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Empresa de Dirceu é suspeita em investigação sobre desvios na transposição em PE

Recursos da transposição saltaram de R$ 4,5 bilhões para os atuais R$ 8,5 bilhões. Obras se arrastam desde o ano de 2007.

A JD Assessoria, empresa de consultoria do ex-ministro José Dirceu (PT), preso na Operação Lava-Jato, recebeu recursos da ordem de R$ 586 mil da Galvão Engenharia provenientes de serviços prestados nas obras de transposição do Rio São Francisco. A informação foi divulgada na manha desta sexta-feira (11), pela Polícia Federal no Recife, durante a coletiva de imprensa sobre a Operação Vidas Secas - Sinhá Vitória. A ação da PF investiga o superfarturamento de obras de engenharia executadas por empresas em 2 dos 14 lotes da transposição, num trecho que 82km, que compreende os municípios de Custódia, em Pernambuco, a Monteiro, na Paraíba.

Segundo a Polícia Federal, empresas do consórcio formado pelas construtoras OAS, Galvão Engenharia, Barbosa Melo e Coesa utilizaram empresas de fachada para desviar R$ 200 milhões em verbas públicas. Os contratos investigados são da ordem de R$ 680 milhões. No caso dos recursos desviados, a PF não descarta a possibilidade da correção de valores para cifras maiores. As empresas, com contratos superfaturados, repassavam parte dos recursos a empresas de fachada Alberto Yousseff e Adir Assad. No caso de José Dirceu, não existe essa acusação, até porque sua empresa é registrada e, em tese, poderia estar realizando uma consultoria. Porém, por conta das denúncias na Operação Lava-Jato, também entrou nas investigações da polícia.
“A OAS, a Coesa e a Galvão Engenharia, entre outras, tinha uma conta própria para recebimento dos valores destinados pelo Ministério da Integração Nacional. Alguns valores dessa conta eram transferidos para contas da já conhecidas empresas dita fantasmas do grupo de Alberto Youssef”, disse o delegado Marcelo Diniz Cordeiro, que é superintendente regional da Polícia Federal em Pernambuco. As investigações começaram em ainda 2014, a partir de informações do Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria Geral da União (CGU).

Os órgãos de controle da União levantaram suspeitas sobre o superfaturamento de contratos da obra. Quando a Polícia Federal começou a investigação obteve a quebra de sigilo bancário dessas empresas que formavam o consórcio. A partir das informações sobre as movimentações financeiras, identificou que parte dos recursos das construturas eram transferidos paras as empresas fantasmas. A próxima fase da investigação deve apontar as possíveis conexões políticas, cujos nomes serão revelados em outro momento.

A Vidas Secas foi realizada em diversas regiões do pais para cumprir 32 mandados judicias, sendo 24 mandados de busca e apreensão, quatro de condução coercitiva e quatro de prisão, nos estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio grande do Sul, Bahia e Brasília. Em Pernambuco, foram cumpridos um mandado de busca e apreensão em Salgueiro, um em Sertânia e cinco no Recife, nos bairros de Boa Viagem, Graças e Coelhos.

Por: Tércio Amaral/Diario de Pernambuco

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