segunda-feira, 25 de julho de 2016

Petrolândia: Dona Maria do Carmo faz hoje 104 anos; conheça parte da história de sua vida

 
 

Disposição, alegria e sede de viver. É dessa maneira que dona Maria do Carmo encara a vida. Nesta segunda, 25 de julho de 2016, parte da família  reuniu-se em sua residência, no município de Petrolândia, para celebrar os seus bem vividos 104 anos de vida

Maria do Carmo nasceu no dia 25 de julho de 1912 na Fazenda Nunes, zona rural do município de Tacaratu (PE). Residente em Petrolândia desde 1956, ela foi costureira e uma das parteiras mais solicitadas da cidade, realizando inúmeros partos dos quais nasceram, também, grandes amizades.

Mãe de 6 filhos, 19 netos e 18 bisnetos, dona Maria do Carmo é dona de uma lucidez invejável. Com muita simpatia, bom-humor e lucidez, a ex-parteira contou que se iniciou no ofício de parteira quando, ainda residindo em Tacaratu, um vizinho procurou parteira para realizar o parto de sua mulher e não encontrou. Nessa ocasião foi ela quem ajudou no parto e, desde então, não parou mais. Pelas suas contas foram mais de 100 partos realizados, sem nenhum registro de morte de mãe nem de criança durante o parto.

Para nossa surpresa, aos 104 anos, ela afirmou que come de tudo: buchada, feijoada, xerém e munguzá salgado, prato que adora. Além disso, muito vaidosa, dona Maria do Carmo não abre mão de cuidar dos cabelos e manter em dia manicure e pedicure.

Confira abaixo entrevista de Dona Maria do Carmo concedida  a reportagem do Blog de Assis Ramalho e da Web Rádio Petrolândia

Assis Ramalho: Como a senhora se sente hoje chegado aos 104 anos com saúde, com as graças de Deus?

Dona Maria do Carmo: Mais ou menos.

Assis Ramalho: Qual o segredo para chegar aos 104 anos, da maneira que a senhora chegou?

Dona Maria do Carmo: Viver tranquila, trabalhando. O trabalho não acaba ninguém. Me alimentando bem, graças a Deus.

Assis Ramalho: A senhora faz regime, tem uma comida especial, ou come de tudo?

Dona Maria do Carmo: Como de tudo! Feijão, arroz, carne, munguzar, xerém, galinha...galinha de capoeira, trancada no puleiro, por que essa é que a boa.

Assis Ramalho: A senhora foi parteira durante muitos anos. Por que a senhora decidiu ser parteira?

Dona Maria do Carmo: Consegui por uma coincidência. Foi uma necessidade muito grande (de alguém para fazer um parto) e aí eu peguei (ajudou no parto). Peguei, cortei o umbigo, e a partir daí, não parei mais.

Assis Ramalho: Dona Maria do Carmo, qual o conselho que a senhora dá para a juventude, para que chegue pelo menos perto da sua idade?

Dona Maria do Carmo: Viver bem é uma coisa que ajuda. Viver bem, tranquila, sem fazer o mal a ninguém, sem fofoca. Comer bem, carne boa, frutas boas, tiradas da natureza.

Assis Ramalho; Dona Maria do Carmo, conte um pouco da sua vida
Dona Maria do Carmo; Eu nasci na Fazenda Nunes (zona rural do município de Tacaratu), e depois fui para a Petrolândia (1956), que na época era chamada de Jatobá. Eu era uma das pessoas principais da cidade, todo mundo me adorava todo mundo me chamava, e quando eu comecei a fazer parto, aí foi que foi. Andei muito. Quantos eu já peguei, quantos eu ajudei, e que Deus já levou, e eu estou aqui. Não andava de carro, era num burrinho. Naquele tempo todo mundo tinha um burrinho, tinha um cavalo.

Assis Ramalho: Hoje, tem muita mordomia. Quase todo mundo tem um carro, uma moto, mas naquele tempo não tinha nada disso, Não é, dona Maria do Carmo?

Dona Maria do Carmo: Hoje é carro, e moto, é não sei o que, tudo coisas que levam a morte. O primeiro carro que eu vi foi um Jeep, e eu me assustei quando vi. Eu pensei ''que bicho é esse?'' (risos)

Assis Ramalho: A senhora lembra do trem, chegou a andar no trem da velha cidade? o que é que a senhora ainda lembra?

Dona Maria do Carmo: Eu andei muito de trem, lembro como se fosse hoje. Quando ele apitava, a gente ouvia aquele apito longe, e aí todo mundo ficava alegre e dizia "o trem já vem! lá vem o trem!", lembro como hoje.

Assis Ramalho; Naquela época os comerciantes transportavam suas mercadorias no trem. O que é que a senhora lembra sobre isso

Dona Maria do Carmo; Há! eu me lembro que o trem vinha carregado de muitos cestos, muitas frutas, era umbu, laranja, cana, mamão, era muito bonito. Ainda hoje eu lembro do apito do trem.

Assis Ramalho: A senhora ficou triste quando o trem acabou, deixou de funcionar

Dona Maria do Carmo; Foi muito triste, por que naquele tempo não tinha bicicleta, não tinha carro, só tinha o trem e acabou. Foi muito triste. Aí, só ficou os cavalos.

Assis Ramalho; Naquele tempo todos tinham um cavalo, um jegue, mas hoje ninguém quer andar em animal, não é Dona Maria do Carmo?

Dona Maria do Carmo; Quer nada! Naquele tempo a feira era cheia de cavalos, tinha os lugares onde os donos guardavam. Naquele tempo não tinha acidente (dona Maria do Carmo se refere ao grande número de acidentes causados por carros e motos nos tempos de hoje).

Assis Ramalho; Ao que parece, a senhora ainda é muito vaidosa. Não abre mão de arrumar os cabelos, se arrumar, se perfumar...

Dona Maria do Carmo; Sim, por que gosto da vida, e quero viver nesta vaidade (risos).

Assis Ramalho; Dona Maria do Carmo, eu tenho infomações de que a senhora é boa de boca. Come muito, e de tudo, é verdade?

Dona Maria do Carmo; (risos) Como de tudo, como de tudo.
Assis Ramalho: A senhora gosta de mungunzá?

Dona Maria do Carmo: Mungunzá? Vixe! Mungunzá eu como é um pratão cheio se derramando (risos).

Assis Ramalho: E de xerém com galinha, gosta?
Dona Maria do Socorro: Vixe! Eu gosto muito. Quando não tem, eu boto pra comprar (risos).

Assis Ramalho; Ao que parece, resta a gente saber do que a senhora não gosta, por que a senhora come de tudo. Arroz, feijão, mungunzá, feijoada, xerém.
Dona Maria do Socorro; Também gosto de farofa. E viva a vida! (risos)


Redação do Blog de Assis Ramalho


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