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Imip firma acordo com Ministério e dará capacitação sobre microcefalia

Protocolo foi firmado durante visita da diretora da OMS ao Recife (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

Um dos centros de referência no atendimento a vítimas de doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti em Pernambuco, o Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (Imip), na área central do Recife, é agora, uma das instituições brasileiras cadastradas no Ministério da Saúde para capacitar profissionais de saúde envolvidos na atenção e cuidado dos casos de microcefalia e infecções pelo vírus da zika, dengue e chikungunya.

O acordo de cooperação técnica foi assinado nesta quarta-feira (24) pelo ministro Marcelo Castro e o presidente da unidade, Gilliat Falbo, durante a visita da comitiva comandada pela diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margareth Chan. A parceria é a concretização da portaria que estipula a criação de Centros Colaboradores para ajudar no enfrentamento aos casos de microcefalia, publicada no Diário Oficial da União em janeiro deste ano.


O Ministério da Saúde explicou, por meio de nota, que esses profissionais vão ser capacitados para triagem neonatal auditiva, triagem neonatal ocular, estimulação precoce, cuidados clínicos agudos para infecções por zika, chikungunya e dengue, cuidado das crianças com alterações congênitas associadas a infecção pelo vírus da zika. Também atuarão em estratégias de combate ao mosquito Aedes aegypti e detecção de alterações neurológicas, por meio de ultrassonografia transfontanela. Trata-se de um exame indicado para o diagnóstico e acompanhamento de hemorragias peri-intraventriculares, hidrocefalia e asfixia perinatal.

A portaria prevê que unidades de saúde e instituições de ensino possam contribuir com a capacitação de profissionais no cuidado com pacientes afetados pelo vírus da zika. No artigo primeiro, o governo federal mostra a preocupação em instituir os centros colaboradores para qualificação de profissionais de saúde em ações relativas à resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus da zika.

Poderão atuar nessas iniciativas os serviços de saúde públicos e privados e instituições de ensino, mediante adesão através de cadastro junto ao Ministério da Saúde. O ministério exige dessas instituições a adoção de protocolos federais como referência nos processos de qualificação.

Os centros colaboradores terão como obrigações apoiar o Ministério da Saúde no desenvolvimento de protocolos, tecnologias de informação e comunicação, além da participação no desenvolvimento de pesquisas.

Compete à Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde gerir o sistema de cadastramento dos centros colaboradores e de suas ofertas de capacitação, bem como disponibilizar as ofertas de capacitação para que a gestão estadual e elaborar e disponibilizar material instrucional e educacional de apoio.

Dados divulgados durante a visita da diretora-geral da OMS, Margareth Chan, revelam a importância do Imip para o trabalho com as mães e bebês vítimas de microcefalia no estado.
A instituição acompanha 235 casos, dos quais 167 foram notificados na unidade e 68 em outros hospitais. Ao todo, 150 crianças passaram por atendimento e outras 85 têm consultas agendadas. Desses casos, 46% são do Grande Recife e da capital. Ou seja, a maioria vem do interior (53,2%).

Desafios
Durante a visita da comitiva da OMS ao Imip, o secretário estadual de Saúde, Iran Costa, mostrou a preocupação com a capacitação dos municípios. O maior desafio, na opinião do gestor, é assegurar mais suporte às cidades, principalmente, as mais distantes da capital. “Temos oito núcleos de apoio e vamos criar mais quatro nos próximos meses. Os custos com essa ação relacionada ao problema de microcefalia podem chegar a R$ 30 milhões por ano.”

Em 2016, até o dia 13 de fevereiro, foram notificados 2.720 casos de arboviroses (dengue, chikungunya e zika) em Pernambuco. Destes, 1.195 casos de dengue, 908 casos de chikungunya e 617 de zika. Dentre as notificações, foram confirmados 612 casos, 459 de dengue e 153 de chikungunya. Para o mesmo período de 2015, foram notificados 2.865 casos de arboviroses, representando uma redução de 5,1% de casos. Em todo o ano de 2015, foram notificados 35.032 casos de arboviroses, sendo 33.070 de dengue, 1.573 de chikungunya e 389 de zika.

G1 PE

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