26 maio 2026

Estudos desmentem fala de Huck sobre dependência no Bolsa Família

O apresentador Luciano Huck criticou o funcionamento do Bolsa Família durante participação no Fórum Esfera, realizado no último sábado (23). Foto/divulgação

Estudos do FMI, do Banco Mundial, da FGV e do Ipea contrariam a fala de Luciano Huck sobre uma suposta dependência “eterna” de famílias pobres em relação ao Bolsa Família. O apresentador afirmou, em fórum da Esfera Brasil, que o programa não geraria estímulo para que beneficiários deixem o auxílio.

“Na verdade, elas criam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa de distribuição de renda e proteção social ad aeternum”, disse Huck ao falar sobre famílias atendidas pelo benefício. Após a repercussão negativa, ele afirmou que a declaração foi tirada de contexto e negou ser contra programas sociais.

O Bolsa Família é um dos maiores exemplos de redistribuição de renda no Brasil. Foto; Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo

Os dados, por outro lado, apontam em outra direção. Estudo da FGV mostra que cerca de 61% dos beneficiários de 2014 deixaram o Bolsa Família até 2025. O levantamento também indica que 28,4% dos beneficiários tinham carteira assinada em 2025.

Outra pesquisa da FGV, em parceria com Stanford e Columbia, apontou aumento de quase 5% na taxa de ocupação entre beneficiários. O estudo afirma que transferências de renda podem funcionar como investimento em produtividade, e não apenas como redistribuição.

O apresentador Luciano Huck. Foto: Marcelo Chello/Folhapress

O Banco Mundial também identificou rotatividade no programa. Ao acompanhar famílias entre 2012 e 2019, o órgão concluiu que 23% permaneceram menos de três anos no Bolsa Família, enquanto 40% ficaram mais de sete anos. O FMI, por sua vez, afirmou que o benefício não reduz de forma sistemática a participação feminina no mercado de trabalho.

Dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que 2,06 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre janeiro e outubro de 2025. Desse total, 1,31 milhão saiu após ultrapassar o limite de renda do programa, enquanto 24,7 mil solicitaram desligamento voluntário.

O Ipea aponta que o desemprego entre os 20% mais pobres da população caiu 4,3 pontos percentuais entre 2019 e 2023, com alta acumulada de 43,6% na renda real do trabalho. O instituto também avalia que o benefício médio de R$ 680 ajuda famílias a recusarem vagas extremamente precárias e buscarem empregos melhores.


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