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Governo de Pernambuco vai avaliar barragens com risco de estouramento


O Governo de Pernambuco está criando um grupo de trabalho com integrantes de diferentes setores para cadastrar as barragens do Estado. O prazo de fechamento das fiscalizações é de seis meses. O processo será iniciado nas barragens de onde há maior índice pluviométrico, a Região Metropolitana do Recife (RMR) e a Zona da Mata Sul. Além da força-tarefa, prefeituras se preparam com os recursos que têm, mesmo que não tenham obrigações com as barragens.

A informação foi enviada por nota pela assessoria de imprensa da Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos, que não disponibilizou nenhum funcionário para explicar como vai funcionar o trabalho. O grupo faz uma espécie de pente-fino, semelhante ao que será feito pelo Governo Federal, divulgado no Diário Oficial da União da última terça-feira. A diferença é que a fiscalização nacional será iniciada pelas barragens em alto risco de rompimento segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens. Em Pernambuco, não.

Dos 477 reservatórios em Pernambuco registados na Agência Nacional de Águas (ANA), 63 estão em perigo e são de responsabilidade do Governo do Estado, como Duas Unas, em Jaboatão e Pirapama, no Cabo, ambas na RMR. Duas Unas chegou a atingir a capacidade máxima de 100% de 23 bilhões de litros em 2015. Pirapama, 90% de 61 bilhões de litros em 2017. Além delas, barragens em outras 42 cidades, espalhadas por todas regiões, têm alto risco de rompimento. São de responsabilidade da Compesa, mas também do Departamento Nacional de Obras contra a Seca, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de PE, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba, da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária e das prefeituras de Caetés e Iati.

Enquanto o Estado fiscaliza as barragens, as prefeituras ficam em alerta. O Superintendente de Defesa Civil de Jaboatão dos Guararapes, Coronel Arthur Paiva, explica que há um plano de contingência para todos os desastres, inclusive os que envolvem grandes volumes de massas d’água. “Para se ter uma ideia, monitoramos o rio Jaboatão em Bonança e em Moreno. Temos sua régua online, a qualquer momento que eu ligar o computador. Se começa a chover muito em Vitória, na sua foz, e eu percebo que ele está subindo em Moreno, tenho quatro horas e 42 minutos para preparar a cidade que protejo”, explicou. “O que houve em Brumadinho alerta a todos, inclusive a nós da Defesa Civil.”

“Mas, se algo ocorre com Duas Unas, que já fica muito em cima das residências, não temos como prever porque eu não tenho controle nenhum das informações delas. O Governo Estadual precisa me alertar.” Neste caso, o plano a ser executado é o de resgate, de salvamento, e não de prevenção e evacuação. A assessoria de imprensa da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, onde fica a barragem de Pirapama, também em alto risco, explicou que tem procedimento semelhante, com a Secretaria de Defesa Social.

São Francisco
A Fundação Joaquim Nabuco continua monitorando o avanço do rejeitos de Brumadinho em direção ao São Francisco. De acordo com o pesquisador Neison Freire, é preciso se antecipar. “Nós pesquisadores podemos ajudar nessa antecipação. Nas cidades ao longo do rio, até a foz, em Alagoas, é preciso se prevenir. Incluindo as cidades que captam água da transposição. Medidas precisam ser tomadas e um estado de atenção, mesmo de calamidade, decretado. Assim se pode flexibilizar a aquisição de materiais limpem a água dos metais pesados, por exemplo.

Por: Folha dePE

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