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Petrolândia: Produtores rurais reúnem-se com superintendente regional da Codevasf para discutir problemas dos perímetros irrigados

João Bosco, Superintendente da Codevasf, foi entrevistado por Assis Ramalho

Escavadeira hidráulica iniciou os trabalhos de desobstrução na EB 1 Bloco 02, nesta quinta-feira (09) 

Produtores rurais dos perímetros irrigados de Petrolândia, no Sertão de Pernambuco, reuniram-se na tarde de ontem (08) com o Superintendente da 3ª Regional da Codevasf/Petrolina, Dr. João Bosco Lacerda de Alencar. O encontro aconteceu na sede do STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) de Petrolândia. O objetivo foi discutir os problemas que os agricultores enfrentam nas agrovilas, entre eles, a falta de manutenção nos canais de irrigação das agrovilas. A obstrução dos canais por assoreamento é creditada pelos agricultores à falta de manutenção pela empresa Plena Consultoria e Projetos, contratada pela Codevasf para dar assistência aos produtores de Petrolândia.

Além do Superintendente da Codevasf, estiveram presentes o gerente regional de Irrigação da 3ª Superintendência da Codevasf, José Costa Barros, o chefe do escritório de apoio técnico de Jatobá, Alessandro, o fiscal de contrato, Fabrício, além de José Mauricio, presidente do STR de Petrolândia, e Natanael Caetano, Secretário de Políticas Agrícolas do STR-Petrolândia.

Durante a reunião, José Maurício e os produtores rurais fizeram reclamações ao gerente executivo da Plena Consultoria e Projetos, Dr. Sérgio. Segundo eles, o gerente não vem mantendo um diálogo esclarecedor com os agricultores dos perímetros irrigados.

'"O erro está em Dr. Sérgio, que quer fazer as coisas sem ouvir ninguém", desabafou o presidente do STR, acrescentando que tem gente dentro da Chesf que não tem interesse em resolver os problemas dos assentados porque se beneficia com o fato. "A verdade é que a Chesf nunca quis resolver os problemas existentes porque, eu acho, que tem alguém ganhando com isso", disse ele, sem citar nomes dos supostos interessados pelo descaso. José Maurício também disse não ter dúvidas de que, depois da limpeza do canal, tudo vai funcionar normalmente.

Natanael Caetano, por sua vez, também criticou o gerente executivo da Plena. "Os agricultores, eu tenho certeza, que até concordariam se a água fosse diminuída, mas desde que a Plena cumprisse com os seus deveres, com as suas obrigações. Mas, infelizmente, Dr. Sérgio não está tendo boa vontade nem diálogo com os agricultores", disse.

O Fiscal de Contrato, Fabrício, disse já ter feito alerta a Dr. Sérgio para que tenha um melhor diálogo com os agricultores. "Eu já alertei a Dr. Sérgio sobre a falta de diálogo, mas eu prometo que vou voltar a conversar com ele. Também é bom que se diga que a Plena está desde julho sem receber repasse financeiro. Provavelmente o proprietário da empresa está bancando esses meses com recursos do seu próprio bolso", ponderou Fabrício.

Para o agricultor Rogério Novaes, vereador de Petrolândia, é importante que seja feita a desobstrução do canal, mas só isso não é o bastante. "A desobstrução é sem dúvida muito importante e vai beneficiar muito os produtores, mas só isso não é o bastante. Nós precisamos de algo mais concreto", frisou.

O produtor rural Bila Ferraz lamentou a Chesf afirmar que não tem mais compromisso com a Codevasf, e fez ameaças de paralisar uma obra da empresa, caso os problemas não sejam resolvidos. "Se a Chesf diz que não tem mais compromisso com a Codevasf, e se Codevasf não tiver as condições de resolver os nossos problemas, a gente está disposto, até mesmo, de parar uma obra da Chesf, seja em Itaparica, em Paulo Afonso ou no Recife", desabafou Bila Ferraz.

Em entrevista ao Blog de Assis Ramalho, o Superintendente da 3ª Regional da Codevasf, Dr. João Bosco Lacerda, analisou o resultado da reunião com os produtores rurais. O Superintendente garantiu que os problemas serão resolvidos.

Perguntamos ao Superintendente sua opinião sobre a reunião realizada com os produtores rurais.

"Foi uma reunião muito boa e muito produtiva, em que a gente trouxe a proposta de unir as forças, fazendo uma parceria com todos os agricultores aqui da região de Itaparica, Isso porque nós precisamos nivelar esses entendimentos para que a gente possa fazer com que as ações que os produtores mais necessitam, possam chegar aqui o mais rápido possível. Nós temos um projeto emergencial, que é o de resolver os problemas dos canais, e a gente já está fazendo uma emergência, em cima da própria emergência. Nós já estamos fazendo uma licitação, mas a gente veio aqui para verificar essa situação dos canais que os agricultores tanto reclamam aqui na região de Itaparica. Sabemos que o problema, hoje, se estende a toda a área do rio São Francisco, porque a dificuldade maior é a água, mas com essa união que a gente firmou aqui hoje, a gente vai tentar e eu tenho certeza que a gente vai criar a solução para resolver esses problemas que aqui existem."

Perguntamos se a Chesf tinha realmente encerrado convênio com a Codevesf 

''Isso é mais uma questão burocrática, porque a Chesf realmente, como você falou, encerrou o convênio com a Codevasf em maio deste ano e está sendo realizada essa transição. Mas, a partir de agora, a Codevasf vai trabalhar diretamente com recursos do orçamento geral da União, e isso é mais um problema burocrático, que está se resolvendo. Todas as empresas prestadoras de serviços dessa região estão sofrendo com essas dificuldades, mas o problema já está sendo resolvido. Acho que nestes dez, quinze dias, essa situação já deve estar normalizada."

Perguntamos se os trabalhos de desobstrução dos canais serão feitos com urgência

"Sim, vamos desobstruir esses canais de acessos de água de todos esses projetos aqui da região de Itaparica e, como você presenciou na reunião, as lideranças sindicais e os produtores são conscientes de que fazendo essa ação, os problemas serão resolvidos. Então, após a gente concluir essa etapa emergencial, vamos fazer a outra etapa, que são as ações mais definitivas, para que quando voltar a acontecer situações como essa, de o nível da represa baixar acima do normal, a gente não volte a ter essas problemas."

Perguntamos a Dr. João Bosco se a escavadeira hidráulica já tinha sido providenciada

"Sim, já está a caminho. A escavadeira hidráulica está vindo de Petrolina. É uma uma máquina grande que tem um braço que estende em torno de 20 metros, com um alcance muito maior do que essas máquinas comuns. É por isso que demorou um pouco, porque não é toda empresa que tem uma máquina dessa. Então, essa máquina tem condições de resolver os problemas existentes aqui na região de Itaparica."

Também perguntamos sobre o prazo estipulado para resolução do problema

''A máquina vai ficar à disposição durante o período que possa ser resolvido os problemas. Pode ser dez, quinze dias, o importante é que ela só vai sair daqui, quando resolver os problemas existentes nos canais", finalizou João Bosco.

Na manhã desta quinta-feira (09), a nossa reportagem dirigiu-se à estação de bombeamento EB1 Bloco 2, lá constatando que realmente uma escavadeira hidráulica de braço longo está sendo usada para dragagem do canal naquela localidade. Segundo o Coordenador de Operação e Manutenção, Thiago Moraes, com quem conversamos, a escavadeira hidráulica veio diretamente do distrito de irrigação Nilo Coelho, em Petrolina, e deve ficar em torno de dois dias executando os serviços na EB1 Bloco 2. Depois a máquina será deslocada para execução dos serviços na estação de bombeamento 07 do Bloco 1, e em seguida no Icó Mandantes, no canal da EB 4 e EB 5.

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