22 janeiro 2026

Caminhadas com os vizinhos de cela, Torres e Silvinei, e futebol na TV: a rotina de Bolsonaro em uma semana na Papudinha


O ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Sergio Lima / AFP/ 25/11/2025

Ex-presidente tem alimentação controlada, companhia de ex-subordinas e acompanha o Campeonato Carioca

Por Luísa Marzullo e Sarah Teófilo —  O Globo/Brasília

Há uma semana na Papudinha, o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém conversas diárias com seus ex-subordinados Anderson Torres e Silvinei Vasques, vizinhos de cela, recebe quentinhas preparadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, acompanhadas de bilhetes carinhosos, e adotou uma rotina de alongamentos diários. Para passar o tempo, segundo relatos de quem o visitou, o ex-mandatário também assiste a partidas de futebol, especialmente do Campeonato Carioca.

Bolsonaro chegou ao Centro de Detenção Provisória do Complexo da Papuda, sob guarda do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), após dois meses presos na Superintendência da Polícia Federal. Ao determinar a transferência, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alegou que o ex-mandatário teria melhores condições, o que aliados reconhecem reservadamente que aconteceu.

Interlocutores relatam que, na PF, Bolsonaro passava muito tempo sozinho, em um espaço pequeno, e se queixava com frequência do barulho do ar-condicionado central, apontado como um incômodo constante. Na Papudinha, a cela tem 54 metros quadrados e área externa.

Agora, o ex-presidente toma sol com frequência e tem como companhias mais constantes Torres, ex-ministro da Justiça, e Vasques, que chefiou a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Todos foram condenados pela trama golpista — Vasques tentou fugir do país para não ser preso, mas foi capturado no trajeto. O trio costuma fazer caminhadas, acompanhadas por um guarda, e às vezes faz refeições na cela de Torres, momento em que conversam.

Bolsonaro, no entanto, está com uma dieta que prioriza alimentos pastosos, como purê, caldo de feijão e ovo mexido. As quentinhas são enviadas por Michelle, que o visitou na semana e costuma enviar as refeições acompanhadas por bilhetes. De acordo com aliados, uma das mensagens diz que o amava e pedia que não esquecesse que é "forte e corajoso". A restrição alimentar, dizem pessoas próximas, tem sido levada a sério e influenciado até dinâmicas internas: Bolsonaro evita refeições compartilhadas e, em alguns momentos, chegou a recusar comida oferecida por outros presos.

Exercícios e futebol

Bolsonaro, segundo os relatos, acorda por volta das 7h, faz exercícios dentro do espaço de custódia e acompanha partidas do Campeonato Carioca — um hábito que, nas palavras de quem o visita, virou um tipo de “ritual” para marcar o tempo e escapar do confinamento.

Ao longo da primeira semana, segundo interlocutores, Bolsonaro teve crises de soluço, sem gravidade. Aliados ressaltam que há assistência médica 24 horas na unidade e que qualquer intercorrência é acompanhada por equipe de plantão. Esses interlocutores acrescentam que Bolsonaro tem sido tratado com respeito, o que fez as reclamações públicas sobre as condições da prisão cessarem.

Nesses primeiros sete dias, Bolsonaro recebeu duas visitas, além de médicos e advogados. Michelle esteve na unidade na manhã de quarta-feira. A ex-primeira-dama chegou a comentar com aliados que o local é mais próximo do condomínio em que o casal vive, o que facilita deslocamentos e acompanhamento mais frequente.

No dia anterior, Bolsonaro recebeu assistência espiritual do pastor e deputado distrital Thiago Manzoni, que fez leitura bíblica e uma mensagem centrada na ideia de que “o justo viverá pela fé” e que, diante da adversidade, é preciso seguir com convicção “naquilo que ainda não vemos, mas há de acontecer”.

A agenda religiosa deve continuar. Aliados afirmam que o bispo Robson Rodovalho pretende visitar Bolsonaro na semana que vem, em horário a ser ajustado com Michelle. A assistência espiritual foi autorizada pelo STF e pode ser realizada uma vez por semana, no período de uma hora.

Por Luísa Marzullo e Sarah Teófilo — O Globo/ Brasília

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