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Crise hídrica: CHESF divulga proposta de redução progressiva da vazão do rio São Francisco a partir de 27 de maio


Por meio do Fax-SOC-029/2015, de 14/05/2015, o Superintendente de Operação e Contratos de Transmissão de Energia da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), João Henrique de Araújo Franklin Neto, apresentou a usuários de água do Velho Chico, entre eles a Prefeitura Municipal de Petrolândia, o Plano de Gerenciamento para Segurança Hídrica na Bacia do Rio São Francisco, com justificativas para a programação dos testes de redução da vazão mínima no Rio São Francisco. A meta é reduzir a vazão para 900 m³/s, em tempo integral, na semana de 10 a 17 de junho. 

A Chesf informa que a continuidade das condições hidrometeorológicas desfavoráveis na Bacia do São Francisco, e a autorização emitida pelo IBAMA para a realização de testes de redução gradativa das vazões mínimas defluentes de Sobradinho para o patamar de 900 m³/s, a Agência Nacional de Águas – ANA convocou reunião para o dia 20/05/2015, com a participação do Comitê da Bacia do São Francisco – CBHSF e Secretarias de Estados, dentre outras entidades. Na reunião, a Chesf apresentará proposta para a realização de testes de redução gradativa da vazão mínima do Rio São Francisco até o limite de 900 m³/s, a partir da UHE Sobradinho, conforme o seguinte cronograma:

- 27/05 a 02/06/2015: 1.000 m³/s em tempo integral;
- 03/06 a 09/06/2015: 950 m³/s  em tempo integral;
- 10/06 a 16/06/2015: 900 m³/s em tempo integral.

A novidade da proposta é a prática da vazão em tempo integral. Nos planos anteriores, a vazão mínima era projetada apenas para os períodos de carga leve: da meia noite às 7 horas da manhã, nos dias úteis (segunda a sexta-feira) e nos sábados, e de meia noite às 24h00 (o dia inteiro) nos domingos e feriados. A falta de novidade é que, em seu fax, a Chesf cobra dos usuários de águas seus planos de colaboração para o sucesso do racionamento da água dos reservatórios da Bacia do São Francisco (leia-se Sobradinho), que é prioritariamente destinada ao uso do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão que descarta o racionamento de energia, amparado pelo governo, para quem não haverá apagões "nem que a vaca tussa".  

"Reiteramos a importância e necessidade de que todos os órgãos decisores, entidades e usuários atuantes na Bacia, definam, em curto espaço de tempo, a sua estratégia e seus planos de ação para execução das medidas necessárias no seu âmbito de atuação, visando a prática deste novo patamar de vazão mínima (900 m³/s), vez que o uso da água é responsabilidade de todos e que a gravidade da situação requer proatividade", adverte a Chesf.

A justificativa da Chesf para implantar a vazão sucessivamente reduzida do rio. "O armazenamento no Reservatório de Sobradinho, observado na data de 31/03/2015 (18,9%¨de VU - volume útil), correspondente ao nível mais baixo já registrado no seu histórico de operação, para esta data. Inferior inclusive ao armazenamento observado na citada data para os dois anos em que houve racionamento de energia: 1987 (36,17% VU) e 2001 (35,28% VU). É importante destacar que, caso não fossem adotadas as medidas excepcionais de redução da vazão mínima de restrição na Bacia do São Francisco desde o início de 2013, o Reservatório de Sobradinho teria esgotado o seu Volume Útil - VU ainda em 2014".

As justificativas são apenas atemorizantes. Aterrorizante é observar detidamente os boletins de acompanhamento diários da Bacia do São Francisco, disponíveis no site da ANA, e constatar que a Chesf ainda usa - ou ousa - comparar as vazões artificiais de até 2013, com as vazões naturais de 1931, quando o São Francisco ainda era perene, avolumado por períodos de chuvas mais regulares e inúmeros veios d'água, muitos dos quais já foram extintos. Esse comparativo passa a falsa impressão que se desaparecessem, por milagre, Três Marias (1962), Sobradinho (1979) e Itaparica (1988), para citar apenas três das barragens que obstruem a passagem do ex-rio, o curso de água seria preenchido com a lendária exuberância do Opará, o rio-mar. Se esse milagre viesse a acontecer, seria mais provável que o Velho Chico se transformasse em uma lágrima escorrendo pela face do Sertão, antes de cair amargamente nos lábios do mar.

A maior malvadeza que se faz com o sertanejo é levá-lo a acreditar que essa miragem em que o Velho Chico se transformou é uma fonte inesgotável de água para consumo e desperdício. A pior forma de acordar do sonho é o pesadelo. Poucos escutam o grito das carrancas.

Redação do Blog de Assis Ramalho
Fonte: CHESF e ANA

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