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Feira de economia solidária tem edição especial para mulheres


Na semana de homenagens ao Dia Internacional da Mulher, o Circuito Carioca de Economia Solidária (Rio Ecosol), de feiras de artesãos, dedica, desde ontem (12) até sábado (14), uma edição especial para as mulheres. Além da feira, várias atividades estão sendo oferecidas no Largo do Machado, zona sul do Rio de Janeiro, como academia, informações sobre saúde bucal, combate ao tabagismo, oficina de artesanato e encaminhamento de emprego.

A coordenadora de Políticas Públicas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário do município, Vaneide Torres, parceira do circuito, disse que, além de viabilizar os espaços para venda, a prefeitura oferece assessoria técnica aos empreendedores. “Apoiamos projetos e redes em diversas comunidades do Rio. A ideia é proporcionar às artesãs mais facilidade para compras de forma coletiva, que barateiam o custo, e garantir um local de venda, porque a maioria sustenta a família exclusivamente com o que produz.”

Coordenadora do grupo de artesãos do Complexo da Maré, Clarisse Cavalcante, de 65 anos, explicou que o trabalho desenvolvido no circuito tem mais de 15 anos e envolve, sobretudo, mulheres de comunidades pobres. Segundo ela, homenageá-las é uma forma de ressaltar a luta do grupo por autonomia financeira e empoderamento.

“Na economia solidária, acredito que 99% sejam mulheres. Deveria se chamar economia feminista. Geralmente, o homem vai embora e larga a mulher com os filhos para ela criar. Aqui estamos relembrando nossa luta, nossa emancipação, construção da cidadania e o reconhecimento dos direitos das mulheres”, disse ela.

A artesã Elza Santiago, de 54 anos, faz parte do circuito desde que foi criado, há nove anos, e é exemplo de luta e superação por meio da arte na economia solidária. “Tudo começou com uma tragédia pessoal. Estava na miséria e descobri que tinha habilidades manuais, então comecei a fazer artesanato para sustentar meus dois filhos”, contou. “Meus filhos ajudavam – não gostavam, pois diziam que era coisa de mulher –, mas cortavam linha, entregavam [os produtos]. Vivo disso aqui. A maioria que está aqui não está por hobby, mas porque precisa pagar as contas”, afirmou.

O Circuito Rio Ecosol nasceu da parceria do Fórum Municipal de Economia Solidária com o Programa Polos do Rio, e as feiras são realizadas mensalmente, em diferentes bairros da cidade. Cerca de 100 empreendimentos de economia solidária participam do circuito. Os produtos devem ser diferenciados e de criação própria. Vão desde roupas a bijuterias, objetos de decoração e alimentos.

Clarisse e Elza argumentam que a principal dificuldade dos artesãos que trabalham com economia solidária é a falta de espaços para escoar a produção.“No meu caso, tenho muitas amigas – é uma mulher ajudando a outra, mas o ideal é que tenha mais feiras”, acrescentou Elza.

A aposentada Marisa dos Santos Pereira, de 56 anos, que não conhecia a feira, gostou da variedade e dos preços dos produtos. “Gosto muito de artesanato, e acho a iniciativa bacana: uma complementação alternativa de renda. O preço é justo, pena que estou dura.”

Agência Brasil

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