sexta-feira, 17 de junho de 2016

Petrolândia recebe audiência pública da Comissão Itinerante da Mulher






Violência, dependência financeira, dificuldade para participação na política. Os problemas das mulheres do Sertão são comuns à população feminina de todas as regiões do Estado. Esse foi o enfoque da segunda reunião da Comissão Itinerante da Mulher, realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alepe, nesta quinta (16), na Câmara dos Vereadores de Petrolândia, no Sertão de Itaparica.

A presidente do colegiado, deputada Simone Santana (PSB), que fez uma apresentação sobre o tema “Mais Direitos, Poder e Participação para as Mulheres”, destacou que o objetivo da visita aos municípios é fazer com que o Poder Legislativo se aproxime para ouvir as demandas do segmento feminino. “Queremos discutir permanentemente a pauta feminina e tentar reduzir o histórico de dificuldades”, assinalou.

O prefeito de Petrolândia, Lourival Simões (PSB), ressaltou as conquistas históricas das mulheres, enfatizando que, nos últimos 50 anos, elas vêm ampliando o seu espaço. Como ex-deputado, relembrou que a maior participação feminina na Assembleia Legislativa foi na 16ª Legislatura (2007/2010), que contou com dez deputadas estaduais. “Recebemos a Comissão Itinerante da Mulher com muita satisfação, até porque tivemos a honra de receber o Prêmio de Prefeitura Amiga da Mulher, em razão das políticas públicas implantadas”, ressaltou.

A coordenadora regional da Secretaria Estadual da Mulher no Sertão de Itaparica, Salete Gonzaga, disse que a população da região tem necessidade de expressar suas preocupações no que se refere aos problemas femininos. “Não queremos só igualdade, mas equidade. Competir de igual pra igual”, afirmou, ao se referir à pequena participação da mulher na política. Única vereadora mulher da cidade, Maria do Socorro Santos, conhecida como Dona Santa, destacou que confia no papel da Comissão Itinerante como interlocutora das reivindicações dos municípios junto à Alepe.

A coordenadora da Mulher de Petrolândia, Eliane de Sá, ressaltou que o medo ainda é o maior desafio para que mais mulheres denunciem a violência. Preocupação também da representante do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinsemp), Fabiane Silva, que constatou: “Ainda existe muito receio de denunciar”. A funcionária pública Maria Helena Gomes disse que o problema é maior junto às moradoras da zona rural. “Há submissão financeira, por medo e até por falta de informações”, afirmou. Já a tesoureira da Associação Arte da Nossa Gente, Genilda Canedo, reclamou das dificuldades para que as artistas produzam e divulguem sua arte.

Ver mais fotos>Comissão Itinerante da Mulher em Petrolândia


Nova Petrolândia – Localizada às margens do Rio São Francisco e à distância de aproximadamente 430 quilômetros do Recife, a atual Petrolândia surgiu em 1988 com a transferência de moradores da antiga sede, a 10 quilômetros da atual, em razão da inundação pelo Lago Itaparica. O município abriga a Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, também conhecida como Usina Hidrelétrica de Itaparica. A economia é baseada na fruticultura irrigada, indústria, pecuária, piscicultura e no comércio e turismo. Petrolândia, cujo nome é uma homenagem ao imperador Dom Pedro II, faz parte do Sertão de Itaparica.

Projeto – O Projeto Comissão Itinerante foi lançado pelo colegiado de Defesa dos Direitos da Mulher em março deste ano. A proposta é ampliar o diálogo com a população feminina do Estado, visitando municípios de todas as macrorregiões de Pernambuco. A primeira cidade foi Condado, na Zona da Mata Norte, onde foram discutidas questões como a implantação de uma delegacia de polícia especializada e a criação de uma casa de apoio para mulheres em situação de risco. Além de Petrolândia e Condado, o colegiado promoverá encontros em Jaboatão dos Guararapes, Caruaru, Ipojuca, Garanhuns, Barreiros e Serra Talhada, além de Cabrobó, Bonito, Vitória de Santo Antão e Paulista.

Alepe
Fotos: Lúcia Xavier

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