17 janeiro 2026

CPMI do INSS: Damares diz que Malafaia "devia orar, ao invés de se doer" e põe líder da bancada evangélica na mira


Malafaia criticou falas da senadora Damares - Foto: Reprodução

Senadora disse que sofreu pressões para que igrejas não fossem investigadas pela CPI do INSS

Por Agência O Globo

Depois de divulgar uma lista com os nomes de igrejas e pastores investigados na CPMI que apura as fraudes no INSS, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) citou a Assembleia de Deus do Amazonas como uma das instituições religiosas que estão no bojo das apurações do colegiado. A igreja e a Fundação Boas Novas são ligadas a familiares do líder da bancada evangélica, o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM).

Procurado, o parlamentar afirmou que a igreja já apresentou as explicações à CPMI e que, por este motivo, não é alvo de requerimentos no momento.

No último domingo, Damares afirmou que a comissão parlamentar tem sofrido pressões de pessoas e instituições que buscam atrapalhar as investigações por terem identificado "grandes igrejas" e "grandes pastores" como parte dos desvios ilegais.

Ao Globo, Damares respondeu às críticas do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que a chamou de "linguaruda" por expor a ligação de religiosos com o esquema "sem dar nomes".

Ela afirma agora que Malafaia "devia orar".

— O Malafaia precisa orar um pouco. Eu não submeto minhas ações parlamentares a ele. Além das instituições que divulguei, há ainda menções na CPI à Assembleia de Deus do Amazonas. Mas, a instituição já forneceu os dados solicitados, que estão sob análise — afirma.

Documentos apresentados pelo relator da CPI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), em novembro, mostram que a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) teria feito pagamentos à empresa Network, que depois foram repassados a parentes de Silas Câmara e empresas ligadas a ele.

Ainda de acordo com denúncias apresentadas à CPI, parte do dinheiro foi destinada à Fundação Boas Novas, presidida por um irmão de Silas Câmara. A menção à Assembleia de Deus do Amazonas e aos familiares de Câmara foram feitas pelo presidente da CBPA.

Aliados de Damares e Malafaia afirmam que a desavença entre eles é antiga e já teria sido intermediada até mesmo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante o tempo em que Damares ocupou o Ministério dos Direitos Humanos.

Damares afirmou que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS lhe causa “profundo desconforto e tristeza”, mas ressaltou que a CPMI tem o dever constitucional de investigar os fatos “com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.

Por Agência O Globo

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