terça-feira, 9 de outubro de 2018

Petrolândia: Parte 1 - Quem ganhou e quem perdeu no município no primeiro turno das eleições em 2018?


Votações encerradas, urnas contadas, resultados publicados, resta aos grupos políticos de Petrolândia e seus aliados analisarem os números do primeiro turno das eleições de 2018. A votação não foi para mandatos no município, mas, houve baixas significativas, principalmente, no terreno da oposição, encabeçada pelo PTB. Por outro lado, as lideranças sindicais têm muito o que comemorar, com expressivas votações e eleição de candidatos de legítima esquerda. Já o grupo da situação obteve vitórias por um lado, mas, por outro, demonstrou que tanto faz quem será o próximo presidente da República. Ou não.

Nesta eleição, o grupo de situação em Petrolândia, sob liderança do PSB, é formado pela Prefeitura, lastreada por secretários, comissionados e indicados herdados da gestão anterior (Pastor Ricardo Rodolfo, prefeito durante 7 meses, em 2017), e, até o final de 2018, o presidente e o vice-presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal, além de lideranças políticas e comunitárias. Este foi o grupo que apoiou a reeleição do governador Paulo Câmara, também do PSB, em chapa que teve, entre outros, o partido da vice-governadora eleita Luciana Santos, PC do B, o Partido dos Trabalhadores, com o senador reeleito Humberto Costa, e o MDB, do senador eleito Jarbas Vasconcelos. Na antevéspera da eleição, foi distribuída uma carta da prefeita em apoio ao governador e aos seus deputados. Pela candidatura do PT, nem um bilhete.

As equipes mobilizadas pelo PSB local empenharam-se, de fato, para reeleição do governador e dos deputados oficiais da Prefeitura de Petrolândia, ambos do Solidariedade-SD, Augusto Coutinho, reeleito deputado federal, e Alberto Feitosa, deputado estadual reeleito. Mas, o mesmo afinco, ou melhor, nem mesmo leves acenos, foram vistos para a campanha de Haddad e dos senadores da chapa do PSB. A aliança foi formada com a desistência de candidatura própria do PT ao governo de Pernambuco, provavelmente com Marília Arraes, agora deputada federal eleita, na cabeça de chapa. Nesta campanha, Petrolândia virou a "Ilha da Fantasia", onde políticas federais de um próximo governo, cujas propostas foram apresentadas - ou não - em meio a uma eleição acirrada e polarizada, acaso implantadas não vão afetar a economia do município, cuja população é, predominantemente, pobre.

O perfil do PSB em Petrolândia não é de centro-esquerda, essência original do partido, mas de direita, cada vez mais à direita. Explica-se que as pessoas mudam de partido, mas as ideologias dos partidos não mudam as pessoas. É preciso citar, em destaque, por exceção, a ex-Primeira Dama e ex-secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Cidadania e Juventude de Petrolândia, Anna Tereza Carvalho Cavalcante Leal Simões, atual presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher-CMDM. Ela poderia fugir de "atos políticos", como outras representantes fizeram, e evitar fazer campanha pelo candidato oficial do grupo, mas, envolveu-se e ei-la no "ato político" do EleNão, ei-la na divulgação da candidatura do PT.

Registre-se que uma das raras legendas atuantes no município a manter-se fiel à sua origem é o PT. Com atuações históricas, poucos militantes, porém, munidos de bons argumentos, teve o discurso em defesa de direitos trabalhistas e sociais bem sucedido nas urnas. Mesmo a negociação do PT com o PSB, reprovada por muitas alas petistas, não desanimou a votação no senador do próprio partido, que foi reeleito. Marília Arraes, cotada nas pesquisas como uma das campeãs de votos este ano, obteve em Petrolândia 485 votos, abaixo de Carlos Veras que recebeu 889 votos. Além do próprio PT, que alçou os sindicalistas Doriel Barros e Carlos Veras a deputados estadual e federal, respectivamente, o desempenho do PSOL também é digno de nota na votação local. A candidata a governadora Dani Portela ampliou a votação do PSOL na cidade de 24 votos em 2014 para mais de 400 votos este ano. O mesmo partido elegeu o inovador coletivo "Juntas", no qual 5 mulheres, inclusive uma trans, concorreram a mandato sob registro único. Conseguiram aqui 21 valiosos votos.

Além da campanha dos candidatos da situação, foram às ruas, com mais visibilidade e militância em prol de seus candidatos - e ainda com divulgação de candidatos a senador e a presidente da chapa do governo -, as campanhas de Dr. João Lopes (PC do B) e dos candidatos apoiados pelo grupo de oposição de Petrolândia. Com ou sem a presença dos candidatos, vereadores e ex-vereadores participaram, pessoalmente, de caminhadas, panfletagem, sem fugir do corpo a corpo com eleitores. Na coragem de "dar a cara a tapa" aos eleitores, não poucos desiludidos com a política, desconfiados e ariscos à abordagem com pedidos de votos, a oposição foi 'valente', apesar dos resultados desfavoráveis, devido ao insucesso de fortes aliados. Ambos do PTB, Armando Monteiro perdeu em primeiro turno para Paulo Câmara e Zeca Cavalcanti não foram reeleito para a Câmara de Deputados. No final do ano, Armando deixa também o Senado Federal. Com essas baixas, a eleição municipal de 2020 será um enorme desafio para a oposição.

Na eleição proporcional, dois itens chamaram atenção. O primeiro foi a expressiva votação de João Campos (PSB), filho do falecido ex-governador Eduardo Campos, eleito pela primeira vez como deputado federal, com a maior votação do estado, aparentemente sem "cabo eleitoral" em Petrolândia. O segundo foi o declínio da votação de Fernando Filho, em relação a 2014, então no PSB, quando recebeu mais de 3 mil votos. Embora com várias emendas destacadas para o município, apoio de dois vereadores em mandato e mais algumas lideranças, o ex-ministro das Minas e Energia foi reeleito como deputado federal, agora pelo DEM, mas recebeu votação inferior a 900 votos em Petrolândia.

Esta é a primeira parte desta análise das eleições 2018 em Petrolândia. Haverá continuação, dividida em duas partes.

Redação do Blog de Assis Ramalho


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