13 julho 2026

BNDES: Nordeste poderá ter mais de R$ 70 bilhões em investimentos no transporte de média e alta capacidade

INVESTIMENTOS EM MOBILDADE via BNDS foto IA

O Nordeste brasileiro é uma das regiões do País que poderá ser bastante beneficiada com os projetos em parceria com a iniciativa privada para transformar o transporte público de média e alta capacidade. As propostas podem atrair mais de R$ 70 bilhões em investimentos. Pelo menos é o que aponta o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), desenvolvido pelo BNDES e o Ministério das Cidades.

Ao todo, a região conta com 50 projetos validados, que visam modernizar o deslocamento de milhões de cidadãos através de sistemas de média e alta capacidade, como metrôs, VLTs (Veículo Leve sobre Trilho) e BRTs (Bus Rapid Transit). Os investimentos previstos para a rede nordestina são expressivos, com um potencial de mobilização de recursos estimado entre R$ 51,2 bilhões e R$ 73,6 bilhões.

Esse montante integra o esforço nacional de mais de R$ 400 bilhões necessários para expandir a malha metroferroviária e de corredores exclusivos em todo o território. No Nordeste, os projetos visam ampliar a extensão da rede estruturante para cerca de 659 km, promovendo ganhos de produtividade e redução de custos operacionais e ambientais.

Recife (PE): Possui 6 projetos estratégicos para uma malha de 150 km. Destacam-se a requalificação integral do Metrô e trens urbanos, e a criação de corredores estruturantes como Igarassu-Joana Bezerra e TI Abreu e Lima-Cajueiro Seco, com investimentos entre R$ 8,9 bilhões e R$ 18,2 bilhões.

Salvador (BA): Conta com 9 projetos e uma rede futura de 171 km. O foco principal é a extensão da Linha 1 do metrô até a Barra e a implantação de um robusto sistema de VLT conectando Salvador a Camaçari, com aportes previstos entre R$ 11,5 bilhões e R$ 13,1 bilhões.

Natal (RN): O plano prevê 5 projetos para 77 km de rede. Entre as intervenções estão a implantação de VLT e BRT conectando Lagoa Azul a Parnamirim, com investimentos estimados entre R$ 2,5 bilhões e R$ 6,2 bilhões.

João Pessoa (PB): Possui 5 projetos validados para atingir 63 km de malha. O projeto âncora é o BRT/VLT Aeroporto-Bessa, somado a corredores exclusivos em avenidas como a Pedro II, com investimentos de R$ 1,7 bilhão a R$ 3,5 bilhões.

São Luís (MA): Apresenta 6 projetos para uma extensão de 53 km. O planejamento foca em sistemas de BRT e VLT para integrar terminais como Calhau, São Cristóvão e Praia Grande, com aportes entre R$ 2,0 bilhões e R$ 5,4 bilhões.

Teresina (PI/MA): Com 3 projetos e 45 km de extensão, o plano inclui a extensão do metrô até Timon (MA) e novos corredores de BRT/VLT, com investimentos de R$ 1,5 bilhão a R$ 3,6 bilhões.

Maceió (AL): Fecha o grupo com 5 projetos para 42 km. Os destaques são a implantação do BRT Fernandes Lima e o corredor da Avenida Menino Marcelo, totalizando entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2,1 bilhões em investimentos.

Em Pernambuco, a Região Metropolitana do Recife (RMR) destaca-se com um pacote de seis projetos estratégicos que visam mais que dobrar a malha atual, saindo de 68 km para 150 km de extensão. Com investimentos estimados entre R$ 8,96 bilhões e R$ 18,17 bilhões, seria possível modernizar o transporte público para atender a 1,42 milhão de usuários por dia.

O planejamento para a RMR inclui cinco novos corredores com flexibilidade para operar como BRT elétrico ou VLT. Entre as intervenções de maior extensão, destacam-se a ligação entre Igarassu e Joana Bezerra, com 35,4 km, e o trajeto entre o Terminal Integrado de Abreu e Lima e Cajueiro Seco, com 30,6 km. Além disso, o sexto projeto prevê a requalificação integral das linhas atuais do Metrô do Recife e dos trens urbanos a diesel, integrando o sistema à concessão privada que já está em andamento.

Os benefícios para o passageiro pernambucano são substanciais, com previsão de redução de até 22% no tempo médio de viagem e o aumento da demanda em até 30%. Do ponto de vista operacional, a eliminação de sobreposições de itinerários e a troncalização das linhas podem reduzir os custos do sistema em até 20%. A modernização também engloba sistemas de bilhetagem eletrônica interoperáveis, garantindo maior transparência e sustentabilidade financeira ao transporte público estadual no longo prazo.

PANORAMA NACIONAL APONTA INVESTIMENTOS DE R$ 430 BILHÕES

RMR tem seis projetos validados de corredores de BRT elétrico, VLTs e a concessão do Metrô do Recife, que beneficiariam 1,42 milhão de passageiros - Divulgação/CTM

Em uma perspectiva nacional, os projetos do Nordeste estão inseridos em um ambicioso plano que mapeou 187 intervenções em 21 regiões metropolitanas brasileiras. O investimento total estimado para o País atinge a marca de R$ 430 bilhões, priorizando modais de baixa emissão de poluentes, como metrôs, trens e ônibus elétricos. No total, o plano projeta a expansão de mais de 3 mil quilômetros de trilhos e faixas exclusivas em todo o território nacional.

O modelo de viabilização financeira dessas obras baseia-se em parcerias público-privadas (PPPs), onde o setor público contribui com 80% do aporte e a iniciativa privada com os 20% restantes. Nacionalmente, estima-se que essas intervenções gerem aproximadamente 1,3 milhão de postos de trabalho por ano durante sua fase de implantação. Os anos de 2026 e 2027 serão dedicados à estruturação técnica e jurídica das propostas para atrair o interesse de investidores e garantir a viabilidade financeira.

Além do ganho em mobilidade, o plano nacional carrega um legado ambiental ao evitar a emissão de 3 milhões de toneladas de gás carbônico anualmente ao longo de três décadas. Com um horizonte de execução de 15 anos, o Brasil espera prevenir milhares de mortes no trânsito e devolver tempo de vida aos cidadãos que dependem do transporte coletivo. Essa transformação urbana consolida uma nova diretriz para as metrópoles brasileiras, focada em eficiência, segurança e sustentabilidade.

Por Roberta Soares/JCPE





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