08 julho 2026

El Niño deve agravar seca e elevar temperaturas em Pernambuco no segundo semestre


A estação, que se inicia nesta segunda (22), será quente e seca, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) (Foto: Rafael Vieira/DP)

Fenômeno climático tem alta probabilidade de se consolidar nos próximos meses e pode provocar redução das chuvas, temperaturas acima da média e impactos sobre os recursos hídricos e a agropecuária no estado

Diario de Pernambuco

A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) emitiu um alerta para a alta probabilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, cenário que pode intensificar a seca em Pernambuco, especialmente nas regiões do interior. A previsão é de chuvas abaixo da média no Leste do Estado entre julho e setembro, além de temperaturas acima da média em todo o território pernambucano.

O alerta da Apac acompanha as projeções dos principais centros meteorológicos internacionais e da Organização Meteorológica Mundial, que indicam rápida intensificação do El Niño nos próximos meses. Segundo o organismo internacional, o fenômeno já está em desenvolvimento no Oceano Pacífico e tem potencial para atingir intensidade forte entre o fim de 2026 e o início de 2027, aumentando o risco de ondas de calor, estiagens e eventos climáticos extremos em diversas partes do mundo.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Historicamente, esse fenômeno altera o regime de chuvas no Brasil, favorecendo precipitações acima da média nas regiões Sul e Sudeste e reduzindo as chuvas em parte do Norte e do Nordeste.

Em Pernambuco, a preocupação está voltada principalmente para a possibilidade de agravamento da seca após um primeiro semestre considerado mais favorável. Entre fevereiro e maio deste ano, as chuvas dentro da normalidade contribuíram para reduzir gradualmente as áreas sob seca, melhorando parcialmente as condições dos reservatórios e da produção agrícola.

Segundo a meteorologista da Apac, Edvânia Pereira, a intensidade dos impactos dependerá do comportamento do fenômeno e da interação com outros sistemas climáticos.

“Esses impactos variam de acordo com a intensidade do fenômeno, o período do ano e a interação com outros sistemas oceânicos e atmosféricos, especialmente as condições térmicas do Oceano Atlântico Tropical”, explica.


Seca atinge Pernambuco (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)


A especialista ressalta que o comportamento do El Niño será determinante para o cenário de estiagem no Nordeste. “A intensidade do El Niño é o que vai ditar essa ocorrência de secas no Nordeste”, destaca Edvânia Pereira.

De acordo com a Apac, o aumento das temperaturas previsto para os próximos meses pode intensificar a evaporação da água, acelerar o ressecamento do solo e elevar a demanda hídrica da vegetação. Esse conjunto de fatores tende a pressionar ainda mais os recursos hídricos, sobretudo nas áreas mais vulneráveis do Semiárido pernambucano.

No setor agropecuário, os principais efeitos esperados incluem aumento da necessidade de água para irrigação e dessedentação animal, maior estresse hídrico das culturas agrícolas, degradação das pastagens e maior estresse térmico sobre os rebanhos.

Diante desse cenário, a Apac informou que mantém monitoramento permanente dos indicadores climáticos, hidrológicos e agrícolas, em conjunto com os demais estados do Nordeste. As informações são compartilhadas periodicamente com órgãos como a Defesa Civil e instituições responsáveis pela gestão de riscos, além de serem disponibilizadas à população.

Para o secretário estadual de Recursos Hídricos e Saneamento, Almir Cirilo, o acompanhamento antecipado permite reduzir os impactos de uma eventual intensificação da seca.

“As ações de mitigação dos efeitos do fenômeno empreendidas pelo Estado compreendem a transferência de água entre bacias hidrográficas das regiões mais úmidas para as mais secas; o transporte de água captada no rio São Francisco para abastecer cidades e áreas rurais da porção semiárida pernambucana; a dessalinização das águas; a redução de perdas nos sistemas de abastecimento”, elencou.

A Apac destaca que o sucesso dessas medidas dependerá do monitoramento contínuo das condições meteorológicas e hidrológicas, aliado ao planejamento antecipado e à manutenção de políticas permanentes de prevenção e adaptação diante da possibilidade de um El Niño de moderado a forte.

Diario de Pernambuco

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