
A manga está entre os produtos que devem ficar de fora da tarifa proposta pelos EUA ( Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
As frutas do Vale do São Francisco devem ficar de fora do novo tarifaço proposto pelo governo norte-americano, anunciado na segunda-feira (1º). Segundo o superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Petrolina, Edilazio Wanderley, no primeiro momento, a retirada das frutas da lista é algo a ser comemorado pelo setor de fruticultura da região.
“Isso mostra, entre outras coisas, a necessidade que o governo dos Estados Unidos tem das frutas brasileiras, principalmente na janela desse segundo semestre. Eles não têm total produção, principalmente da uva e da manga e dependem muito desses produtos exportados pelo Brasil”, aponta.
Segundo ele, apesar da incerteza nas decisões do governo dos EUA em relação às tarifas, desde o ano passado, o Brasil tem adotado uma posição que acabou contribuindo para a abertura e o fortalecimento do mercado da fruticultura com outros países.
“A diplomacia ativa do governo brasileiro desde o primeiro tarifaço acabou reforçando alguns mercados e a fruticultura foi um deles. No segundo semestre de 2025, mercados que produtores não atendiam em alguns meses do ano, como Inglaterra e Canadá, acabaram absorvendo essa fruta”, explica Wanderley.
Ele explica ainda que, anualmente, cerca de 50 mil toneladas de manga são adquiridas de produtores brasileiros pelo mercado americano. Segundo ele, apesar de ser o maior mercado das frutas para o país, não houve impacto direto no setor, nem risco de perda de empregos. A produção de manga do Vale do São Francisco representa 90% do total de exportações nacionais, já a de uvas de mesa representa 92% da fatia que é exportada para o país.
O superintendente da Codevasf em Petrolina destaca ainda que recentemente se concretizou o acordo Mercosul-União Europeia. Na semana passada, foram fechados os primeiros contêineres de uva que foram enviados para a União Europeia sem taxação. Além disso, o país avança ainda na conquista de mercados asiáticos.
A proposta
O anúncio do governo americano ocorreu após uma investigação aberta em julho de 2025 determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com isso, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país.
Segundo o governo dos EUA, a medida se justifica porque algumas práticas e políticas do governo brasileiro acabam afetando o comércio norte-americano, como é o caso do comércio digital e serviços de pagamento.
Já para o setor sucroenergético brasileiro, o impacto da proposta ainda é incerto. Dentro da cota americana, o Brasil exporta 155 mil toneladas de açúcar, sendo a segunda maior cota atrás da República Dominicana.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, antes do primeiro tarifaço, a taxa de exportação da cota era zero. Com a medida imposta pelos EUA no ano passado, a cota chegou a ser taxada em 50% e hoje está em 10%.
“Foi muito oneroso para o setor, nós consideramos até uma quebra de contrato imputar essas tarifas e fora dos padrões normais do mercado exterior”, disse. Segundo ele, os Estados Unidos devem procurar uma convergência e negociar a proposta da tarifa de 25% durante as reuniões em julho.
Diário de Pernambuco














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