17 abril 2026

Ex-presidente do BRB passa primeira noite no Complexo Penitenciário da Papuda


Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB — Foto: Renato Alves/Agência Brasília

O ex-presidente do BRB passou a primeira noite no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Paulo Henrique Costa foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16), acusado de receber uma propina de R$ 146 milhões em imóveis de luxo do banqueiro Daniel Vorcaro. Os seis apartamentos estão em condomínios de alto padrão em regiões nobres de Brasília e de São Paulo.

Ao decretar a prisão, o ministro André Mendonça, do STF, definiu o executivo como “verdadeiro mandatário” de Vorcaro nas operações entre o BRB e o Master. O Banco de Brasília injetou mais R$ 12 bilhões no Master ao adquirir carteiras de crédito consignado inexistentes e tentou comprar uma parte relevante do banco de Vorcaro.

A Polícia Federal divulgou mensagens de celular que mostram o ex-presidente do BRB tratando diretamente com o dono do Banco Master sobre a propina. Em um trecho das conversas, Paulo Henrique relata ao banqueiro como tinha sido a visita da esposa dele aos apartamentos de luxo oferecidos ao casal pelo dono do Master em São Paulo.

No mesmo dia, o banqueiro escreve para a corretora de imóveis que estava mostrando os apartamentos a Paulo Henrique e diz que ele precisava deixar o presidente do BRB feliz.

Um dos condomínios citados na negociação da propina fica no Itaim Bibi, área nobre de São Paulo. O empreendimento tem apenas 31 apartamentos, alguns com mais de mil metros quadrados, que custam mais de R$ 40 milhões.

Para ocultar a propina, os apartamentos estavam em nome de fundos de investimento ou empresas de fachada, num esquema organizado pelo advogado Daniel Monteiro, que também foi preso ontem. Para o advogado do ex-presidente do BRB, Cléber Lopes, a prisão era desnecessária.

Segundo o jornal Valor Econômico, o ex-CEO do BRB deve quase R$ 2 milhões para a própria instituição que controlava. O passivo é cobrado na Justiça pelo banco de Brasília e se refere a R$ 800 mil em empréstimo com desconto na folha; R$ 978 mil em crédito consignado; e r$ 172 mil em cartão de crédito e cheque especial.

Na próxima quarta-feira, a Segunda Turma do STF vai avaliar se endossa ou revoga a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a operação de ontem.

g1

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