quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Petrolândia: Há 3 anos, cidadãos de bem se mobilizavam pela cultura de paz; em 2018, pedem armas

Oração ao lado da Cadeia Pública de Petrolândia, no final de outubro de 2015; Em 2018, "bandido bom é bandido morto" (Fotos: Assis Ramalho e Lúcia Xavier)



"O tempo é senhor da razão", diz um ditado popular. Será? Na noite de 30 de outubro de 2015, uma grande mobilização em prol da cultura de paz foi realizada em Petrolândia. A "Caminhada da Paz" arrastou uma multidão de cidadãos de bem às ruas, a maioria de roupas brancas. Alguns conduziam cartazes, outros lenços brancos, no evento anunciado com uma manifestação da sociedade em prol da redução dos crimes violentos no município, após serem registrados quatro homicídios entre os dias 19 e 25 de outubro daquele ano.

A caminhada, iniciada na concentração em frente à Academia das Cidades, seguiu até a rua da Cadeia Pública do município, onde orações foram dirigidas aos detentos e autoridades policiais. Em frente à Igreja Batista Missionária (IBM), na mesma avenida, Padre Luciano Aguiar orou pela tolerância religiosa, pela não perseguição por motivos religiosos. Os padres Nando, então pároco de Petrolândia, Luciano e Pastor Ricardo (IBM) revezaram-se nos clamores de paz para Petrolândia. Pastor Ricardo exortou as famílias a evitarem a cultura da violência em seus lares, a banirem jogos e filmes violentos. A locutora Hislaine Menezes chamou atenção sobre a banalização da violência e da morte, divulgada em fotos e vídeos pelas redes sociais.

Hoje, às vésperas de a manifestação pela paz completar 3 anos, o que mudou em Petrolândia para justificar que algumas das pessoas ali presentes ainda acreditam na cultura de paz, mas grande parte delas foi seduzida por discursos de ódio e intolerância (e não somente religiosa)? O que mudou para pessoas que acreditavam em paz, inclusive religiosos, e na competência dos órgãos de segurança pública do Estado e do Município, hoje defenderem o armamento da população em defesa da família e avalizarem discursos de apologia à violência?

A justificativa para a caminhada de 2015 foram 4 homicídios registrados no período de uma semana. Naquele ano, Petrolândia teve 9 homicídios, em 2016 foram 10. Ano passado, 6 pessoas foram vítimas de crimes violentos letais intencionais-CVLI, que inclui homicídio, feminicídio, latrocínio, entre outros tipos de mortes com uso de violência. Para efeito de comparação, colocamos abaixo a evolução dos números de vítimas no município e em Petrolina, cidade cuja população estimada é cerca de 10 vezes superior a Petrolândia, com Guarda Municipal armada, e com a qual os números de 2004 equivalem à proporção de 1x10.


Em 2018, até esta segunda semana de outubro, a Delegacia de Polícia Civil em Petrolândia registrou 6 homicídios. No gráfico abaixo, observa-se a evolução dos CVLI de janeiro a agosto deste ano, também em Petrolândia e Petrolina.

Segundo a DP de Petrolândia, dos seis homicídios consumados, 4 têm autoria conhecida e 2 ainda estão em investigação. Houve também 5 homicídios tentados, "sendo que destes só um ainda não se sabe a autoria", afirma Monteiro, da DP local. Ou seja, a violência está sendo combatida, punida, e os crimes são investigados em Petrolândia. Não é por descaso ou incompetência das polícias nem por impunidade que o discurso de ódio e a cultura da violência estão em ascensão no município.
Mas, a questão é: Quando foi que a "terra da esperança" trocou o discurso de paz, a busca da cultura da paz, pela defesa de personagens que prometem mais armas, mais intolerância, mais bandidos mortos, menos jovens nas escolas para encher mais cadeias de jovens ou mais cemitérios de corpos jovens? Medo da "insegurança pública" não é. Mais factível ser medo do "comunismo" que não existe no Brasil, mas é uma figura assustadora, porque prega "a igualdade entre as classes sociais". Como justifica certo deputado para defender um projeto de lei para criminalizar a "apologia ao comunismo", "os comunistas desonram a união natural do homem e da mulher, que até mesmo os povos bárbaros respeitaram. (...) Hoje vemos o resultado disso: grande número de divórcios e até mesmo leis que facilitam o mesmo, subversão dos valores familiares com promoção de diferentes tipos de casamento com o intuito de desfigurar a imagem da família como a sociedade sempre concebeu. A Igreja irá travar esta batalha até o fim, pois é uma questão de valores supremos: a dignidade do homem e a salvação das almas. Nós estamos comprometidos com a proteção do indivíduo e da família contra uma corrente que ameaça provocar um cataclismo social, se não tomarmos providencias rápidas e enérgicas." Felizmente, para evitar maior vergonha ao Cristianismo, nem todos os cristãos aceitam que tais sandices justifiquem endossar a cultura do ódio e da violência. Paz e amor para todos!
Lúcia Xavier/Redação do Blog de Assis Ramalho
Agradecimentos à Delegacia de Polícia de Petrolândia
Fonte de dados: SDS-PE


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