Ex-presidente estava internado em um hospital particular de Brasília para tratamento de uma pneumonia. Na última terça, Moraes autorizou prisão domiciliar humanitária por 90 dias.
Por Luísa Marzullo e Bruna Lessa — O Globo - Brasília
O ex-presidente Jair Bolsonaro chegou em casa por volta das 10h20 desta sexta-feira após receber alta da internação. Ele estava de colete à prova de balas e tornozeleira eletrônica, que foi instalada ainda no hospital.
Autoridades que participaram da logística da ida de Bolsonaro à prisão domiciliar afirmam que o uso de colete é praxe em casos que tratam de "deslocamentos sensíveis", caso do ex-presidente. Procurada, a Polícia Militar do Distrito Federal ainda não se manifestou.
Ele recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira, após duas semanas internado no hospital DF Star, em Brasília, para tratar uma broncopneumonia, e iniciou o cumprimento de prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O ex-presidente Jair Bolsonaro chegou em casa por volta das 10h20 desta sexta-feira após receber alta da internação. Ele estava de colete à prova de balas e tornozeleira eletrônica, que foi instalada ainda no hospital.
Autoridades que participaram da logística da ida de Bolsonaro à prisão domiciliar afirmam que o uso de colete é praxe em casos que tratam de "deslocamentos sensíveis", caso do ex-presidente. Procurada, a Polícia Militar do Distrito Federal ainda não se manifestou.
Ele recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira, após duas semanas internado no hospital DF Star, em Brasília, para tratar uma broncopneumonia, e iniciou o cumprimento de prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Bolsonaro em casa após receber alta em março de 2026 — Foto: Julia de Lannoy/TV Globo
A transferência do hospital até a residência ocorreu sob um esquema de segurança reforçado. Houve uso de viaturas da Polícia Militar do Distrito Federal para abrir caminho e bloquear cruzamentos, além de um comboio fechado, com o veículo que transporta Bolsonaro entre carros de escolta. A custódia direta ficará a cargo da Polícia Penal do Distrito Federal. Bolsonaro e Michelle chegaram à residência em carros diferentes.
A operação incluiu controle de trânsito em pontos estratégicos, interdições momentâneas e restrição de aproximação de terceiros, para evitar aglomerações e impedir que a transferência vire um ato político.
O médico Brasil Ramos Caiado, da equope de Bolsonaro, afirmou que a evolução nos últimos dois dias foi tranquila, "sem intercorrências".
— Bolsonaro acabou de ter alta hospitalar, como adiantamos há dois dias. A evolução foi o que esperávamos: tranquila e sem intercorrências. Houve a transição da medicação para via oral para que continue em casa — disse o médico.
Bolsonaro deixou o hospital pouco antes das 10h, acompanhado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ramos Caiado afirmou que o ex-presidente está mais "colaborativo" para adotar as medidas necessárias ao quadro de saúde.
— Nós obtivemos melhora um pouco acima da média na questão dos soluços com alimentos e isso será comunicado à equipe de nutrição — afirmou Ramos Caiado.
O ex-presidente deve fazer uma cirurgia para corrigir uma lesão no ombro no fim de abril.
— Nos últimos dois dias nos dedicamos ao ombro. A nossa previsão é se faça essa cirurgia em quatro semanas por um protocolo de quatro semanas após a alta da pneumonia. Estimo no final do mês de abril ele retornar para o procedimento cirúrgico de astroscopia do ombro direito— explicou o médico.
A chegada
Na porta do condomínio onde mora Bolsonaro, o clima era de pouca mobilização nesta manhã. Diferentemente de outros momentos, não havia presença de apoiadores no local. Durante a movimentação, um carro passou com um ocupante comemorando o retorno do ex-presidente, mas a reação não foi unânime: alguns moradores que transitavam pela área manifestaram incômodo com a volta.
De acordo com boletim médico divulgado na véspera, o ex-presidente apresentou evolução clínica favorável, sem sinais de infecção aguda, e respondeu bem ao tratamento com antibióticos.
Ao conceder a domiciliar por ao menos 90 dias, Moraes estabeleceu um conjunto de restrições com foco em manter um “ambiente controlado” para a recuperação do ex-presidente. Na decisão, o ministro afirma que a suspensão de visitas busca evitar risco de infecção e de evolução para quadros mais graves, como a sepse.
Veja as regras da prisão domiciliar
Tornozeleira eletrônica
Bolsonaro deverá usar tornozeleira durante todo o período da domiciliar. O descumprimento das regras pode levar à revogação da medida e ao retorno ao regime anterior.
Sem celular ou redes sociais
O ex-presidente está proibido de utilizar celular, telefone ou qualquer meio de comunicação, direta ou indireta. Também não poderá acessar redes sociais nem gravar ou divulgar vídeos e áudios, ainda que por intermédio de terceiros.
Visitas suspensas, com exceções restritas
A decisão determina a suspensão geral de visitas por 90 dias. Estão autorizados apenas filhos, advogados, médicos e fisioterapeuta. Durante as visitas permitidas, celulares devem ser recolhidos pelos agentes responsáveis pela segurança.
A esposa Michelle Bolsonaro, a filha Laura e a enteada Letícia têm acesso livre à residência por morarem no local. Visitas a elas também ficam sujeitas a autorização judicial.
Controle rígido de acesso
A Polícia Militar do Distrito Federal deverá vistoriar veículos que entrarem e saírem da residência, incluindo inspeção de porta-malas e identificação de ocupantes, além de monitorar a área externa do imóvel.
Relatórios e fiscalização
A PM será responsável por acompanhar o cumprimento da medida, sob coordenação do 19º Batalhão, com envio de relatórios semanais ao STF e comunicação imediata em caso de descumprimento.
Proibição de manifestações
Moraes proibiu a realização de acampamentos, atos ou aglomerações em um raio de 1 km da residência.
Reavaliação em 90 dias
Moraes determinou que a prisão domiciliar será reavaliada após 90 dias, com análise das condições de saúde de Bolsonaro e possibilidade de realização de nova perícia médica.
Isolamento amplia poder de Michelle e expõe divisão com Flávio
Na decisão, Moraes afirma que a suspensão de visitas é necessária para “resguardar o ambiente controlado necessário” à recuperação e evitar “risco de sepse e controle de infecções”.
O ministro sustenta que o quadro de broncopneumonia exige limitação de contato com terceiros e acompanhamento contínuo, com possibilidade de agravamento caso haja nova exposição a agentes infecciosos.
Nos bastidores, aliados avaliam que, neste contexto, a prisão domiciliar deve ampliar o poder da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que passa a concentrar o acesso cotidiano ao ex-presidente dentro de casa.
Com Bolsonaro isolado e sem visitas políticas, Michelle tende a influenciar diretamente decisões, enquanto o senador Flávio Bolsonaro mantém agenda intensa fora de Brasília, em meio à pré-campanha.
Embora esteja autorizado a visitar o pai diariamente, por ser advogado inscrito na ação penal, a rotina de viagens deve limitar essa presença. A tendência, segundo aliados, é que ele atue mais à distância, enquanto Michelle ganha protagonismo no dia a dia. Nesta sexta-feira, por exemplo, Flávio está nos Estados Unidos. Amanhã, ele discursa no evento conservador trumpista CPAC.
Por Luísa Marzullo e Bruna Lessa — O Globo - Brasília
A transferência do hospital até a residência ocorreu sob um esquema de segurança reforçado. Houve uso de viaturas da Polícia Militar do Distrito Federal para abrir caminho e bloquear cruzamentos, além de um comboio fechado, com o veículo que transporta Bolsonaro entre carros de escolta. A custódia direta ficará a cargo da Polícia Penal do Distrito Federal. Bolsonaro e Michelle chegaram à residência em carros diferentes.
A operação incluiu controle de trânsito em pontos estratégicos, interdições momentâneas e restrição de aproximação de terceiros, para evitar aglomerações e impedir que a transferência vire um ato político.
O médico Brasil Ramos Caiado, da equope de Bolsonaro, afirmou que a evolução nos últimos dois dias foi tranquila, "sem intercorrências".
— Bolsonaro acabou de ter alta hospitalar, como adiantamos há dois dias. A evolução foi o que esperávamos: tranquila e sem intercorrências. Houve a transição da medicação para via oral para que continue em casa — disse o médico.
Bolsonaro deixou o hospital pouco antes das 10h, acompanhado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ramos Caiado afirmou que o ex-presidente está mais "colaborativo" para adotar as medidas necessárias ao quadro de saúde.
— Nós obtivemos melhora um pouco acima da média na questão dos soluços com alimentos e isso será comunicado à equipe de nutrição — afirmou Ramos Caiado.
O ex-presidente deve fazer uma cirurgia para corrigir uma lesão no ombro no fim de abril.
— Nos últimos dois dias nos dedicamos ao ombro. A nossa previsão é se faça essa cirurgia em quatro semanas por um protocolo de quatro semanas após a alta da pneumonia. Estimo no final do mês de abril ele retornar para o procedimento cirúrgico de astroscopia do ombro direito— explicou o médico.
A chegada
Na porta do condomínio onde mora Bolsonaro, o clima era de pouca mobilização nesta manhã. Diferentemente de outros momentos, não havia presença de apoiadores no local. Durante a movimentação, um carro passou com um ocupante comemorando o retorno do ex-presidente, mas a reação não foi unânime: alguns moradores que transitavam pela área manifestaram incômodo com a volta.
De acordo com boletim médico divulgado na véspera, o ex-presidente apresentou evolução clínica favorável, sem sinais de infecção aguda, e respondeu bem ao tratamento com antibióticos.
Ao conceder a domiciliar por ao menos 90 dias, Moraes estabeleceu um conjunto de restrições com foco em manter um “ambiente controlado” para a recuperação do ex-presidente. Na decisão, o ministro afirma que a suspensão de visitas busca evitar risco de infecção e de evolução para quadros mais graves, como a sepse.
Veja as regras da prisão domiciliar
Tornozeleira eletrônica
Bolsonaro deverá usar tornozeleira durante todo o período da domiciliar. O descumprimento das regras pode levar à revogação da medida e ao retorno ao regime anterior.
Sem celular ou redes sociais
O ex-presidente está proibido de utilizar celular, telefone ou qualquer meio de comunicação, direta ou indireta. Também não poderá acessar redes sociais nem gravar ou divulgar vídeos e áudios, ainda que por intermédio de terceiros.
Visitas suspensas, com exceções restritas
A decisão determina a suspensão geral de visitas por 90 dias. Estão autorizados apenas filhos, advogados, médicos e fisioterapeuta. Durante as visitas permitidas, celulares devem ser recolhidos pelos agentes responsáveis pela segurança.
A esposa Michelle Bolsonaro, a filha Laura e a enteada Letícia têm acesso livre à residência por morarem no local. Visitas a elas também ficam sujeitas a autorização judicial.
Controle rígido de acesso
A Polícia Militar do Distrito Federal deverá vistoriar veículos que entrarem e saírem da residência, incluindo inspeção de porta-malas e identificação de ocupantes, além de monitorar a área externa do imóvel.
Relatórios e fiscalização
A PM será responsável por acompanhar o cumprimento da medida, sob coordenação do 19º Batalhão, com envio de relatórios semanais ao STF e comunicação imediata em caso de descumprimento.
Proibição de manifestações
Moraes proibiu a realização de acampamentos, atos ou aglomerações em um raio de 1 km da residência.
Reavaliação em 90 dias
Moraes determinou que a prisão domiciliar será reavaliada após 90 dias, com análise das condições de saúde de Bolsonaro e possibilidade de realização de nova perícia médica.
Isolamento amplia poder de Michelle e expõe divisão com Flávio
Na decisão, Moraes afirma que a suspensão de visitas é necessária para “resguardar o ambiente controlado necessário” à recuperação e evitar “risco de sepse e controle de infecções”.
O ministro sustenta que o quadro de broncopneumonia exige limitação de contato com terceiros e acompanhamento contínuo, com possibilidade de agravamento caso haja nova exposição a agentes infecciosos.
Nos bastidores, aliados avaliam que, neste contexto, a prisão domiciliar deve ampliar o poder da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que passa a concentrar o acesso cotidiano ao ex-presidente dentro de casa.
Com Bolsonaro isolado e sem visitas políticas, Michelle tende a influenciar diretamente decisões, enquanto o senador Flávio Bolsonaro mantém agenda intensa fora de Brasília, em meio à pré-campanha.
Embora esteja autorizado a visitar o pai diariamente, por ser advogado inscrito na ação penal, a rotina de viagens deve limitar essa presença. A tendência, segundo aliados, é que ele atue mais à distância, enquanto Michelle ganha protagonismo no dia a dia. Nesta sexta-feira, por exemplo, Flávio está nos Estados Unidos. Amanhã, ele discursa no evento conservador trumpista CPAC.















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