quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Preso outro suspeito de participar de morte de promotor de Itaíba, PE

Superintendente da PF-PE explica que detalhes não podem ser repassados devido ao segredo
de Justiça (Foto: Moema França / G1)

Um outro suspeito de envolvimento na morte do promotor de justiça Thiago Faria Soares, assassinado há um ano no Agreste de Pernambuco, foi preso pela Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (29), no interior da Bahia.

De acordo com informações repassadas pela assessoria de comunicação da PF, esse homem, que teria um forte vínculo com o fazendeiro José Maria Pedro Rosendo Barbosa, suspeito de ser o mandante do crime, estava escondido na cidade de Senhor do Bonfim.

"Não podemos esclarecer melhor os vínculos que o suspeito tinha com Zé Maria, mas ele é auxiliar de serviços gerais e já tinha trabalhado para o fazendeiro. O caso corre em segredo de Justiça e ainda não foi finalizado, deve demorar um pouco", disse o superintendente da PF em Pernambuco, Marcello Diniz Cordeiro

O homem preso na Bahia teria deixado o município de Águas Belas, onde morava, no mesmo dia do assassinato, que ocorreu em Itaíba. O mandado de prisão temporária foi expedido pela juíza Carolina Souza Malta, titular da 36ª vara da Justiça Federal de Pernambuco.



Ele deve chegar ao estado até a próxima sexta-feira (31), quando prestará depoimento e passará pelas medidas de praxe antes de ser encaminhado ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima.

'Dormi até no cemitério'


Na terça-feira (28), José Maria Pedro Rosendo Barbosa, 55 anos, se apresentou à Polícia Federal e prestou depoimento por uma hora e meia. Depois dos procedimentos habituais, ele foi levado ao Cotel, onde se encontra detido. Ele está em uma área reservada que já foi acertada entre a Polícia Federal e a Secretaria de Defesa Social. O mandado de prisão temporária tem validade de 30 dias, podendo ser prorrogado por igual período.

José Maria chegou à sede da PF por volta das 18h, acompanhado pela esposa e por advogados. "Eu estou me apresentando espontaneamente. Isso era para ter acontecido bem antes, mas a Polícia Civil nunca quis me ouvir. O delegado da Polícia Federal [Alexandre Alves], na hora que chegou em Águas Belas, que procurou minha família, meus advogados, eu me dispus a me apresentar para contribuir com as investigações", disse.

A PF assumiu o caso em setembro passado, a pedido do Ministério Público Federal e por ordem do Superior Tribunal de Justiça. O delegado Alexandre Alves, que é de Brasília, assumiu o caso em caráter especial.

Na época do crime, ele tinha cabelos bem grisalhos e apareceu nesta terça com os fios pintados. A tintura estava sendo usada para dificultar a identificação. O suspeito não informou os locais onde esteve escondido nos últimos meses. "Eu estava na pior situação que vocês podem crer, não é fácil deixar a família e viver da maneira que vivi um ano, por causa da falta de interesse, de contribuição do estado. Cheguei a dormir várias vezes dentro de cemitério, dentro do mato e não tinha necessidade de nada disso, porque se o delegado [da Polícia Civil] tivesse mandado uma intimação, eu teria comparecido à delegacia. Nunca quiseram me ouvir", comentou.

José Maria Pedro Rosendo Barbosa também afirmou que votou no primeiro e segundo turno, o que indica que esteva em seu domicílio eleitoral, em Águas Belas, por duas vezes. A Polícia Federal informou, através de sua assessoria de imprensa, que não vai comentar esse fato, por enquanto. O fazendeiro alegou ainda que é inocente. "Eu vou ver o que vão me perguntar [no interrogatório], estou pronto para responder. Quero ouvir por que razão estou sendo acusado, porque nunca existiu motivo de eu praticar isso que estão me acusando. Eu nunca dei um bom dia [ao promotor], não conhecia ele", apontou.

G1 PE

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