
São João de Vitória de Santo Antão (Foto: Divulgação)
O Brasil já viveu “Mascates” (Recife, 1710/11); ”Malês” (Salvador,1835); “Chibata” (Rio de janeiro (1910), revoltas surgidas no limite máximo da opressão, levando os oprimidos a resistirem a qualquer preço na busca de reverter a situação.
Neste ano de 2026, o São João nordestino vai ficar marcado na história não só pela excepcional qualidade e pela presença massiva de turistas, mas, principalmente, porque alguns dos seus grandes artistas assumiram a denúncia de fatos que, de uma certa forma, eram públicos e notórios, mas faltava quem atirasse a primeira pedra, quem denunciasse para que ficasse às escâncaras um problema de tanta gravidade.
Com efeito, os cachês pagos aos artistas locais, mesmo aqueles mais famosos e conhecidos, têm uma diferença abissal em relação a nomes que nada têm a ver com a cultura popular nordestina, que não sabem qual é a diferença de um forró, de um xote, de um baião, de um simples arrasta-pé. Nada disso sabem, mas vêm aqui, ganham milhões e vão embora.
Pior ainda: muito mais até do que esses artistas, recebem os intermediários: empresas que captam recursos públicos e conseguem destinar diretamente para esses artistas, ou através de empresas promotoras de eventos. Estas, por sua vez, nos locais públicos, principalmente nos dois maiores desses eventos — Caruaru e de Campina Grande, onde ambos alardeiam ser o maior São João do mundo — têm área VIP, área separada para autoridades, camarotes, e o povão lá atrás. Fora do palco os grandes nomes da música regional, reconhecidos nacional e internacionalmente.


















.png)
.png)

