02 setembro 2026

Gracindo Jr., ator e diretor morre no Rio de janeiro

Gracindo Jr. — Foto: Acervo/ TV Globo

O ator e diretor Gracindo Jr. morreu na noite desta terça-feira (1) em casa, no Rio de Janeiro. Ele tinha 83 anos, dos quais mais de 50 anos foram dedicados à arte no teatro, rádio e cinema — e participou da inauguração da Globo, em 1965.

A informação do falecimento foi confirmada por Pedro Gracindo, filho do artista. A morte foi por causas naturais.

O velório, aberto ao público, está previsto para esta quinta-feira (3), no Crematório e Cemitério da Penitência, a partir das 12h10. A cremação foi marcada para as 14h10.

Ele deixa 5 filhos, 7 netos e a esposa, Daisy Poli, com quem estava havia mais de 50 anos.

Filho de Paulo Gracindo

Epaminondas Xavier Gracindo nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943, filho de outro ator consagrado, Paulo Gracindo (1911-1995).

Embora tenha cursado Psicologia, nunca exerceu a profissão, optando por se dedicar integralmente à arte.

Em 1959, aos 15 anos, Gracindo Jr. fez um teste para trabalhar na Rádio Nacional, onde o pai já fazia sucesso como galã de radionovelas e apresentador de programas de auditório.

O filho foi aprovado e foi ator, redator e disc-jóquei na emissora.

Em 1961, em paralelo às funções na rádio, estreou no teatro na peça “A Escada”, de Oswald de Andrade.

Epaminondas Xavier Gracindo nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943, filho de outro ator consagrado, Paulo Gracindo (1911-1995).

Embora tenha cursado Psicologia, nunca exerceu a profissão, optando por se dedicar integralmente à arte.

Em 1959, aos 15 anos, Gracindo Jr. fez um teste para trabalhar na Rádio Nacional, onde o pai já fazia sucesso como galã de radionovelas e apresentador de programas de auditório.

O filho foi aprovado e foi ator, redator e disc-jóquei na emissora.

Em 1961, em paralelo às funções na rádio, estreou no teatro na peça “A Escada”, de Oswald de Andrade.


Gracindo Jr. em depoimento ao Memória Globo. — Foto: Foto: Frame de vídeo/Memória Globo

Pioneiro da Globo

Em 1965, foi inaugurada a TV Globo. Em entrevista ao Memória Globo, o ator disse: “Eu entrei no início da TV Globo. Ela estreia em abril de 1965, em dezembro de 1964 eu já estava contratado”.

Gracindo Jr. integrou o 1º elenco da emissora e participou de várias novelas dessa fase inicial, como “Rosinha do Sobrado” (1965), “Padre Tião” (1966), “A Rainha Louca” (1967), “A Próxima Atração” (1970) e “Os Ossos do Barão” (1973) — quando contracenou com Paulo Gracindo.

Pai e filho voltaram a dividir o set em “O Bem Amado” (1973), de Dias Gomes, e em “O Casarão” (1976), de Lauro César Muniz, quando interpretaram as versões jovem e idosa de João Maciel, protagonista da trama — o 1º grande papel de Gracindo Jr.

“O que eu mais aprendi com o meu pai foi responsabilidade no meu trabalho, estima pelo meu trabalho, saber que meu trabalho é uma coisa muito importante”, declarou.

“Meu pai trabalhou por 65 anos, e nunca me lembro dele não tendo feito sucesso, em qualquer área de comunicação. Foi um homem que passou em rádio, em circo, em televisão, em cinema, em tudo ele foi sucesso”, prosseguiu.

“A lembrança que eu tenho dele é dessa pessoa delicada, dessa pessoa amiga, solidária e que seu maior amor era o seu trabalho. Se o trabalho dele estivesse bem-feito, ele estava feliz na vida.”


Gracindo Jr. e o pai, o também ator Paulo Gracindo, durante a novela 'O Bem Amado' — Foto: TV Globo/ Cedoc

Com o término de O Casarão, Gracindo Jr. passou uma temporada em Portugal. Em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo. A “estreia” na função foi na novela “A Sucessora”, de Manoel Carlos, onde acompanhou a montagem, a edição, a sonorização e o desempenho dos atores.

Em 1979, Gracindo Jr. deu prosseguimento à atividade atrás das câmeras dirigindo as novelas “Memórias de Amor”, de Wilson Aguiar Filho, e “Marron-Glacé”, de Cassiano Gabus Mendes.

Em 1980, atuou na peça “Paulo Gracindo, Meu Pai”, que escreveu para homenagear os 50 anos de carreira do patriarca.

Em 1982, participou como ator da novela “Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu, e da minissérie “Quem Ama Não Mata”, de Euclydes Marinho.

No ano seguinte, integrou o elenco da minissérie “Bandidos da Falange”, de Aguinaldo Silva. Ainda em 1983, assumiu a direção de “Os Trapalhões”.

Nessa década, foi um dos diretores e o apresentador dos primeiros clipes musicais produzidos e exibidos pelo Fantástico.

Em 1984, mudou-se para TV Manchete, onde fez “A Marquesa” e “Dona Beija”, outro sucesso.

De volta à Globo, Gracindo Jr. participou da minissérie “Tenda dos Milagres”, de Aguinaldo Silva, e dirigiu alguns episódios do “Sítio do Picapau Amarelo”.


Gracindo Jr. em 'O Sítio do Picapau Amarelo', em 1978 — Foto: TV Globo / Nelson Di Rago

Em 1987, Gracindo Jr. foi Creonte, um dos vilões de “Mandala”, de Dias Gomes e Marcílio Moraes.

Em 1989, encarnou Ricardo Ribeiro, marido da professora Clotilde (Maitê Proença) e rival de Sassá Mutema (Lima Duarte) na novela “O Salvador da Pátria”.

Em 1990, se dividiu entre participações na minissérie “A, E, I, O… Urca”, de Doc Comparato e Antônio Calmon; e nas novelas “Araponga”, de Dias Gomes, Lauro César Muniz e Ferreira Gullar; “Rainha da Sucata”, escrita por Silvio de Abreu; e “Gente Fina”, de Luiz Carlos Fusco e Marilu Saldanha.

Gracindo Jr. também passou por “Deus nos Acuda” (1992), “Explode Coração” (1995) — quando foi ator e diretor —, “Anjo de Mim” (1996), “Esplendor” (2000) e “Celebridade” (2003).

A partir de 2006, atuou em novelas da Record, como “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo” (2009), e na minissérie “Rei Davi” (2012).

Teatro e cinema

Gracindo Jr. participou de mais de 20 peças como ator, produtor ou diretor.

No cinema, o ator passou pelos seguintes filmes: “Os Homens que eu Tive” (1973), de Tereza Trautman; “As Moças Daquela Hora” (1973), de Paulo Porto; “O Dia Marcado” (1977), de Iberê Cavalcante; “Os Trapalhões na Serra Pelada” (1982), de J.B Tanko; “Tensão no Rio”, de Gustavo Dahl; “O Trapalhão na Arca de Noé”(1983), de Del Rangel; “Floresta das Esmeraldas” (1985), de John Boorman; “Buena Sorte” (1986), de Tânia Lamarca; “Desterro” (1991), de Eduardo Paredes; “A Hora Marcada” (2000), de Marcelo Taranto; “Bufo e Spalanzani” (2001), de Flávio Tambellini; “A Selva” (2004), de Ferreira de Castro; “Primo Basílio” (2006), de Daniel Filho; e “Segurança Nacional” (2010), de Roberto Carminati.

Fotos de Gracindo Jr.


Gracindo Jr. em registro compartilhado nas redes sociais. — Foto: Reprodução/Instagram/Ator Gracindo Jr.

Gracindo Jr. em 'Armação Ilimitada', em 1985 — Foto: TV Globo / Cedoc

Gracindo Jr. dirigindo o programa 'Os Trapalhões' — Foto: TV Globo / Cedoc

Gracindo Jr. na novela 'Rosinha do Sobrado' — Foto: TV Globo/ Cedoc

Gracindo Jr. na série 'Tenda dos Milagres', de 1985 — Foto: TV Globo / Bazilio Calazans

Por Marco Antônio Canosa, TV Globo

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