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Morre Luiz Paulo Conde, ex-prefeito do Rio de Janeiro


Morreu na madrugada desta terça-feira (21), aos 80 anos, o ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde. Ele estava internado há um ano no Hospital Samaritano, em Botafogo, para tratamento de um câncer na próstata. Segundo amigos, Conde morreu por volta das 3h desta terça. Há sete anos, o ex-prefeito lutava contra a doença. Ele era casado com Rizza Conde, que conheceu durante o curso de Arquitetura, e deixa três filhos.

Com uma carreira consolidada e premiada na Arquitetura, Luiz Paulo Conde entrou tarde na política. Aos 60 anos, assumiu a Secretaria municipal de Urbanismo no primeiro governo de Cesar Maia (1993-1997) e recebeu a missão de estar à frente do ousado projeto do Rio Cidade, que consistiu em diversas intervenções urbanas nas vias mais importantes dos principais bairros cariocas. Ex-simpatizante do PCB, Conde filiou-se ao PFL para suceder Cesar Maia. Foi eleito prefeito no segundo turno, derrotando Sergio Cabral Filho, então candidato pelo PSDB.
Conde foi lançado candidato à prefeitura e, mesmo tido como um azarão, foi eleito (1997-2001) e concluiu o Rio Cidade, a Linha Amarela e também o Favela-Bairro. Entre suas obras mais importantes, duplicou um trecho de sete quilômetros da Avenida das Américas e remodelou a Praça Quinze. Na época, convidou arquitetos espanhóis para fazer o projeto do mergulhão. Durante o governo Cesar Maia, foi uma espécie de super secretário, encarregado de comandar todas as obras da cidade.

O prefeito Eduardo Paes decretou luto oficial de três dias na cidade pelo falecimento do ex-prefeito. Em nota, Paes recordou a participação de Conde nas transformações urbanísticas da cidade.

“O Rio de Janeiro perdeu hoje um grande realizador. Luiz Paulo Conde fez parte de um grupo seleto de cariocas que tiveram o prazer e o orgulho de gerir a nossa Cidade Maravilhosa. Suas mãos ajudaram a projetar importantes transformações como o Rio-Cidade, o Favela-Bairro e a construção da Linha Amarela. Conde foi um inspirador para realizarmos a grande transformação pela qual o Rio de Janeiro passa. Com seu olhar urbanístico, foi um dos primeiros gestores a pensar na revitalização da Região Portuária e na demolição do elevado da perimetral. Arquiteto premiado, Conde tinha orgulho de sua profissão e inspirava-se na arquitetura para executar projetos. Hoje, o Rio está mais triste com sua perda”.

Amigo de longa data do ex-prefeito, o arquiteto Sergio Magalhães, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), recordou a faceta urbanista de Conde.

— Ele era um apaixonado pela arquitetura e pelo Rio. E não media esforços por estas duas paixões. Logo no começo da concepção do projeto Rio Cidade, quando ele era secretário de urbanismo e eu de Habitação, Conde nos surpreendeu um dia ao voltar de uma reunião com então prefeito Cesar Maia. Tínhamos conversado em implantar o projeto em três bairros e ele chegou dizendo: “Três é pouco, vamos fazer em 15 bairros”. O projeto acabou sendo implantados em cerca de 30 bairros. Para o Conde, não se tratava de fazer uma experiência, mas de provocar uma mudança na cidade — disse Magalhães.

O Globo

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