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1. A virtude carece de método. A fortuna, das estrelas...
São os príncipes, no medievo, mandatários dos deuses e, portanto, lhes cabe conduzir o burgo e a plebe unicamente sob seu arbítrio, e de suas virtudes dependem nossa fortuna, a vida e a morte. Nenhuma responsabilidade nos pesa, ao povo, senão os impostos, a obediência, a subserviência, a oração e o aplauso obrigatório. A vontade soberana do Príncipe deve ser acatada e cumprida, que esta é, para o bem e para o mal, ao fim e ao cabo, a vontade dos deuses.
Ora, hoje, aqui, neste burgo em que vivemos, neste século XXI - e desde os modernos costumes da cidade grega - ocorre mudança significativa, e fundamental, em nossas relações com os príncipes contemporâneos. E com os deuses... Sabemos, porque alguma luz se fez nos espíritos, que a fortuna e a virtù são aves de arribação, volúveis e instáveis, e pousam em nossos ombros ao alvedrio dos ventos e das vontades. As vontades podem cessar, os ventos sumir, a fortuna mudar-se.
Não se pode mais confiar nos desígnios superiores, e verticais, visto que é na horizontalidade das interações, aqui na terra, que se estabelece um contrato entre os homens, e com os homens, todos os homens, para o bem comum - portanto é de bom augúrio afastar a decisão extrínseca e assumir os riscos e a responsabilidade de escolher os príncipes à sua imagem e semelhança.
E esta é, assim, a questão intrínseca: como escolher o príncipe? Qual a receita para um mau prefeito? E para um bom? E como aviá-las? Serão também príncipes os legisladores e os juízes? E os fiscais e os cônsules? É mais importante ser competente ou ser honesto – caso se apresente a indecisão? É possível contentar aos muitos? E aos poucos? É possível cumprir um mandato? E o que é um mandato? É possível, na hierarquia dos desejos, cumprir-se o possível, ou o necessário?
São perguntas que não se pode calar facilmente. E que levam à indecisão sobre os méritos do príncipe e de seus hoje chamados eleitores, nós os headhunters, antigos súditos. Como saber o tamanho do Estado? Devemos seguir pela esquerda ou pela direita? Como contratar? Como demitir? E o que é nepotismo, corrupção, compadrio, ilícito, democracia, governo, amizade, lealdade, verdade? Ética, moral, política? Na vida pública, o fim justifica os meios? Como agir, como saber?
Dado que é o homem o único animal que bebe sem ter sede, convém que o faça com discernimento, disse Bárbara Campos Guimarães, citando L. Farnoux-Reynaud. Não é recomendável que, antes de conhecer as perguntas, se comece pelas respostas. Nós, o povo, e nenhuma outra razão alheia, precisamos definir um propósito antes da labuta, as armas antes do combate, os frutos antes das sementes, a fome antes da colheita.
Estas são algumas palavras, quase estribilhos, deste solilóquio quase solitário que se nos impõem quase a muque, quase à força, e aqui nestas Cartas nos ajudam a acompanhar o que se passa ao redor, porque, como disse Ruy, “o poder não é um antro, é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública até às vidas particulares deram paredes de vidro”.
Nosso mandatário deve cumprir o mandato do povo, e sob juramento conduzir-se à luz do sol, guiando-nos na construção de um futuro comum, coletivo e compartilhado.
É preciso, portanto, começar pelo fim. O que, realmente, importa?
22.02.2026
Edson Mendes de Araujo Lima, MSc
ESCOLA DE NEGÓCIOS, ARTES E OFÍCIOS
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