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Maestro Ademir Araújo e Claudionor Germano ganham biografias com selos da Cepe


Não poderia ser em outra data, senão no Dia do Frevo, comemorado em 9 de fevereiro, o lançamento pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) das biografias de dois importantes nomes da nossa cultura, ícones da história e da resistência desse que é o mais genuíno dos gêneros musicais pernambucanos: Ademir Araújo, o maestro Formiga, e o cantor Claudionor Germano, ambos Patrimônios Vivos do Estado. A tarde de autógrafos, acontecerá em endereço à altura: no Paço do Frevo, Bairro do Recife, às 15h30, com apresentação da Orquestra Popular do Recife.

Escrito pelo jornalista, pesquisador e crítico musical Carlos Eduardo Amaral, também autor da biografia de maestro Clóvis Pereira (Clóvis Pereira, No Reino da Pedra Verde – Cepe, R$ 35,00), o livro Maestro Formiga, frevo na tempestade é o primeiro volume da Coleção Frevo Memória Viva, organizada pela Cepe e que chega para contribuir no fomento de uma literatura específica do frevo. “Minha expectativa é que não só o livro sobre Formiga, mas os demais que estão para sair este ano com o selo, sirvam como ponto de partida para pesquisas e desdobramentos sobre a obra dos homenageados e, sobretudo, para que o frevo seja mais tocado e a história de seus criadores não caia no esquecimento”, assegura Carlos Eduardo, que também assinará as biografias de outros ases, como o maestro Duda e Getúlio Cavalcanti.

Em suas 164 páginas, com capítulos reservados para a iconografia, discografia e lista de obras, algumas inéditas, Maestro Formiga, frevo na tempestade mergulha no imaginário musical de Ademir Araújo. Revela como o jovem, então com 14 anos, com vocação para a pintura, se encontrou casualmente com a música, superou obstáculos (foi aconselhado pelo primeiro professor, o maestro Edson Rodrigues, a desistir), consolidou uma carreira marcada por uma profícua produção e domínio nos mais diversos gêneros e estilos – frevo, maracatu, choro, xote, baião, samba, caboclinho, mambo, bolero, ciranda, além de contribuições no campo erudito, com produção de estudos para piano, flauta, oboé, valsas e poemas sinfônicos.

Compositor, instrumentista, arranjador, regente e pesquisador dedicado, maestro Formiga, em seus quase 75 anos, preserva marcas que o diferenciam enquanto músico. Faz da inovação matéria-prima de seu ofício, levanta bandeiras e reivindica para o frevo o papel de protagonista em sua terra e adota a música como meio de inclusão e formação cidadã. Quando regente da Banda Municipal (Banda Sinfônica da Cidade do Recife), entre 1970 e 1977, reviu posturas. “Formiga declaradamente buscou quebrar o estigma de que bandas só tocavam dobrados e chegou a incluir programas exclusivos com transcrições de obras consagradas do repertório sinfônico” (como a Tocata e fuga em ré menor, de Bach; valsas de Strauss e a Protofonia de O guarani, de Carlos Gomes), atesta o autor.

Ademir Araújo estimulou a formação de gerações de músicos pernambucanos ao fundar, ou participar da criação, de diversas bandas, como a Sinfônica Juvenil Pernambucana, Banda dos Amigos da Cidade do Recife e a Orquestra Rockfônica de Frevo. Coordenou projeto inédito (Aula-Espetáculo: E o Frevo Continua) que levou o frevo, de maneira didática, às escolas e praças de diversos municípios do Estado, entre 2008 e 2014. Também pioneiramente, em 1980, tendo ao lado Claudionor Germano, regeu uma orquestra de frevo em cima de um caminhão, arrastando milhares de foliões, que viam nascer um dos símbolos do nosso Carnaval, a Frevioca, idealizada pelo jornalista e escritor Leonardo Dantas.

A Frevioca, por sinal, teve papel fundamental na vida do cantor Claudionor Germano, que também ganha biografia lançada pela Cepe com o selo Coleção Memória. Foi na Frevioca que Claudionor cantou pela primeira vez no Carnaval de rua do Recife, revela o livro Claudionor Germano, a voz do frevo, escrito por José Teles, jornalista, escritor e pesquisador de música popular.

Com 220 páginas, o livro faz um necessário resgate da história de um dos principais defensores da música pernambucana e destaca sua trajetória na cena musical brasileira para além do frevo. “Nem pensei duas vezes quando Ricardo Leitão, presidente da Companhia Editora de Pernambuco, Cepe, me convidou para escrever uma biografia de Claudionor Germano, um livro que é de interesse não apenas da cultura pernambucana, mas brasileira, já que Claudionor pode ser considerado uma instituição nacional”, assegura o autor.

No texto em que apresenta a obra, o maestro Edson Rodrigues garante que a contribuição dada pelo biografado ao longo das décadas é imensurável. “Já se disse que o Carnaval começa com C de Capiba. Por que não dizer com C de Claudionor? Afinal, há muito tempo ele e o Carnaval se somam como se fossem xipófagos. Não teria graça um sem o outro. Octogenário, Claudionor vem contribuindo há mais de 60 anos para a beleza e a alegria do Carnaval de Pernambuco”, afirmou.

Claudionor Germano, a voz do frevo, é um profundo trabalho de pesquisa e permite um passeio na história de vida e na carreira deste personagem, já considerado o maior intérprete de frevo de todos os tempos. Apresenta aos leitores os primeiros passos na música – com apenas oito anos de idade, no Teatro de Santa Isabel -, a emoção em dividir o palco com o ídolo Orlando Silva, “o cantor das multidões”, aos13 anos de idade; a participação, também na adolescência, em conjuntos vocais (Os Diabos Verdes, Trio Albano, Azes do Ritmo) e a passagem pelas rádios Tamandaré, Clube e Jornal do Commercio.

A relação com outras figuras célebres da cultura, como maestro Nélson Ferreira (mestre e grande incentivador) e Capiba (que o considerava o melhor intérprete de suas músicas) também é destaque no livro. Assim como a presença de Claudionor no cenário nacional da música - seja quando ele quase integrou o cast da Rádio Nacional ou nas participações em grandes festivais. Neste capítulo, por sinal, o leitor é mais uma vez brindado com informações que dimensionam a importância de Claudionor Germano – como, por exemplo, a admiração de Geraldo Vandré, que convidou o pernambucano para integrar uma frente nacional da música brasileira.

Com quase 85 anos de idade, Claudionor Germano faz planos: deseja gravar novos discos com músicas não carnavalescas de Capiba e de regravar o álbum Capiba: 25 anos de frevo. Mesmo tendo passado o “bastão” para o filho Nonô, o cantor sabe que a música é sina de vida. “Na verdade, Claudionor Germano gosta mesmo é de cantar, no palco, no disco, entre amigos, não importa. A música o acompanha a cada instante, é a sua principal companhia”, assegura José Teles.

SERVIÇO:

Lançamento dos livros Maestro Formiga, frevo na tempestade e Claudionor Germano, a voz do frevo.
Quando: quinta-feira, 9 de fevereiro.
Horário: 15h
Onde: Paço do Frevo
Endereço: Rua da Guia, s/n, Bairro do Recife
Valor dos livros: R$ 30,00 (Maestro Formiga) e R$ 80,00 (Claudionor Germano)
Obs.: No lançamento, os dois livros poderão ser adquiridos juntos pelo preço promocional de R$ 100,00)

Assessoria de Imprensa da Cepe

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