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Vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD) — Foto: Mariana Carvalho/Divulgação
Solicitação protocolada nesta quinta (20) foi assinada por três deputados do PSB. Eles acusam gestora e secretária estadual de Saúde de 'atos lesivos ao patrimônio público estadual e federal, concretização de crimes e atos de improbidade'.
Por g1 Pernambuco
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Um pedido de impeachment da vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD), foi protocolado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta quinta-feira (20). A solicitação foi assinada por três deputados estaduais do PSB: Rodrigo Farias, vice-presidente da Casa; Sileno Guedes, presidente da Comissão de Saúde da instituição; e Romero Albuquerque.
Esses parlamentares pediram o impeachment da vice-governadora por causa da denúncia de que ela destinou verbas para a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, hospital administrado pelo marido dela, o empresário Jorge Branco (entenda mais abaixo).
A denúncia se baseia também em um relatório feito pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), órgão ligado ao Ministério da Saúde que é responsável por avaliar políticas públicas de saúde e da aplicação dos recursos federais no Sistema Único de Saúde (SUS).
No pedido, os deputados sinalizam que Priscila Krause e a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, estão ligadas a "atos lesivos ao patrimônio público estadual e federal, concretização de crimes e atos de improbidade".
Segundo a Alepe, o pedido de impeachment está sendo analisado pela presidência, e "não há prazo estabelecido para esta análise acontecer".
O governo disse que as acusações "não correspondem aos fatos" e que "o pedido protocolado por três deputados de oposição na Assembleia Legislativa tem caráter político-eleitoral". Também afirmou que as supostas irregularidades já foram analisadas e afastadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) desde 2024.
Já a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro disse lamentar "ser alvo de instrumentalização eleitoreira" e disse que a instituição tem "trajetória sólida e transparente de mais de 55 anos" e "segue cumprindo sua missão de cuidar dos pacientes, como sempre fez ao longo de sua história".
A auditoria foi feita na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste do estado. A unidade de saúde tem como administrador e sócio Jorge Branco, marido de Priscila Krause.
O g1 teve acesso ao relatório produzido pelo DenaSUS, que avaliou o hospital no período entre janeiro de 2023 e julho de 2025. De acordo com o documento, foram encontradas algumas irregularidades na estrutura hospitalar, como:
"inconformidades nas áreas de farmácia e armazenamento, com utilização inadequada da sala de preparo e armazenamento impróprio de materiais na farmácia de quimioterapia";
"limitações relacionadas ao espaço físico e à organização da farmácia central";
"fragilidades relacionadas à responsabilidade técnica de enfermagem";
"inadequações na estrutura física do serviço de hemodiálise ainda em processo de adequação, produção de quimioterapia inferior ao parâmetro normativo".
Em relação à administração e recursos, a auditoria também destacou alguns problemas encontrados que geraram prejuízo de R$ 905.233,95 aos cofres públicos:
"R$ 7.980 referem-se ao recebimento indevido de recursos da Assistência Financeira Complementar da União destinada ao Piso Nacional da Enfermagem";
"R$ 897.253,95 decorrem do faturamento de procedimentos assistenciais sem a devida comprovação de sua execução nos prontuários analisados".
Os valores gastos sem comprovação abrangem procedimentos cirúrgicos oncológicos, sessões de hemodiálise, quimioterapia e hormonioterapia. Assim, o DenaSUS recomendou a devolução dos valores ao Fundo Nacional de Saúde.
O g1 tentou contato com o DenaSUS para obter outras informações sobre a auditoria, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Pedido de impeachment
Em nota conjunta sobre o pedido de impeachment, os três deputados estaduais, que fazem oposição ao governo do estado, afirmaram que:
Priscila Krause, quando governou interinamente o estado, assinou "R$ 200 milhões de orçamento que também chegava ao hospital que tem, como principal sócio e administrador, seu marido, Jorge Branco";
relatório de auditoria federal identificou irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro "com graves prejuízos aos cofres públicos, principalmente pelo apontamento de fraudes em tratamentos de câncer e de hemodiálise";
essa auditoria na referida unidade de saúde, que já havia recebido R$ 75 milhões do governo de Pernambuco, "se tornou um escândalo nacional, revelado pelos veículos de imprensa";
segundo o Diário Oficial do Estado, Priscila Krause "ainda nomeou os responsáveis das áreas jurídica, de licitação e financeira da Secretaria de Saúde que cuidavam de toda a cadeia de pagamento para o hospital".
"Esse conjunto de irregularidades, que fez o Ministério da Saúde exigir que o marido da vice governadora faça a devolução de recursos para o SUS, nos levaram a exigir que a Assembleia Legislativa se mobilize formalmente para apreciar o caso. O nosso objetivo é que tudo seja devidamente apurado como prevê a lei, diante de indícios evidentes de graves irregularidades. O impeachment é necessário para proteger o dinheiro do SUS, que está sendo desviado para o marido da vice-governadora", afirmaram os deputados na nota.
O que diz o governo
Por meio de nota, o governo negou as acusações e disse que o pedido de impeachment de deputados de oposição "tem caráter político-eleitoral". Afirmou, ainda, que Priscila Krause não integra o quadro societário do hospital e que a unidade presta serviços complementares ao estado há 55 anos, ao longo de 16 governadores.
A gestão disse que a SES-PE, após receber o relatório do DenaSUS, "segue com os encaminhamentos dentro da norma jurídica da mesma forma que realiza para qualquer outro prestador da secretaria".
Conforme o governo, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) já analisou as alegações, ainda em 2024, afastando a hipótese de irregularidades.
"O relatório apontou inconsistências documentais correspondentes a 1,4% do montante analisado. Sendo certo que, das cerca de 150 mil sessões de hemodiálise analisadas uma a uma, o parecer contesta a documentação de apenas 90, o equivalente a 0,06% do total", diz a nota.
"O governo de Pernambuco reafirma seu compromisso com a transparência e seguirá prestando todos os esclarecimentos necessários", finaliza a resposta.
Confira, abaixo, a nota na íntegra:
"O governo de Pernambuco afirma que as acusações não correspondem aos fatos e que o pedido protocolado por três deputados de oposição na Assembleia Legislativa tem caráter político-eleitoral. O governo ainda esclarece que a vice-governadora Priscila Krause não integra o quadro societário da Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que presta serviços complementares ao estado há 55 anos, ao longo de 16 governadores.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) recebeu o relatório final do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) relacionado a Casa de Saúde, em Garanhuns, e segue com os encaminhamentos dentro da norma jurídica da mesma forma que realiza para qualquer outro prestador da secretaria.
O relatório apontou inconsistências documentais correspondentes a 1,4% do montante analisado. Sendo certo que, das cerca de 150 mil sessões de hemodiálise analisadas uma a uma, o parecer contesta a documentação de apenas 90, o equivalente a 0,06% do total.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) já analisou o caso, ainda em 2024, afastando a hipótese das irregularidades alegadas: 'os fatos não indicam a concretização das referidas hipóteses de vedação à contratação'.
Segundo o mesmo parecer, as contratações questionadas pela Alepe 'não se tratam de novidades, já tendo sido realizadas, por mais de uma vez, entre o estado e a Casa de Saúde, inclusive durante o mandato de outra gestão, nos quais foram envolvidas cifras similares às contestadas'.
O governo de Pernambuco reafirma seu compromisso com a transparência e seguirá prestando todos os esclarecimentos necessários."














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