20 junho 2026

Carro zero por R$ 13 mil, gasolina a R$ 1,70: como era o mercado de carros quando o Brasil ganhou a última Copa

Chevrolet Onix ECO 2027 usa exclusivamente etanol no tanque — Foto: Divulgação / GM

O torcedor brasileiro convive com um jejum de 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo. Voltar a 2002 é lembrar do bom futebol e também tomar um choque de realidade.

O Brasil de 2002 não tinha redes sociais — Facebook e o finado Orkut só seriam criados em 2004. O iPod ainda engatinhava e não existiam smartphones.

No máximo, havia o jogo da cobrinha em um celular Nokia. E esse aparelho, quando caía no chão, era capaz de trincar o azulejo.

O mercado automotivo brasileiro também era bem diferente. Por isso, o g1 reuniu algumas curiosidades de 2002 para relembrar aqueles tempos.


Volksweagen Sport de 2002 era o modelo que fazia referência à Copa do Mundo — Foto: divulgação / Volkswagen

Carro zero km por preço de celular

O automóvel mais barato do Brasil em julho de 2002 era o Fiat Uno Mille três portas a álcool (veja abaixo por que ele ainda não era chamado de etanol), vendido por R$ 13.577.

Mas sejamos justos: corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o modelo custaria hoje o equivalente a R$ 55.589.


Várias versões do Fiat Mille ficaram marcadas pelos preços baixos nos anos 1990 e começo dos anos 2000 — Foto: Divulgação / Stellantis

Outro dado importante é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média do brasileiro era de R$ 636 em 2002. Corrigido pelo IPCA, o valor equivale hoje a R$ 2.604.

O hatch tinha motor 1.0 aspirado de quatro cilindros e rendia 61 cv. De série, oferecia vidros verdes, cintos traseiros laterais de três pontos e... só. Apoios de cabeça no banco traseiro, travas elétricas e vidros elétricos faziam parte de um pacote que custava R$ 671.

Limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro, além do controle interno manual do retrovisor, custavam R$ 424. Já a pintura metálica acrescentava R$ 294 ao preço final.

O opcional mais curioso era o ar-condicionado. No Uno Mille, era preciso desembolsar R$ 2.407 para ter a cabine climatizada. Isso equivalia a quase 18% do valor do carro.

Sai álcool, entra etanol

Chevrolet Onix ECO 2027 usa exclusivamente etanol no tanque — Foto: Divulgação / GM


Em 2002, os postos de combustíveis usavam o nome “álcool”, e isso seguiu sem questionamentos por décadas. Em 2008, algumas entidades ligadas ao setor sucroenergético passaram a defender a troca do nome para etanol.

🔎 O argumento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) era que o slogan “Álcool e direção não combinam”, usado na campanha da Lei Seca, confundia o público.

Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) queria padronizar a nomenclatura para alinhá-la ao mercado internacional.

“A palavra álcool é uma denominação generalizada [há vários tipos de álcool] e o etanol é um produto específico, de maior valor comercial”, disse Haroldo Lima, presidente da ANP na época.

A padronização só veio em dezembro de 2009, por meio de uma resolução da ANP, e passou a valer em todo o Brasil em 2010.

Em um momento de combustíveis caros, vale lembrar que o litro da gasolina custava R$ 1,77 em 2002. O etanol saía por R$ 0,94 e o diesel custava R$ 1,07. Os dados são da ANP.

Outra curiosidade: quando o Brasil conquistou o pentacampeonato, ainda não existiam carros flex no mercado. O primeiro foi o Volkswagen Gol, lançado em 2003.


Volkswage Gol Trend 2002 — Foto: divulgação / Volkswagen

Líder durante o penta

Por falar nele, entre 1987 e 2013 o Gol foi o carro mais vendido do Brasil. No ano do pentacampeonato, o hatch encerrou 2002 com 208,3 mil unidades vendidas.

Na Europa, o carro mais vendido foi o Volkswagen Golf, com mais de 587 mil unidades emplacadas, seguido de perto pelo Peugeot 206.

Nos Estados Unidos, o carro mais vendido de 2002 foi o Toyota Camry, com mais de 434 mil unidades. Entre todos os veículos, porém, a liderança ficou com a Ford F-150, que somou mais de 813 mil unidades emplacadas naquele ano.

Picape campeã


Fiat Strada teve o primeiro facelift em 2002 — Foto: Divulgação / Stellantis

Em 2002, a Fiat Strada era a picape mais vendida do Brasil, com 26.053 unidades emplacadas. O volume representava cerca de 40% do segmento de picapes compactas.

Em 2026, a história não mudou: a picape da Fiat vendeu mais de 142 mil unidades e respondeu por mais de 67% do segmento.

Mas é preciso contextualizar: hoje as picapes compactas mudaram de patamar. O foco passou a ser quase exclusivamente o trabalho.

Para quem busca uma picape para uso particular, há versões mais equipadas da Strada, mas principalmente modelos como Fiat Toro, Renault Oroch e Chevrolet Montana. Em breve, o mercado também verá a chegada da Volkswagen Tukan e da BYD Mako.


Volkswagen Gol Sport foi lançado em 2002 — Foto: divulgação / Volkswagen

Sem nome de Copa

Em 2002, como a Volkswagen não tinha os direitos da competição, não podia usar a designação “Copa” no Gol. A solução foi batizar a versão de Sport e adotar o tom Amarelo Solar como cor exclusiva.

O hatch vinha com motor 1.0 aspirado a gasolina, que gerava 76 cv e 9,7 kgfm de torque. A lista de equipamentos de série tinha direção hidráulica e limpador de vidro traseiro com desembaçador. Travas e vidros elétricos, por exemplo, eram opcionais.

Em 2026, a Volkswagen patrocina as equipes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O modelo alusivo à competição é o T-Cross Seleção, que tem lista de equipamentos interessante e visual com frases e estrelas.

A Copa do Mundo de 2002 foi disputada na Coreia do Sul e no Japão, e marcas japonesas e coreanas faziam sucesso por aqui. Carros chineses sequer eram considerados no Brasil.

Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

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