quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Menos água para produção no Vale do São Francisco


A Agência Nacional de Águas (ANA) publicou a resolução nº51 estabelecendo que a vazão do reservatório de Sobradinho pode ficar, no mínimo, em 523 metros cúbicos por segundo até o dia 30 de novembro deste ano, caso seja necessário. Atualmente, a vazão está em 680 metros cúbicos por segundo. O açude é o maior do Nordeste e já chegou a ser responsável por quase 70% de toda a água que poderia ser usada para gerar energia no Nordeste antes da atual estiagem.

“O múltiplo uso do São Francisco deveria ser uma discussão de toda a sociedade pernambucana. Um dos nossos maiores problemas continua sendo o dia do Rio, que não permite a captação da água para a irrigação a cada 15 dias”, diz o presidente da Associação dos Produtores do Vale do São Francisco (Valexport), José Gualberto.

Ele explica que a falta da irrigação duas vezes por mês traz uma perda de 7,5% da produção e prejudica mais de 30 mil produtores que utilizam a água do São Francisco para plantarem na área de Sobradinho e nos municípios da região, como Petrolina, Lagoa Grande, Floresta e Belém do São Francisco, todos em Pernambuco, e mais três cidades na Bahia: Juazeiro, Curaçá e Chorrochó.

“Estão impedindo o crescimento da agricultura irrigada em Pernambuco, e nenhuma autoridade está se preocupando com isso. Os empresários não investem porque não têm a garantia da água”, resume José Gualberto.

Mais de 90% das uvas e mangas exportadas pelo Brasil saem do Vale do São Francisco, que movimenta, em média, US$ 3oo milhões por ano nas vendas ao exterior. As exportações correspondem a 20% de toda a agricultura irrigada daquela localidade, que também cultiva coco, acerola, melancia, melão, tomate e feijão, entre outras. “A autorização da ANA prorroga uma autorização que já está vigente. A situação do São Francisco não é confortável”, diz o diretor de Operação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), João Henrique Franklin.

Ele argumenta que no ano passado a vazão de São Francisco chegou algumas vezes até 523 metros cúbicos por segundo.

A região que abastece o São Francisco vem passando por uma estiagem desde 2013. Ontem, Sobradinho estava com 31, 5% do seu volume útil, aquele acima do qual a água pode ser usada para gerar energia.

Há um ano, o lago estava com 9,95% do seu volume útil. “Está um pouco melhor a quantidade de água este ano, porque, desde 2017, a vazão foi reduzida para garantir a segurança hídrica”, explica João Henrique. Ambientalmente, a vazão mais correta seria de 1,3 mil metros cúbicos por segundo.

Por; Pernambuco Notícias


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