Fernando Filho, Fernando Bezerra Coelho e Miguel Coelho - Foto: Ivaldo Regis/DivulgaçãoA família Coelho, alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Vassalos, deflagrada nesta quarta-feira (25), é investigada pela Polícia Federal por suspeitas envolvendo a destinação de emendas parlamentares e a contratação de empresas ligadas ao grupo político em obras financiadas com recursos federais em Petrolina, no sertão do estado.
Segundo a investigação, acolhida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, as apurações têm como foco a atuação na prefeitura de Petrolina, reduto político do clã, e na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal federal responsável por investimentos em obras na região.
Ao todo, foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão pelo STF nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. Os principais alvos são o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e os filhos dele, o deputado federal Fernando Filho e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, ambos do União Brasil. O atual prefeito do município, Simão Durando, aliado político do grupo, também está entre os alvos.
Como funcionava o esquema, segundo a PF
De acordo com as informações da PF contidas na decisão de Flávio Dino, obtida pelo Jornal do Commercio, o grupo controlava três engrenagens simultâneas: o comando da Prefeitura de Petrolina, a influência sobre a Codevasf, especialmente a 3ª Superintendência Regional, sediada na cidade, e o direcionamento de emendas parlamentares e transferências federais para a região.
Esse tripé, de acordo com a investigação, permitia o seguinte ciclo: o parlamentar indicava o recurso, o município recebia os valores e as obras eram contratadas com empresas ligadas a familiares dos políticos.
A empresa apontada como peça central é a Liga Engenharia Ltda. Um dos sócios, Fabrício Pontes Ribeiro Lima, é filho do cunhado de Fernando Bezerra Coelho e enteado da irmã do ex-senador. O outro sócio, Pedro Garcez de Souza, é irmão da mulher de um primo dos filhos do senador. Os dois sócios estão na lista de alvos da operação.
A PF resume que a prefeitura utilizava recursos repassados pela Codevasf para contratar empresa pertencente a parentes “por afinidade” dos políticos, com verbas enviadas pelo pai e pelo irmão do então prefeito.
Os crimes investigados pela PF são peculato, corrupção passiva e ativa, fraude e frustração do caráter competitivo de licitação, supressão fraudulenta de tributos, lavagem de dinheiro e constituição de organização criminosa agravada.
Os números da investigação
A Polícia Federal identificou que, entre 2017 e 2021, a Prefeitura de Petrolina foi beneficiária de pelo menos 27 convênios com o Ministério do Desenvolvimento Regional ou com a Codevasf, totalizando R$ 143,2 milhões em repasses federais. Desse montante, R$ 135 milhões foram destinados a obras de pavimentação e recapeamento de vias públicas.
A Liga Engenharia aparece como principal beneficiada. Dados do Portal Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), apontam que a empresa recebeu mais de R$ 190,5 milhões em empenhos do município desde 2017.
Em 2024, ano mais recente analisado pela investigação, a empresa foi a fornecedora que mais recebeu recursos da prefeitura, com R$ 59,8 milhões empenhados e R$ 55 milhões pagos.
A trajetória da Liga Engenharia no ranking de fornecedores de Petrolina mostra crescimento acelerado. Em 2017, primeiro ano da gestão de Miguel Coelho, a empresa era a 27ª maior fornecedora do município, com R$ 1,3 milhão recebido. Em 2024, passou a ocupar o primeiro lugar.
















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