26 fevereiro 2026

Petrolândia: Caminhada por justiça pela morte de Samyr termina na Câmara de Vereadores e sessão é encerrada; Said Sousa afirma que movimento acontecerá em todas as próximas sessões até haver uma resposta


Aconteceu no início da noite desta quarta-feira (25), em Petrolândia, a caminhada em prol de justiça pela morte de Samyr Oliveira. Com música tema em memória de Samyr, tocada em dois paredões, dezenas de pessoas se concentraram na Praça da Quadra 02 e seguiram até a frente do Mercado Público. 

Antes da saída, Soraya Oliveira conclamou as pessoas presentes a participar da luta por justiça pelo assassinato do irmão. A médica ponderou ser compreensível que várias pessoas estivessem ausentes, possivelmente pressionadas para não comparecer. Em seguida, ela pediu ao irmão Said para fazer uma oração antes da caminhada. O ex-vereador de Petrolândia, hoje assessor do Governo de Pernambuco, fez um pronunciamento para reforçar o caráter de manifestação pacífica que a caminhada deveria ter e encerrou com uma oração. 

A caminhada seguiu para a Avenida Prefeito José Gomes de Avelar, passando pelo local onde Samyr foi atingido a tiros, na manhã de 13 de janeiro de 2026. A morte ocorreu no dia 22 de janeiro. O crime gerou forte comoção na cidade. O principal acusado, o vereador Cristiano da Van, foi preso em Santa Cruz do Capibaribe, dias depois de fugir. As investigações levaram ao indiciamento em inquérito policial, em tramitação no Ministério Público, do vereador já preso, de assessores parlamentares, do presidente da Câmara Municipal e de um irmão dele. 

Na esquina da Rua da Matriz com a avenida Prefeito José Gomes de Avelar, um veículo da Polícia Militar, tipo camburão, seguiu a passeata até a frente da Câmara Municipal, na Avenida dos Três Poderes, onde se encontrava outra viatura, estacionada em frente à escadaria de acesso ao pátio do prédio. Houve forte aparato policial para garantir a ordem. 

No pátio do Mercado Público a caminhada foi dispersada e Said fez um novo pronunciamento. Em seguida, o público dirigiu-se à Câmara Municipal onde a sessão estava em andamento, com o auditório quase desocupado. 

Pessoas com balões brancos e pretos, e várias portando cartazes ocuparam o recinto. Alguns dos cartazes diziam "Comissão de Ética omissa", em referência à negativa da comissão de ética da Câmara em afastar o presidente da Mesa Diretora, indiciado pelo crime. 


No momento do ingresso do público, a tribuna era usada pelo vereador Delano de Dona Santa, em um discurso que enaltecia a ética. O vereador recebeu aplausos. Sentado na primeira fileira em frente ao plenário, Said dirigiu palavras aos vereadores, cobrando resposta pelo crime e dizendo-se envergonhado de ter sido vereador. O público manifestou-se em apoio a Said. 

Posicionado na tribuna para o pronunciamento seguinte, o vereador Evaldo da Melancia não teve oportunidade de falar. O presidente da Câmara, Dedé de França, declarou a sessão encerrada e saiu rapidamente para o seu gabinete. Liberados, quase todos os demais vereadores seguiram o gesto presidente da mesa e abandonaram o plenário. 

Soraya também fez um rápido desabafo e exigiu justiça pela vida do seu irmão. Além das placas, muitas palavras de ordem foram ouvidas, como "justiça", "cassação, "fora Dedé" e "renuncia". 

Cerca de vinte minutos depois, antes de retirar-se do auditório, Said anunciou que o movimento vai ser realizado em todas as sessões da Câmara até ser dada uma resposta sobre o caso. 

O presidente da Mesa Diretora ainda voltou à tribuna para ler um texto sobre a esperança da justiça prevalecer. 

Blog de Assis Ramalho

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