17 junho 2026

Amigos do Nordeste: Solidariedade que nasce da urgência do Sertão de Pernambuco e supera distância


ONG Amigos do Nordeste atende famílias das zonas rurais de quatro cidades do interior de Pernambuco (Foto: Divulgação/Amigos do Nordeste)

Há 27 anos, a ONG Amigos do Nordeste atua em comunidades rurais do Sertão e Agreste de Pernambuco, levando alimentos, assistência e projetos de transformação social a famílias que vivem em situação de vulnerabilidade extrema.

Essa jornada de solidariedade e esperança vem transformando vidas desde 1999, e tudo surgiu com um choque de realidade que mais tarde virou propósito para fazer a diferença para aqueles que precisam, explica Karla Espinhara, coordenadora de projetos da ONG que esteve presente desde a fundação do trabalho.

“Meu bisavô tinha comprado terras no sertão e fomos conhecer. Vimos muita pobreza, muita fome há quase 30 anos. Começamos um pouquinho depois de conhecer a região. Era muito carente, as políticas sociais não chegavam lá, vieram chegar um pouco depois e a necessidade de atitude era imensa. A gente ficou meio chocado”, relembra.

E desde então, as ações não pararam mais. O marido de Karla, diretor e fundador do projeto, se juntou a um grupo de amigos e criou a ONG, que atualmente conta com 146 voluntários.

“Começamos a visitar as localidades e fazer pequenas ações. Iniciamos levando sacolinhas para as crianças, distribuindo num vilarejo, um povoadozinho, mas vimos a fome ser latente. Começamos a conversar entre grupos e mais pessoas foram chegando, até que formalizamos”, continua Karla.

Ao longo de quase três décadas, o grupo segue com projetos que buscam se adaptar às realidades de quem vive em áreas rurais de cidades sertanejas. No período, mais de 30 mil pessoas já foram impactadas.

A coordenadora se refere às atividades como “um trabalho de formiguinha” pautado em levar dignidade, com programas que abrangem alimentação, moradia e sustentabilidade, especialmente no acesso à água para 3.400 famílias das zonas rurais de Ibimirim, Manari, Buíque e Inajá.

Entre os projetos, estão a doação de alimentos e cestas básicas, atividades de desenvolvimento para crianças, além da construção de casas de alvenaria para famílias que moram em casas de taipa e de poços artesianos para melhorar o abastecimento de água das famílias assistidas.

“Precisa de muita perseverança porque é uma luta. Temos um desafio logístico devido às distâncias, tentar organizar de forma que a gente consiga atender local por local, com um escritório que é aqui no Recife”, comenta a coordenadora.

Ela comenta, ainda, que, apesar dos obstáculos, o grupo segue buscando ajudar o próximo. “O que motiva é o incômodo de ver a situação e não fazer nada. Não conseguimos deixar para lá, nos conformar, então tentamos mudar, mesmo que por meio de pequenos gestos e ações, mostrar para as comunidades que eles são importantes para a gente”.

Para o futuro, Karla destaca a vontade de seguir com o trabalho, que ainda tem muito a mostrar pelas famílias assistidas pela ONG.

“Queremos concentrar no que já trabalhamos, tentando melhorar essa estratégia de ação. Quanto mais empresas, mais doações recebemos, mais estrutura conseguimos fornecer para essas famílias. É o nosso objetivo maior, porque, transformando uma comunidade, conseguimos ajudar famílias a se desenvolverem, se emanciparem e não dependerem exclusivamente de programas sociais”, finaliza.

Por Nicolle Gomes/Diario de Pernambuco

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