terça-feira, 24 de novembro de 2015

Garanhuns sedia 2ª Feira de Troca de Sementes Crioulas nesta quinta-feira (26)

Troca de sementes crioulas incentiva segurança alimentar

Com o intuito de incentivar e fortalecer o cultivo, a 2ª Feira de Troca de Sementes Crioulas acontecerá na quinta-feira, 26/11, em Garanhuns. Cerca de 350 agricultores, dos 32 municípios do Agreste Meridional e região, estarão expondo e trocando mais de 40 variedades de sementes. O evento acontece no Parque Euclides Dourado, das 8h às 17h.

As sementes crioulas, conhecidas como “sementes tradicionais”, são desenvolvidas, adaptadas ou produzidas por agricultores familiares, assentados da reforma agrária ou indígenas. As variedades possuem como característica a adaptabilidade local, independente da qualidade do solo. O agricultor tem domínio total do processo de produção, que exige menor utilização de insumos ou adubo, e pouco uso de agrotóxico.

“A conservação desta cultura faz parte de uma campanha mundial de soberania dos povos quanto à posse de suas sementes, como estratégia de segurança alimentar e de perpetuação da cultura e identidade dos agricultores. Essas sementes possuem história, faz parte da culinária local, gerações de agricultores foram alimentados por essas sementes”, declarou o secretário de Agricultura e Reforma Agrária, Nilton Mota. Ele reforçou, ainda, que a feira ajuda na disseminação das espécies em fase de desaparecimento, preservando as raízes históricas das comunidades rurais de Pernambuco.

De acordo com Pedro Balensifer, extensionista do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), essas sementes são o contraponto aos grãos transgênicos, que não podem ser guardados por conta da lei de patentes. “A semente crioula é uma semente de liberdade e a transgênica de dependência, já que ela não pode ser guardada para o replantio no próximo ano. Além disso, as pessoas ganham na qualidade da alimentação, já que as sementes crioulas não são modificadas. A saúde começa pela alimentação. As transgênicas não podem ser armazenadas e o agricultor fica dependente de sempre precisar comprar, anualmente, novas sementes em lojas agropecuárias”, pontuou.

Em três anos de trabalho com sementes crioulas, Balensifer já catalogou 25 variedades de feijão, 19 de fava e 06 de milho. O IPA possui um Banco de Sementes Crioulas para doações e/ou trocas, em Garanhuns, e o armazenamento pode ser feito em garrafa pet, vasos metálicos ou tambores plásticos.

Durante a feira, também haverá variedades de jerimum, melancia, entre outras sementes, além de mudas frutíferas. A expectativa é que 600 quilos de sementes circulem pela feira. Na programação também estão previstos roda de diálogo, palestras e debates. A 2ª Feira de Troca de Sementes Crioulas é promovida pela Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (Sara), através do Grupo de Estudos, Sistematização e Metodologoa do IPA, e conta com o apoio das seguintes instituições: Cáritas, Centro Sabiá, Coopaf, Coopaga, Fetape, STR, Coletivo Jupago Kreká, Nedet, Núcleo Agrofamiliar, Prefeitura de Garanhuns e Serta, entre outras.

Confira a programação:
8h – Início da Feira
9h – Abertura Solene
9h30 – Mística de abertura com o Povo Xukuru do Ororubá
10h – Mesa Redonda:
- A importância da formação dos bancos comunitários de sementes.
- Conhecendo o Programa PAA Sementes: objetivo e funcionamento em Pernambuco
12h – Almoço
14h – Roda de diálogo:
- A experiência da conservação das variedades locais de sementes do Povo Xukuru do Ororubá.
- A importância da conservação das sementes crioulas para a agricultura familiar: uma análise diante dos avanços das sementes comerciais e patenteadas.
17h – Encerramento

*Durante todo o dia, haverá exposição e trocas de sementes e mudas (dentro da filosofia de agrobiodiversidade) nos stands da Feira.

Fonte: Núcleo de Comunicação do IPA

Um comentário:


  1. EU NÃO ENTENDI ! ESTAS SEMENTES SÃO CRIOULAS DE VERDADE OU ? SE NECESSITA DE AGROTÓXICO, NÃO SÃO SEMENTES CRIOULAS( PURAS)

    as sementes crioulas, conhecidas como “sementes tradicionais”, são desenvolvidas, adaptadas ou produzidas por agricultores familiares, assentados da reforma agrária ou indígenas. As variedades possuem como característica a adaptabilidade local, independente da qualidade do solo. O agricultor tem domínio total do processo de produção, que exige menor utilização de insumos ou adubo, e pouco uso de agrotóxico.EU NÃO ENTENDI, ES

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