quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Petrolândia: Jovem é mordido por morcego na Orla Fluvial

Apenas uma pequena parte dos morcegos é hematófaga (se alimenta de sangue). A maioria é útil para o meio-ambiente, por isso não se deve matá-los. 

Na noite do último sábado (28), um jovem trabalhava no último quiosque da Orla Fluvial no último sábado (28) quando sentiu uma mordida na mão. Imediatamente, ele sacudiu o braço e caiu no chão o que ele pensou, de início, ser uma borboleta grande. Mas, o susto foi grande ao ver que era um morcego. Por impulso, ele e um amigo pisaram no animal e o mataram. A espécie de morcego não foi determinada.

No Hospital Municipal de Petrolândia, o rapaz recebeu soro antirrábico para prevenir uma das doenças transmitidas pelos morcegos: a raiva. Nessa terça-feira (31), ele foi a Paulo Afonso, continuar o tratamento. 

O ataque ao jovem acende o alerta para a expressiva presença, na Orla Fluvial, de animais que podem, também, ser vítimas e vetores na circulação do vírus da raiva, como cães, gatos e cavalos.

Ataques a humanos não são comuns, mas toda mordida de morcego deve ser tratada como ferimento grave

Segundo especialistas, a simples presença dos morcegos não representa risco à saúde, já que esses animais não costumam atacar as pessoas. No entanto, eles não podem ser manipulados diretamente porque a transmissão do vírus ocorre com a saliva do animal. Animais silvestres, os morcegos são protegidos por lei e importantes para o equilíbrio ecológico. Por isso, não podem ser eliminados ou presos sem a autorização de órgãos ambientais. Alguns se alimentam de frutas e outros de sangue, mas somente uma pequena parte deles é hematófaga (se alimenta de sangue). A maioria é útil para o meio-ambiente, por isso não se deve matá-los.

No ataque a humanos, as vítimas são atacadas principalmente nas extremidades do corpo, como pés, mãos e cabeça. O risco de transmissão do vírus da raiva por morcego é sempre elevado, independente da espécie e gravidade do ferimento, portanto, toda agressão por morcego deve ser classificada como grave. Caso seja mordida por um morcego, a pessoa deve lavar o local do ferimento imediatamente com água e sabão e procurar uma unidade de saúde para ser vacinada contra raiva. Não se recomenda que tentem matar ou capturar o animal, que contribui para o equilíbrio ambiental e a cadeia alimentar.

Os morcegos são a ordem de mamíferos com a maior diversidade de hábitos alimentares. O cardápio dos morcegos inclui itens bem variados, como sementes, frutos, folhas, pólen, néctar, sangue e outros animais, dentre várias outras coisas. Apesar dessa variedade, no mundo, 70% dos morcegos se alimentam se insetos. No Brasil, 50% se alimentam principalmente de plantas, podendo comer também outras coisas. Há desde morcegos altamente especializados em um único tipo de alimento, como os morcegos-vampiros, até aqueles que comem um pouco de cada coisa.

Os morcegos costumam sair do habitat durante a noite, à procura de alimentação. Há casos em que o morcego invade as residências durante a noite em busca de frutas (principalmente a banana) para se alimentar. Em situações assim, não há suspeita da presença do vírus da raiva. Já quando a presença dos morcegos é detectada ao redor de animais de estimação ou criações, o alerta deve ser ligado. A melhor forma de prevenção na área urbana é imunizar contra a raiva os animais de estimação, cães e gatos com mais de 3 meses de idade.

Estudo aponta que desequilíbrio ambiental pode levar morcegos a procurar sangue humano


Segundo reportagem da BBC, publicada em 2017, uma espécie de morcego encontrada no Brasil, até então conhecida por consumir exclusivamente sangue de aves, está se alimentando agora de sangue humano. A revelação está em uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros e publicada em novembro de 2016 na revista científica "Acta Chiropterologica", a mais importante publicação do mundo voltada à pesquisa de morcegos.

O estudo analisou 70 amostras de fezes da espécie Diphylla ecaudata, popularmente conhecida como morcego-vampiro-de-pernas-peludas. Os cientistas conseguiram extrair o DNA de 15 delas - e em três descobriram vestígios de sangue humano, explica Enrico Bernard, professor do Departamento de Zoologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e responsável pela pesquisa. O estudo foi conduzido no Parque Nacional do Catimbau, na região de caatinga de Pernambuco, a cerca de 300 km do Recife.

"Das três espécies de morcegos-vampiros que conhecemos, sabíamos que apenas uma delas se alimentava de sangue humano", conta Bernard, em entrevista à BBC Brasil. "Mas nosso estudo mostrou agora que outra espécie, o morcego-vampiro-de-pernas-peludas, que só se alimentava do sangue de aves, também passou a consumir sangue humano", acrescenta o especialista.

Causas

Na avaliação de Bernard, considerando que o morcego-vampiro-de-pernas-peludas tem fisiologicamente menos tolerância ao sangue de mamíferos, os novos hábitos alimentares da espécie "reforçam um cenário de escassez de presas". "Sendo assim, ou o comportamento alimentar desse bicho é muito mais variável do que imaginávamos até hoje, ou há uma restrição significativa de suas presas nativas", diz o especialista.

Bernard afirma que os resultados do estudo parecem validar a segunda hipótese. "Essa porção da caatinga vem sendo bastante alterada pela presença humana. As presas nativas desse tipo de morcego - aves maiores, em sua maioria - estão desaparecendo e seu habitat sendo ocupado por seres humanos e seus animais domésticos", afirma. "Nosso estudo mostrou, por exemplo, a presença de sangue de galinha em algumas das amostras que coletamos."

Além da defaunação (diminuição acelerada e drástica de espécies animais), a mudança dos hábitos alimentares do morcego-vampiro-de-pernas-peludas também pode evidenciar um impacto na saúde pública humana. "Morcegos transmitem uma série de doenças. Se essa espécie está agora se alimentando de sangue humano, precisaremos lidar com um problema de saúde pública potencial", destaca.

Relatos de morcegos atacando pessoas, especialmente como resultado de transformações ecológicas provocadas pela presença humana, não são inéditos no Brasil. Em 2005, o Maranhão registrou o maior surto de raiva humana transmitida por morcegos da história do país. Na ocasião, mais de 20 pessoas morreram vítimas da doença, transmitida por morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue).

Redação do Blog de Assis Ramalho
Fontes: G1, Governo de Santa Catarina, BBC, Casa dos Morcegos e Agência Brasil


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