09 junho 2026

PT tenta conter crise com PSB após João Campos reagir à defesa de palanque duplo para Lula

Lula entre Lyra e Campos: ex-prefeito do Recife se queixou com presidente nacional do PT após o ministro Wellington Dias afirmar que o presidente apoiaria as duas candidaturas — Foto: Cristiano 

Em um novo atrito entre PT e PSB, o pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) reagiu ontem à possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter um palanque duplo no estado e prestigiar também a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), principal adversária do ex-prefeito do Recife. O presidente do PT e coordenador da pré-campanha petista à Presidência, Edinho Silva, foi acionado pela cúpula do partido aliado e atuou para tentar conter a crise.

Campos se queixou a Edinho, segundo aliados, após o ministro petista Wellington Dias (Desenvolvimento Social), que também vai integrar a coordenação de Lula, afirmar ao GLOBO que o presidente apoiaria as duas candidaturas. Após a repercussão, Edinho desautorizou o correligionário.

— Essa posição está clara desde o início. Em Pernambuco, o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário — afirmou Edinho.

Dias disse na entrevista que a campanha à reeleição do petista deve ser acompanhada por uma articulação voltada ao centro político e defendeu a construção de palanques estaduais capazes de assegurar governabilidade em um eventual novo mandato, indicando que esse seria o caso de Pernambuco.

— Temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela— afirmou o ministro.

Integrantes da cúpula do PSB ficaram incomodados com a declaração do ministro, já que são frontalmente contra a possibilidade de o petista subir também no palanque de Lyra, que busca a reeleição.

O PSB tem tratado a eleição ao governo de Pernambuco como prioridade número um. Dirigentes da sigla dizem que a possibilidade de um apoio dividido de Lula no estado pode levar a uma reavaliação dos apoios do PSB ao PT em outras unidades da federação.

Costura delicada

A declaração do ministro do Desenvolvimento Social gerou também desconforto entre aliados de Lula, uma vez que há a avaliação que Pernambuco exige uma costura delicada, por se tratar de dois postulantes que indicam que deverão apoiar Lula. Interlocutores do presidente dizem ainda que o PSB é o principal aliado do PT nacionalmente e que é preciso evitar ruídos nessa relação.

Esse estremecimento entre as duas siglas sobre eventual duplo palanque em Pernambuco, no entanto, não é novidade. O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa era um dos aliados do presidente que defendia essa possibilidade, contrariando Campos. A avaliação, ali, era que a eleição de 2026 será apertada e, dessa forma, o petista não poderia prescindir de apoios.

Campos era considerado favorito na disputa, mas o cenário mudou. Pesquisa Datafolha divulgada no fim de maio mostrou uma virada de Raquel Lyra. O levantamento apontou a governadora na liderança da corrida, com 48% das intenções de voto, contra 43% do ex-prefeito, e também está à frente em um eventual segundo turno. Em abril, Campos aparecia com 12 pontos percentuais de vantagem contra a governadora.

Além de Pernambuco, o quadro eleitoral em São Paulo gerou fricções entre PSB e PT, por disputas de espaço na chapa. O pré-candidato do PT ao governo, Fernando Haddad, já afirmou que deseja resolver o desenho o quanto antes, mas há divergências entre aliados. O grupo majoritário do PT defende que o vice seja o ex-ministro Márcio França (PSB), mas a cúpula do PSB e o próprio França preferem uma candidatura ao Senado. Essa intenção, no entanto, entra em choque com os desejos das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que também desejam concorrer à Casa — só duas vagas estarão em disputa.

O principal nó, de acordo com interlocutores que acompanham as negociações, é que a cadeira de vice é vista como pouco atrativa diante do favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) frente a Haddad. Pesquisa Datafolha mostrou em março que Tarcísio tem 44% das intenções de voto, enquanto Haddad marcou 31%. Uma candidatura ao Senado é vista como mais promissora, portanto.

O Globo

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