de 2022, ressaltando a ausência de relação do governador com o doador ou com o banqueiro, além de frisar que os cadastros de instituições de crédito consignado no estado seguem ritos impessoais de credenciamento público sem repasse de verbas do Tesouro.

Por: Henrique Rodrigues - Revista Fórum

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