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Petrolândia, a Atlântida do Sertão, completa 30 anos no primeiro feriado estadual da Revolução Pernambucana

Orla Fluvial em agosto de 2016 (Foto: Lúcia Xavier/Arquivo BlogAR)

O dia 6 de março de 2018 foi repleto de comemorações no Estado de Pernambuco. Marcado pela primeira ocorrência de feriado estadual na Data Magna, correspondente à Revolução Pernambucana de 1817, o dia foi ainda mais especial no município de Petrolândia, no Sertão de Itaparica, a quase 500 Km da capital Recife. Com população estimada em cerca de 36 mil habitantes, a cidade localizada às margens do rio São Francisco, celebrou hoje o 30º aniversário da transferência da sede do governo do município da velha cidade, agora submersa nas águas da represa de Itaparica, para o novo centro administrativo e comercial, distante alguns quilômetros da povoação original. Em Petrolândia, o 6 de março já é feriado municipal.

Em Petrolândia, na data que unifica dois feriados, junta-se o orgulho de ser pernambucano e relembrar as perdas e conquistas na busca por independência e desenvolvimento, ao orgulho de pertencer a esta cidade que também sua história marcada por perdas e conquistas na busca por independência e desenvolvimento. O azul e branco, cores dominantes nas duas bandeiras, destacam ainda mais as semelhanças. Até os versos mais conhecidos do Hino de Pernambuco, lembram também Petrolândia.

Salve! Ó terra dos altos coqueiros!
De belezas soberbo estendal!
Nova Roma de bravos guerreiros
Pernambuco imortal, imortal!

Petrolândia recebeu em 2012 o título de Capital Pernambucana da Coconicultura, em reconhecimento à grande produção do fruto no município. 

Petrolândia é rica em belas paisagens naturais, como grutas e praias de água doce, e algumas construções reintegradas à Natureza, como as ruínas da Igreja do Sagrado Coração de Jesus que, há 30 anos, resistem a mergulhar inteiramente no Lago de Itaparica. Mantêm-se altivas, como atração turística do município, como cartão postal e ponto obrigatório de visitação turística. As ruínas de outros prédios submersos podem render à cidade também o epíteto "Atlântida do Sertão". Mas, ao contrário de Atlântida, o lendário continente tragado pelo oceano, cuja localização das ruínas submersas ainda hoje é incerta, Petrolândia tem catalogado descobertas no fundo da represa. 

A Nova Petrolândia foi construída sob o clamor popular, os debates políticos e batalhas, inclusive com ocupação de canteiro de obras para forçar a negociação com os agricultores, ações que obtiveram conquistas até então inéditas na história da construção de hidrelétricas no País, como a concessão de verba de manutenção a reassentados. 

Petrolândia também é imortal ou, mais propriamente, renasceu várias vezes. Como fênix, ressurgiu do fogo de secas devastadoras e da água das inundações do São Francisco, quando ele ainda era um rio e alimentou o Bebedouro do Jatobá, e fez crescer Jatobá, depois Jatobá de Tacaratu, que virou Itaparica, que em tupi significa 'cercado de pedras', e por fim Petrolândia, a terra de Pedro. 

A relação de Petrolândia com o São Francisco é intensa. Surgida às margens do "rio dos currais", após mais de 200 anos de registros históricos, a Atlântida do Sertão é completamente dependente de suas águas. Além da receita obtida pela geração de energia na Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga e dos produtivos - e problemáticos - perímetros de irrigação, a cidade é também um dos municípios com a maior produção de tilápias no Brasil, com mais de uma centena de empreendimentos de aquicultura e piscicultura instalados no Lago de Itaparica. 

Hoje, trinta anos passados desde a mudança da "velha para a nova cidade", já não estão vivas muitas testemunhas desse processo, pessoas que saíram de suas casas, de suas terras e foram instaladas no centro da cidade ou nas agrovilas, ou até mudaram de cidade. O cantor e compositor Rui Sá é uma dessas perdas. Autor da canção-tema e hino popular de Petrolândia (Recordações), ele não quis viver na cidade nova e foi embora para São Paulo. Lá, faleceu há poucos anos. 

Mas, não somente pessoas foram transferidas durante a transição da sede da cidade. As palmeiras imperiais que embelezaram a Orla Fluvial e se tornaram símbolo de Petrolândia, também vieram da "velha cidade", transplantadas do entorno do escritório da Codevasf para a nova margem das águas. 

Na Orla, durante quase três décadas, mais de 20 palmeiras assistiram ao crescimento da cidade, adornaram a beleza do lago e foram cenário para fotos de moradores e visitantes do município. A maioria delas definhou ao longo dos últimos três anos e, há cerca de um mês, foram retirados os troncos das últimas árvores mortas. Porém, três ou quatro palmeiras, aparentemente saudáveis, permanecem plantadas entre a cidade e o lago, onde ainda se vê a silhueta da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Por sua resistência, palmeiras e igreja hoje são elos do passado com o presente e inspirações para o futuro de Petrolândia.

Lúcia Xavier 
Membro do IHGP-Instituto Histórico e Geográfico de Petrolândia

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