terça-feira, 6 de outubro de 2015

Petrolândia: Secretaria Estadual de Educação divulga o projeto Erê, da EREM Maria Cavalcanti Nunes

Projeto sobre gênero e raça muda realidade de escola no Sertão. A Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Maria Cavalcanti Nunes ainda recebeu prêmio em setembro pelo trabalho. Na foto acima, professora Jussara Araújo, orientadora do projeto. 
“Tivemos diversas culminâncias para cada oficina. Ao passar dos dias, fui vendo a mudança de comportamento das alunas negras da instituição. A autoestima e até o desempenho em aula eu posso afirmar que melhorou”, afirma a professora.

Em 2014, a professora Jussara Santana de Araújo completava um ano à frente das disciplinas de História e Direitos Humanos da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Maria Cavalcanti Nunes, em Petrolândia, Sertão do Estado. A data passou despercebida pela docente, que estava concentrada em uma solução para o fim do racismo entre alunos na unidade de ensino. Foi aí que ela criou o projeto “Erê: Brincando vencemos o Preconceito no Universo das Mulheres Negras”, vencedor da categoria Escola Promotora da Igualdade de Gênero, do 10º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, promovido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, e divulgado no último dia 22 em Brasília.

Ao ingressar na EREM, Jussara percebeu que alguns estudantes negros sofriam discriminação. “Seja por piada, brincadeira na hora do intervalo ou até olhares. Aqui é uma região bastante delicada, pois temos um grande número de descendentes de indígenas que se misturaram com negros. No centro da cidade, muitos deles são discriminados e na escola não era diferente”, conta. Em maio daquele ano, a professora se uniu a outros docentes para colocar em prática um plano para vencer o preconceito.

Até novembro, os professores realizaram diferentes atividades pedagógicas, dando início ao projeto. Entre elas, os alunos fizeram trabalhos com literaturas clássicas sobre a mulher negra, como obras de José de Alencar e Gilberto Freyre, oficinas de artes, danças afro, teatro, além de diversos momentos de discussões sobre o papel da mulher negra na sociedade. “Tivemos diversas culminâncias para cada oficina. Ao passar dos dias, fui vendo a mudança de comportamento das alunas negras da instituição. A autoestima e até o desempenho em aula eu posso afirmar que melhorou”, conta Jussara, que inscreveu o projeto assim que ele se encerrou, no dia 20 de novembro.

“O inscrevi escondido de todo mundo, já para não criar nenhuma expectativa. Nunca pensei que iríamos ganhar. Nunca pensei que esse chão pequeno do Sertão fosse ser lembrado.” Com o prêmio de R$ 10 mil que a instituição recebeu, a docente pretende ampliar a temática do projeto. “Vimos resultado e agora a nossa intenção é acabar de vez com qualquer tipo de preconceito na escola”.

Carina Cardoso/Secretaria de Educação de Pernambuco

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