sexta-feira, 30 de junho de 2017

A vida é curta para ser pequena - por Fernando Batista


REPERCUSSÃO E ABALO DESSAS MORTES PREMATURAS EM PETROLÂNDIA

Essas últimas semanas foram difíceis digerir. Dentre as notícias mais comentadas na nossa cidade, as que ganharam destaque foram aquelas mortes prematuras. Três jovens que se despediram do viço da vida. Notícia que dói na carne. Afinal, anulou - se a identidade de quem se foi dando lugar à novas identidades aos que por aqui vão permanecer. A orfandade não alcançou apenas os filhos, as mães também provam o fel de uma partida sem despedidas, obrigando - as a viver o avesso da trajetória natural.

MÃES ÓRFÃS. A dor da morte se assemelha a dor do nascimento. Mas desta vez não há o que expelir. Agora doem o vazio,os ocos solitários. Morrem os filhos, as crias, arquiteturas genéticas . Morreram entorpecidos de esperanças e,sem querer, banharam a vida dos que aqui ficaram de uma inação, de um torpor que, inconvenientemente , haverá de prolongar - se e hospedar -se sem que fossem convidados .

Os benditos frutos dos ventres anoiteceram para a vida quando o sol ainda lhes davam o direito de ver a luz. A cortina do palco fechou - se e, apesar dos aplausos, o silêncio do teatro da vida é inevitável ao fim de cada espetáculo.

FILHOS ÓRFÃOS. Gostaríamos todos que está frase não significasse nada e estivesse prenha de esperanças, embora neste instante não saibamos reconhecê - las. Não vou me aventurar em sondar esperanças alheias. Posso ser descuidado ou infeliz. A dor do outro é território Santo. Somente tirando as sandálias da razão poderemos adentrar. E, em se tratando de rebentos tão frágeis, embora não compreendendo agora os "porquês ", estão imersos em uma realidade que não sonhavam chegasse agora.

Morte prematura é acontecimento que não se acomoda dentro de nós; menos ainda em corações cuja razão sequer fez morada.

Não é agradável ouvir, mas a realidade está envolta desta verdade : Morrer é acontecimento que demora terminar. Pode ser também que nunca termine. A sepultura se torna profunda demais, de modo que não há terra no mundo que a possa preencher. A organização do luto é demoradamente diária. Haverá sempre uma pá de terra para cada lembrança.

Porém, da morte também germina a solidariedade. Ela faz ser de todos os que é natural ser de um só. Ante tudo isso, a grande questão envolvendo a morte, na verdade é a VIDA. Como estamos vivendo? Nossos dias estão sendo aproveitados ou chegamos ao fim da jornada arrependidos do que fizemos ou deixamos de fazer? Lembre-se: "A VIDA É CURTA PRA SER PEQUENA!".

Bem diz Mário Quintana : " Esta vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas, pois nossas malas nunca estão prontas e nossa conta nunca está em dia.

Fernando Batista


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