terça-feira, 21 de agosto de 2018

Bancada da segurança se arma para crescer em Pernambuco


Entre os postulantes à Assembleia, o presidente licenciado do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros (foto/arquivo em entrevista à Assis Ramalho), é um nome que protagoniza a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de PE.

A bancada da segurança pública em Pernambuco pretende crescer embalada na onda do conservadorismo e da intolerância da população com os altos índices de violência. Há cerca de 40 nomes vinculados à área no estado que vão concorrer aos cargos de deputado estadual e federal nas eleições deste ano – a maioria estadual. Os candidatos vêm de vários segmentos, entre eles, bombeiros, militares reformados, membros das forças armadas, policiais civis e militares, guardas municipais e policiais rodoviários federais. O discurso deles cobra maior respeito aos profissionais da segurança e redução da criminalidade, mas também usa como mote a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos e a derrubada do Estatuto do Desarmamento.

Entre os postulantes à Assembleia, o presidente licenciado do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros, afirma que é contra a redução da maioridade penal.


''O problema da violência no Brasil e em Pernambuco não é por causa da idade penal. O Estado Brasileiro já é um dos que mais encarcera no mundo, e até agora a violência só tem aumentado. Não será encarcerando mais jovens que teremos uma sociedade pacificada, e sim dando perspectiva de futuro à juventude. Sou policial e sei que quando tiramos um jovem infrator das ruas, no mesmo instante, o crime já tem mais dois para por em seu lugar.

Temos que atacar a fábrica de criminosos, a raiz do problema, que é a miséria e a desigualdade social. Óbvio que isso não quer dizer um enfraquecimento das polícias, até porque somos igualmente vítimas desse sistema falido e perverso. Em relação a mudança para liberar mais armas, sou contra, pois, se nós, policiais treinados, muitas vezes somos surpreendidos e nos tornamos vítimas por estarmos armados, imagine o cidadão comum? Imagine, numa sociedade já tão estressada e oprimida como a nossa, o que seria de uma briga de trânsito com pessoas armadas? Ou uma discussão num bar?

Entendemos que não se combate violência com mais violência, nem transmitindo para a população a obrigação que é do Estado em garantir segurança. Temos que parar com essa cultura da violência e do ódio. O Brasil sempre foi extremamente violento. Pernambuco igualmente. Isso só nos levou a ter números de guerra em nosso Estado. Por isso adiantamos que não faremos parte de qualquer bancada da bala''.

Por Diário de Pernambuco


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