23 maio 2026

Datafolha: 64% dos eleitores acham que Flávio Bolsonaro agiu mal ao pedir dinheiro a Vorcaro


Flavio Bolsonaro em conferencia contra antissemitismo — Foto: Reprodução/GPO

Depois do caso Dark Horse, 64% dos eleitores consideram que Flávio Bolsonaro (PL) agiu mal ao pedir dinheiro a Daniel Vorcaro. Entre o eleitorado do senador, só 37% acham que ele errou ao recorrer ao banqueiro, que colocou R$ 61 milhões na produção do filme.

É o que aponta pesquisa do Datafolha feita nos dias 20 e 21 de maio com 2.004 entrevistados em 139 cidades. A margem de erro do levantamento, registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-07489/2026, é de dois pontos para mais ou menos.

Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou que Flávio havia solicitado recursos financeiros ao então banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, baseado na trajetória política de Jair Bolsonaro. Vorcaro, atualmente preso, comandava o Banco Master, instituição no centro de um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro brasileiro.

Após negar inicialmente o episódio, Flávio admitiu posteriormente o pedido de financiamento e confirmou ter se encontrado pessoalmente com o empresário depois de sua prisão.

Segundo o Datafolha, 64% da amostra geral de entrevistados tomaram conhecimento das conversas entre Flávio e Vorcaro — percentual inferior aos 72% dos eleitores de Flávio que afirmam ter conhecimento do caso. Entre seus apoiadores, 38% dizem estar bem informados sobre o episódio.

Para 72% dos eleitores, Flávio e Vorcaro têm uma relação próxima. Entre os que votam no senador, 54% acham que eles têm proximidade.

Mesmo assim, o impacto político dentro da base foi limitado. Para 73% dos eleitores do senador, a confiança nele permanece inalterada.

De acordo com a pesquisa, 48% dos eleitores acham que Flavio deveria abrir mão da candidatura e apoiar outro candidato depois do caso Dark Horse. Além disso, 38% pensavam em votar no senador antes da divulgação das conversas.

Entre quem já pensava em votar em Flávio, 67% não tiveram confiança alterada após as mensagens serem reveladas.

Reflexos eleitorais

Embora a fidelidade da base tenha resistido, o levantamento também detectou reflexos eleitorais concretos. Nas simulações de primeiro turno, Flávio caiu de 35% para 31% das intenções de voto. Já no segundo turno, passou de 45% para 43%.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oscilou positivamente nos dois cenários: de 38% para 40% no primeiro turno e de 45% para 47% no segundo.

A pesquisa também mediu o cenário de substituição da candidatura bolsonarista. Caso Flávio deixe a disputa, Michelle Bolsonaro aparece como principal alternativa entre os eleitores do senador.

Ela foi citada por 60% dos apoiadores de Flávio como primeira opção para assumir a candidatura. No eleitorado geral, o índice cai para 39%.

Atrás dela aparecem Eduardo Bolsonaro, com 15% entre os eleitores de Flávio, além dos governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

O levantamento também mostra a permanência da fidelidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre seus eleitores em 2022, 92% afirmam não ter se arrependido do voto.

Por O GLOBO

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