segunda-feira, 12 de agosto de 2013

'Nosso Sertão não merece uma usina nuclear', cordel de Climério Lima


O cordelista Climério Lima (Destaque Informática e Copiadora) do vizinho município de Jatobá (PE), teve um trabalho de sua autoria, alusivo aos protestos da Caravana Anti-Nuclear (2011), publicado por instituições ligadas à defesa do Meio Ambiente. O poeta divulgou seu trabalho no Facebook: "Fico grato e partilho com todos que, como eu, tem interesse no tema."

NOSSO SERTÃO NÃO MERECE UMA USINA NUCLEAR
Climério Lima (Jatobá-PE)
Climério Lima
Reprodução Facebook

Vocês que estão em Brasília
Com as rédeas da nação
Nos gabinetes trancados
Para tomar a decisão
Escutem a voz do povo
Sofrido deste Sertão

Nosso Nordeste é marcado
Por seca, fome, abandono
Para o país um problema
Um território sem dono
E o Sudeste com as riquezas
E as benesses do trono

No passado nós lutamos
Até de armas na mão
Tantas guerras nós travamos
Revoltas, revolução
E produzimos riquezas
Pra engrandecer a nação

Acham pouco, meus senhores,
Nossa contribuição?
Usinas no São Francisco
Iluminando a nação
À custa do ribeirinho
Sem direito a irrigação?

Por que querem construir
Nessa terra renegada
Uma usina nuclear
Pelo mundo condenada?
Por que não constroem mais
Hospital, escola, estrada?

Venham melhorar os níveis
Da nossa educação
Melhor salário, emprego
Projetos de irrigação
Proteger o São Francisco
Veia de amor do Sertão

Uma usina nuclear
É um perigo constante
Na União Soviética
Numa explosão gigante
Matou e espalhou câncer
Numa área bem distante

Também nos Estados Unidos
O acidente aconteceu
Fukushima no Japão
Com uma explosão sofreu
Depois de um terremoto
Aquela terra tremeu

O lixo dessas usinas
É um resíduo fatal
Não pode ser reciclado
Jogado em qualquer local
Se posto na natureza
É perigoso e mortal

Esse tipo de energia
É, por demais, perigosa
A causa de uma explosão
É ligeira e desastrosa
A energia do Sol
É muito mais vantajosa

Todos sabem: Temos ventos
Abundantes no Sertão
Para gerar energia
Sem a tal poluição
Essa usina nuclear
É uma contradição

Ao povo de Itacuruba
Pra que não seja enganado
Tem político querendo
Esse projeto aprovado
Pensem: se tiver dinheiro
Quem é o beneficiado?

Eu respondo sem pensar
O povo é quem não é
O dinheiro vai pros ricos
Comprarem carro e chalé
E fugirem da cidade
Quando o perigo vier

A região vai sofrer
Belém, Floresta e Jatobá
Petrolândia, Paulo Afonso
Sem dever irão pagar
Se o rio São Francisco
Vier se contaminar

Também a piscicultura
Será bem prejudicada
A morte tomará conta
Da água contaminada
Se isso acontecer
Ninguém pode fazer nada

Projetos de agricultura
Terão que paralisar
Sergipe também Bahia
Preços altos vão pagar
De Pernambuco a Alagoas
Até descambar no mar

O problema, como sempre
Sobra pro povo sofrido
Precisamos nos unir
Criar um grande alarido
Político só tem medo
Do povo que está unido

Desculpem-me pelas rimas
Se não são do seu agrado
Sou um poeta pequeno
Que não quer ver aprovado
Esse projeto maluco
Pelo Governo criado

Redação do Blog de Assis Ramalho
Informações e fotos: Facebook Climério Lima

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