sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Jatobá-PE: Delegado da Polícia Federal diz que a equipe da polícia foi recebida a pedradas e pauladas pelos ocupantes das terras indígenas; Duas pessoas foram detidas

Operação da Polícia Federal para desocupar imóveis indígenas em Petrolândia — Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal em Pernambuco realizou, na quinta-feira (13), uma operação de reintegração de posse em parte das terras indígenas ocupadas por posseios há mais de 30 anos no Sertão do estado. Duas pessoas foram detidas por crime de desobediência, segundo a PF.

Os detalhes foram apresentados em coletiva nesta sexta-feira (14), no Recife, o delegado da PF Renato Madsen, afirmou que a equipe da polícia foi recebida a pedradas e pauladas pelos ocupantes da terra.

A área de 8,1 mil hectares fica nos municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, e pertence à tribo indígena Pankararu. A Justiça já havia determinado que as 350 famílias não indígenas que moravam no local ilegalmente desocupassem as terras desde 2013, garantindo uma indenização por cada moradia. A reintegração foi autorizada em junho desse ano pelo TRF-5.

De acordo com a PF, o alvo desta operação era desocupar 12 residências, pertencentes aos líderes da comunidade, que estariam influenciando os moradores a não cumprir a determinação da Justiça e permanecer no local.

O delegado Renato Madsen explicou que, desde a decisão de 2013, o valor da indenização das famílias já havia sido liberado, somando R$ 5,5 milhões. Apesar disso, a grande maioria das famílias não cumpriu a decisão de desocupação e não solicitou o dinheiro.

"A Polícia Federal ficou um mês no terreno incentivando as pessoas a deixarem expontaneamente a terra. Nesse tempo, a gente percebeu que algumas lideranças estavam incentivando as pessoas a permanecerem ali", afirmou o delegado.

Madsen afirmou, ainda, que muitas famílias apresentavam interesse em sair das terras, mas não sabiam como proceder ou tinham medo. "Muitas pessoas estavam interessadas em saber como sair e receber a indenização. Mas elas estão receosas de sair e até serem taxadas por essas lideranças como pessoas que não ajudaram nesse processo", disse.

Ainda segundo o delegado, durante a operação de desocupação houve confronto entre os moradores e a polícia, que foi recebida a pedradas e pauladas. Os policiais revidaram com gás lacrimogênio e balas de borracha.

Segundo a corporação, ninguém ficou gravemente ferido, e duas pessoas foram detidas por desobediência. Das 12 casas de líderes, que foram alvo da operação, apenas sete foram desocupadas, segundo a PF. Outros dois endereços estavam imprecisos e em três residências haviam idosos morando. Esses receberam um prazo de 15 dias para deixar o local.

A operação de desocupação teve início às 6h da quinta (13) e contou com a participação de 100 policiais federais e militares. Apesar do confronta, a polícia afirma que a desocupação aconteceu de forma pacífica.

Histórico

Ocupadas há mais de 30 anos por famílias não indígenas, a justiça federal determinou a desocupação das terras em 2013.

Em março deste ano, o Juiz Felipe Mota Pimentel de Oliveira, da 38º Vara da Justiça Federal, de Serra Talhada, definiu o prazo final de 45 dias para a desocupação do local. As famílias receberiam uma indenização pela moradia, assim que deixassem o local. A verba já estava disponível, mas as famílias não foram buscar o dinheiro e descumpriram o prazo.

No fim de maio deste ano, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região autorizou a Polícia Federal a realizar a reintegração de posse em até 90 dias.

Por G1 PE


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