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"Água de chuva é melhor que água de poço, de rio ou de açude", afirma pesquisador durante Simpósio

Foto: Irpaa

O Simpósio Brasileiro de Captação e Manejo da Água de Chuva, realizado entre os dias 11 e 14 de novembro, em João Pessoa – PB, deixou a certeza de que a água de chuva tem qualidade superior àquela encontrada em açudes e poços. O evento apontou para necessidade de continuar potencializando a prática de colher a água.

“Tivemos trabalhos sobre qualidade da água, demonstrando que a qualidade da água de chuva é melhor que água de poço, de rio ou de açude”, declarou ao final do evento Tarciso Cabral, professor da Universidade Federal da Paraíba - UFPB e coordenador do Simpósio. Alguns trabalhos apresentados serviram de base para a afirmação de Tarciso. A pesquisa desenvolvida pelo Profº Gilson Athayde Jr, por exemplo, aponta que análises de água de chuva demonstraram ter parâmetros técnicos excelentes. “A água de chuva é muito boa... muito mais fácil de tratar do que a água do rio”, reforça Gilson, um dos facilitadores de minicurso.

Além da qualidade da água de chuva colocada em pauta por várias vezes durante o Simpósio, o Profº Tarciso Cabral também destacou a diversidade de trabalhos apresentados. “Foram muitas contribuições, tanto na área social quanto técnica”, comenta o coordenador do evento, chamando atenção, por exemplo, para o trabalho apresentado pela Profª Maria Auxiliadora, do Instituto Federal Baiano, Campus Serrinha, que trata da relação entre água de chuva, gênero e geração de renda. “De acordo com pesquisas anteriores percebíamos que a cisterna traz, tanto para o consumo humano, quanto para a produção, vantagens que vão além de ter ou não a qualidade de água ou o acesso à água”, comenta a professora sobre origem do projeto.


O trabalho desenvolvido pelo IF Baiano também teve foco na organização comunitária e articulou diversas parcerias. Segundo Maria Auxiliadora, 20 organizações do poder público estadual e municipal, além de organizações populares e estudantes de agroecologia, agropecuária e agroindústrias se envolveram diretamente na ação. O trabalho rendeu frutos interessantes para as comunidades. A professora cita que, junto com estudantes de agroindústria, as/os beneficiárias/os do projeto desenvolveram uma salada em pote, que é ideal para pessoas que almoçam fora de casa e pode ter como fonte as hortaliças produzidas com água das cisternas de produção.

O projeto (que gerou uma cartilha digital e um vídeo, em fase final de edição) previa a participação de 25 mulheres, mas teve um público feminino de 45 e ainda a participação de homens. Além de potencializar a geração de renda a partir dos quintais e do artesanato, o projeto colocou em pauta questões relacionadas à intimidade feminina, identidade, educação e participação das mulheres em estâncias políticas.

Participação Internacional

Três representantes que atuam com captação da água de chuva em outros países apresentaram suas experiências. O holandês Han Heijnen, que atua em países da África e Ásia avalia que até 2016 o Brasil vinha evoluindo bem na missão de proporcionar acesso à água à população. Neste momento de incertezas, o holandês defende que “o governo não pode simplesmente cortar os investimentos em políticas de acesso à água. A Argentina resolveu em 100% este problema [o acesso à água]. Vão perguntar: por que o Brasil não consegue? Captar água da chuva é parte importante dessa estratégia”, argumenta o pesquisador. O representante internacional diz que “o governo devia possibilitar o acesso à água a toda população”. Han Heijnen é enfático: “Se não tem acesso à água o povo tem mais doenças”.

De acordo com o holandês, “no Nordeste as Ong’s e a ASA resolveram muito bem esse problema de tornar a água de chuva acessível à população” e a captação de água se tornou parte da cultura, tornando o Brasil exemplo para o mundo. “O Brasil está inspirando o mundo não só com o futebol, mas também com captação de água de chuva”, avalia Han Heijnen. Para Tarciso Cabral, a participação dos holandeses que trabalham na África e Ásia foi importante, pois apresentaram “novas tecnologias, diferentes das nossas”.

Qual o tamanho ideal para uma cisterna?

Durante o minicurso sobre dimensionamento de reservatórios o Professor Gilson Athayde Jr disse que diversos fatores devem ser levados em conta na hora de projetar um reservatório. Às vezes um reservatório pode ter um investimento muito maior do que seria necessário. “Um dos critérios de dimensionamento dos reservatórios é justamente a demanda de água... É preciso ter cuidado para que a cisterna não fique com um tamanho excessivo”, alerta o professor, que também cita como elementos importantes para essa definição o regime das chuvas e a possibilidade de complementação com água servida através da rede.

A proposta de Gilson é parecida com o que religiosas/os de Várzea do Poço - BA pensam. A cidade passa por dificuldade de abastecimento e foi nesse contexto que um grupo ligado a Igreja Católica deu início a um projeto de construção de cisternas de modo voluntário, através de fundo rotativo. A Irmã Teresinha Pala conta que o tamanho da cisterna depende do tamanho da casa e da quantidade de pessoas que residem na mesma. “Onde tem uma pessoa, duas pessoas a gente faz uma cisterna de 4 mil litros. Onde tem três a quatro pessoas a gente faz de 6 mil litros e onde é mais a gente faz de 8 mil litros... Depende também do tamanho da casa”, explica a religiosa.

Homenagem

Durante o evento João Gnadlinger foi homenageado “pelo seu empenho, dedicação e conquistas obtidas em prol do aproveitamento da água de chuva como forma de Convivência com o Semiárido brasileiro”, dizia a placa entregue pela organização do evento ao homenageado.

João é austríaco e atua no Brasil há 41 anos, destes, 29 anos de trabalho no Irpaa, onde contribui dentre outras atividades, com o debate acerca da captação de água de chuva para os diversos fins e preservação de bacias hidrográficas. É um dos fundadores da Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva e junto com outros/as colaboradores/as do Irpaa tem defendido a participação popular no Simpósio e não apenas como ouvinte, mas como expositores de ações que têm sortido efeito na captação de água de chuva.

Saiba mais em https://irpaa.org/

Texto e Foto: Comunicação Irpaa

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