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Casos de bebês com manchas e bolhas não têm correlação com microcefalia

"É um quadro clínico que nada tem a ver com microcefalia", afirmou a chefe do Setor de Infectologia Pediátrica do Huoc, Ângela Rocha
Ashlley Melo/ JC Imagem

Pediatras do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) e do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) têm atendido, nas últimas três semanas, bebês de até 2 meses de vida com um quadro clínico que mescla febre em graus variados, manchas vermelhas na pele e irritabilidade. Entre dois e três dias após o início desses sintomas, os bebês apresentam vesículas e bolhas na pele – manifestações que fogem do padrão das viroses mais observadas pelos médicos entre as crianças muito pequenas.

“Mas é um quadro clínico que nada tem a ver com microcefalia. Estamos investigando todas as possibilidades, inclusive enteroviroses, que podem ser manifestar com bolhas, e chicungunha, cujo vírus tem circulado em Pernambuco. Mas tudo ainda é uma hipótese”, diz a chefe do Setor de Infectologia Pediátrica do Huoc, Ângela Rocha.

Em nota, o Imip confirma que atendeu crianças com poucos meses de vida apresentando esse quadro clínico. Algumas foram internadas e, em seguida encaminhadas para o Huoc. A instituição reforça que esses casos não têm correlação com os casos mais recentes de microcefalia. “Um detalhe importante é que a maioria dessas crianças tem evoluído bem, sem gravidade”, salienta a médica Nara Cavalcanti, coordenadora da enfermaria de pediatria do Imip e do Huoc. Outro ponto importante, segundo Nara, é que o estudo do líquido da coluna dessas crianças apresentou normalidade, o que afasta possibilidade de comprometimento neurológico.

“A nossa maior suspeita em relação à causa desse quadro tem sido a chicungunha porque, ao fazermos uma revisão na literatura mundial, encontramos casos semelhantes em crianças de países que tiveram surto de da doença confirmado, como a Índia. Acreditamos muito nesse hipótese, mas ainda não podemos confirmá-la porque aguardamos resultados de exames de sangue dos bebês que atendemos”, explica Nara.

A pediatra acrescenta que, nessas crianças, não são observados inchaço e vermelhidão nas articulações. Ao todo, em três semanas, o Huoc e o Imip atenderam até 15 bebês com esse quadro clínico.

Cinthya Leite
Jornal do Commercio

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