Andreia Vieira Gaspar tinha 51 anos. Em nota, o médico responsável pelo procedimento lamentou a morte e disse que 'todos os esclarecimentos serão prestados, com total colaboração, aos órgãos competentes'.
Por Yanca Cristina, João Victor Guedes, Ramon Lacerda, g1 Goiás e TV Anhanguera
A empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, morreu após realizar uma cirurgia plástica em um hospital, em Goiânia. A família dela denuncia que houve negligência médica e acionou o Ministério Público de Goiás (MP-GO). As informações foram apuradas com exclusividade pela TV Anhanguera.
A mulher morava na Espanha há cinco anos e veio para Goiânia para realizar o sonho de fazer procedimentos estéticos no rosto.
Á TV Anhanguera, a defesa do Hospital Ankar informou que lamenta a morte da paciente e que ela recebeu atendimento de emergência imediato. Além disso, a unidade afirmou que a avaliação e os exames pré-operatórios foram realizados externamente e que os registros referentes ao atendimento estão documentados em prontuário e poderão ser disponibilizados às autoridades competentes.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que "todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas pelo Cremego ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo" (leia na íntegra ao final do texto).
Ao g1, o Ministério Público de Goiás disse que a 2ª Promotoria de Justiça de Goiânia enviou um ofício na quinta-feira (20) à 1ª Delegacia Regional de Goiânia. O órgão encaminhou uma cópia dos autos extrajudiciais e pediu que fosse aberto um inquérito policial para investigar a possível prática de homicídio culposo.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil para obter mais informações sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Denúncia
Conforme apurado pela TV Anhanguera, Andreia passou por seis procedimentos no rosto, que duraram mais de oito horas. Durante a cirurgia, foram reposicionados tecidos e músculos, alterada a linha do cabelo e reposicionado o queixo. Também foram retirados o excesso de pele e as bolsas de gordura das pálpebras, além de gordura do pescoço e da mandíbula. A paciente ainda recebeu aplicação de células-tronco do próprio corpo.
Depois da cirurgia, a empresária foi levada para o quarto do hospital, e a irmã percebeu que algo não estava certo. "Ela estava com a língua muito inchada, ela não conseguia fechar a boca", afirmou Djiane Vieira.
A irmã contou que chegou a chamar a atenção da equipe médica para o estado de saúde de Andreia. Segundo ela, cerca de seis horas após a cirurgia, a situação se agravou. Duas horas depois do início da tentativa de reanimação, a paciente foi declarada morta. O laudo assinado pela equipe médica indicou trombose aguda e infarto pulmonar.
"O hospital não tinha UTI e ele [o médico] dizia que tinha. Se você entrar nas redes sociais, eles falam que tem lá. Eles não tinham uma ambulância para cuidar da minha irmã", destacou a irmã.
Além da falta de UTI, os familiares alegam que o médico responsável autorizou a cirurgia mesmo após analisar os exames feitos por Andreia ainda na Espanha. Os exames indicavam que ela estava com uma bactéria e apresentava um processo infeccioso ativo. Segundo a irmã, ela também fazia uso de hormônios e foi orientada a interromper a medicação uma semana antes da cirurgia.
A empresária conheceu o médico pelas redes sociais e recebeu todas as orientações por telefone, sem ter uma consulta presencial antes da cirurgia, informou a família.
"A minha irmã pagou R$ 118 mil para entrar linda como era para que ela morresse nos meus braços", desabafou a irmã da empresária.
Djiane ressaltou ainda que quer Justiça. "Ela era uma princesa. Eu falava: 'Mana, você não precisa disso'. Ela falava: 'Mana, eu preciso porque é o meu sonho'", relembrou.
Nota do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) esclarece que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas pelo Cremego ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.














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